{"id":361266,"date":"2025-08-17T02:37:48","date_gmt":"2025-08-17T05:37:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=361266"},"modified":"2025-08-16T20:42:18","modified_gmt":"2025-08-16T23:42:18","slug":"brasil-da-mediocridade-todo-dia-e-1o-de-abril","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasil-da-mediocridade-todo-dia-e-1o-de-abril\/","title":{"rendered":"Brasil da mediocridade, todo dia \u00e9 1\u00ba de abril"},"content":{"rendered":"<p>Assim como a primeira cueca samba can\u00e7\u00e3o e o primeiro suti\u00e3, algumas frases e hist\u00f3rias a gente nunca esquece. C\u00e9lebre autor mo\u00e7ambicano, Mia Couto escreveu para eu jamais esquecer que \u201cA saudade \u00e9 uma tatuagem na alma. S\u00f3 nos livramos dela perdendo um peda\u00e7o de n\u00f3s\u201d.\u00a0O tempo passou de repente. Envelheci, mas como esquecer o corpete colorido das meninas untadas de laqu\u00ea no cabelo e Chanel no. 5 no cangote. Isso pode ser coisa do passado. N\u00e3o para mim que, embalsamado no Lancaster e vestido com uma camisa\u00a0<i>volta ao mundo<\/i>, me achava aos 17, 18 anos o rei da cocada preta sem lastro, sem coco e sem a\u00e7\u00facar. Pelo menos vivi no tempo em que um homem documentando era s\u00f3 um sujeito cheio de documentos.<\/p>\n<p>Ouvia falar dos homens com H e da Cibalena como estimulante sexual. Ainda n\u00e3o havia para mim o Novembro Azul, muito menos os urologistas, aos quais a gente confessa coisas que at\u00e9 Deus duvida. Sei que \u00e9 exagero, mas valho-me da met\u00e1fora apenas para enfatizar a imprevisibilidade e a incerteza que permeiam a vida de um sujeito alfa ainda sem muitas convic\u00e7\u00f5es acerca dos caminhos que deveria percorrer. Era eu. N\u00e3o sou mais! \u00c9 aquela velha hist\u00f3ria de deixar o machado perder o corte somente para experimentar a novidade do fio terra. Desaprendi de viver. Relendo os alfarr\u00e1bios musicais de minha fase virginal, lembrei dos velhos tempos e das velhas amizades cantadas por Renato Barros e seus Blue Caps.<\/p>\n<p>Como diziam os\u00a0<i>Bacaninhas da Piedade<\/i>, \u201cah que bom seria se voltassem os dias t\u00e3o felizes que passei h\u00e1 40 ou 50 anos atr\u00e1s\u201d. Em meu quarto, surfando nas ondas da\u00a0<i>Playboy<\/i>, da\u00a0<i>Ele&amp;Ela<\/i>\u00a0e da\u00a0<i>Status<\/i>, eu via o mundo girar ouvindo os garotos de Liverpool a cantar. Quem n\u00e3o viu ou ouviu os Beatles\u00a0<i>Yesterday<\/i>\u00a0(ontem) jamais conhecer\u00e1\u00a0<i>Tomorrow<\/i>\u00a0(amanh\u00e3) o exato significado de<i>\u00a0Let it be<\/i>. Resta a esses embarcar no\u00a0<i>Yellow submarine<\/i>\u00a0futurista de Elon Musk e tentar voltar do fundo do mar para novamente ouvir dos antigos que \u201ca vida era t\u00e3o boa para quem sabia sonhar\u201d. Era festa todo dia. A ordem dada pelo poeta baiano parecia um mantra para a juventude assanhada e louca para dizer sim ao sim e n\u00e3o ao n\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, mesmo com os autom\u00f3veis ardendo em chamas, era proibido proibir. Desorganizado e sob controle, o crime e o Parlamento n\u00e3o geravam manchetes t\u00e3o ruins. O bem raramente perdia para o mal. Apesar de psicod\u00e9lico e, \u00e0s vezes, alto demais para os insensatos, o amor j\u00e1 foi azul. Hoje, nem o amor \u00e9 mais o mesmo. Pura nostalgia ou o modismo patri\u00f3tico da antropofagia. Acho que um pouco de cada. Playground n\u00e3o havia, mas tinha crian\u00e7as nos quintais, namorados nas pra\u00e7as e nos jardins, flores naturais, paz, harmonia e muito respeito entre os que elegiam vereadores, prefeitos, deputados, senadores, governadores e presidentes da Rep\u00fablica sem medo de golpes.<\/p>\n<p>Perder era somente o contr\u00e1rio de ganhar. Tudo mudou em pouco tempo. A exemplo de 1964, de 2022 a 2024 matar e morrer era apenas uma pat\u00e9tica escolha pol\u00edtica. Algo como a profundidade de um pires. \u00c0 luz do dia, especialistas fardados e escorados em um falso e piegas patriotismo faziam promo\u00e7\u00e3o golpista nas redes sociais. Nos bate-papos virtuais, chegavam a negociar a morte por envenenamento de um presidente e de um vice-presidente. Consumada a empreitada, o autor ou autores ganharia ou ganhariam um ministro do Supremo Tribunal Federal de brinde.<\/p>\n<p>Embora a sombra fosse dos mais espertos, o sol nascia literalmente para todos. A coragem e o carisma alheios s\u00f3 humilhavam os fracos de car\u00e1ter, particularmente os que sonhavam em ser um vaga-lume, o inseto que voa com a luzinha no rabo. Tudo mudou, menos a forma encontrada pelos pol\u00edticos de extrema-direita, de direita e alguns de esquerda para enganar o povo. Conforme a m\u00e1xima de Mill\u00f4r Fernandes, os primeiros acreditam cegamente em tudo que lhes ensinaram, enquanto os outros acreditam cegamente em tudo que ensinam. O resultado \u00e9 que acabou o estoque de verdades de uns e de outros. No pa\u00eds do golpe fracassado resta apenas a mentira em s\u00e9rie. Eis a raz\u00e3o pela qual no Brasil de hoje todo dia \u00e9 primeiro de abril. Na verdade, estou cansado da mediocridade na pol\u00edtica.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/p>\n<p><strong>Armando Cardoso \u00e9 presidente do Conselho Editorial de Notibras<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assim como a primeira cueca samba can\u00e7\u00e3o e o primeiro suti\u00e3, algumas frases e hist\u00f3rias a gente nunca esquece. C\u00e9lebre autor mo\u00e7ambicano, Mia Couto escreveu para eu jamais esquecer que \u201cA saudade \u00e9 uma tatuagem na alma. 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