{"id":361153,"date":"2025-08-28T01:57:05","date_gmt":"2025-08-28T04:57:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=361153"},"modified":"2025-08-15T12:07:26","modified_gmt":"2025-08-15T15:07:26","slug":"fomos-apresentados-numa-festa-por-um-amigo-em-comum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/fomos-apresentados-numa-festa-por-um-amigo-em-comum\/","title":{"rendered":"Fomos apresentados numa festa por um amigo em comum"},"content":{"rendered":"<p>Ah, minha amada, como te amei!<\/p>\n<p>Lembro-me como tudo come\u00e7ou. Fomos apresentados numa festa por um amigo em comum, nem lembro quem. Murmuramos automaticamente \u201cMuito prazer\u201d, nossos olhares se encontraram \u2013 e se enredaram. Ficamos nos olhando em sil\u00eancio por algum tempo; depois, fomos para o terra\u00e7o, para conversar.<\/p>\n<p>M\u00fasica, comida, bebida, drogas, amigos, conhecidos, desconhecidos, tudo desapareceu, s\u00f3 havia n\u00f3s dois no apartamento. E no universo. Havia mil cumplicidades rec\u00e9m-descobertas, a explorar. Com sorrisos, palavras e toques, cada vez mais insistentes e insinuantes. E beijos, muitos.<\/p>\n<p>Dali fomos pra teu apartamento, que ficava perto. Tirei tua roupa, tiraste a minha, e transamos por muito tempo. Eu me apaixonei de cara; tu, nem tanto; um pouco menos, talvez.<\/p>\n<p>Os franceses, mestres nas coisas do cora\u00e7\u00e3o, t\u00eam um ditado que diz mais ou menos o seguinte: \u201cUm beija, o outro d\u00e1 o rosto a beijar\u201d. Eu beijava, claro; tu davas o rosto.<\/p>\n<p>No in\u00edcio, em que te descobria um pouco a cada instante, isso n\u00e3o teve import\u00e2ncia. A contr\u00e1rio, fascinava-me cada vez mais teu sorriso atrevido, desafiador, com que encaravas os desmandos de chefes no trabalho, galanteadores sem-no\u00e7\u00e3o, amantes ciumentos. Era a minha categoria, que s\u00f3 se manifestou algum tempo depois, mas ent\u00e3o, veio com tudo.<\/p>\n<p>Jamais te reprimi, nem em p\u00fablico, nem entre quatro paredes; mas meu cora\u00e7\u00e3o apertava, e sofria em sil\u00eancio. Tinha consci\u00eancia de que uma flor n\u00e3o pode reservar seu aroma para uma \u00fanica abelha; mas era o que, no \u00edntimo queria: que fosses uma flor de estufa, e s\u00f3 eu tivesse acesso a ela. Pouco a pouco o ci\u00fame, o monstro de olhos verdes, cravou suas garras sujas em meu peito e entrou em nossas vidas, por meu interm\u00e9dio.<\/p>\n<p>Notei que percebias, que ficavas triste, menos solta, e isso me entristecia; mas n\u00e3o conseguia venc\u00ea-lo, monstros s\u00e3o terr\u00edveis. E soube que, por minha culpa, minha culpa, minha m\u00e1xima culpa, nossa separa\u00e7\u00e3o era inevit\u00e1vel, estava escrita nas estrelas.<\/p>\n<p>E hoje \u00e0 noite, mais uma vez transamos. E, como sempre, foi uma del\u00edcia. Mas n\u00e3o adormeci em seguida, como costuma acontecer. Fiquei te observando dormir, os l\u00e1bios semiabertos, com um leve ressonar; decorei cada cent\u00edmetro de teu corpo nu, de teu rosto tranquilo ap\u00f3s o gozo, como que para t\u00ea-los para sempre.<\/p>\n<p>Ah, querida, teu lindo pesco\u00e7o \u00e9 t\u00e3o fr\u00e1gil! E t\u00e3o sonoro, fez um barulhinho ao quebrar&#8230; Dorme, minha amada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ah, minha amada, como te amei! Lembro-me como tudo come\u00e7ou. Fomos apresentados numa festa por um amigo em comum, nem lembro quem. Murmuramos automaticamente \u201cMuito prazer\u201d, nossos olhares se encontraram \u2013 e se enredaram. 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