{"id":361355,"date":"2025-08-20T01:43:28","date_gmt":"2025-08-20T04:43:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=361355"},"modified":"2025-08-17T19:44:09","modified_gmt":"2025-08-17T22:44:09","slug":"brasas-da-paixao-sempre-incendeiam-o-multiverso-do-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasas-da-paixao-sempre-incendeiam-o-multiverso-do-amor\/","title":{"rendered":"BRASAS DA PAIX\u00c3O SEMPRE INCENDEIAM O MULTIVERSO DO AMOR"},"content":{"rendered":"<p>Ot\u00e1vio, pensativo, observava a movimenta\u00e7\u00e3o e ouvia o alegre burburinho a sua volta. Era uma grande reuni\u00e3o de domingo que englobava fam\u00edlia, amigos e amigos de amigos \u00e0 beira de um belo lago artificial, principal atra\u00e7\u00e3o do mais popular clube campestre da cidade.<\/p>\n<p>Presentes, dona L\u00eddia, sua religiosa m\u00e3e, Mariana, sua noiva, Marina, sua cunhada, Cinira, melhor amiga das duas irm\u00e3s, Gildo, noivo de Cinira, Aurora, m\u00e3e de Mariana e Marina e outros agregados que tinham algum tipo de la\u00e7o com essas figuras centrais.<\/p>\n<p>O ambiente sob a sombra das \u00e1rvores era descontra\u00eddo e agrad\u00e1vel, repleto de muitas gentilezas e empatias, todavia, alguns \u201cfios desencapados\u201d teimavam em provocar curtos circuitos fortemente sentidos por alguns dos presentes.<\/p>\n<p>Enquanto Mariana colocava maionese no prato de Ot\u00e1vio, esse, inadvertidamente, fitou Cinira que estava ao lado da noiva a realizar o mesmo procedimento para servir o noivo, Gildo.<\/p>\n<p>Mesmo a contragosto, Ot\u00e1vio n\u00e3o pode evitar um pensamento que lhe soou duplamente pecaminoso:<\/p>\n<p>-Essa danada sabe mesmo ser provocante em qualquer coisa que fa\u00e7a!<\/p>\n<p>Ent\u00e3o sua mente navegou at\u00e9 o dia anterior na casa das irm\u00e3s, quando, durante o almo\u00e7o, a noiva lhe fez um pedido cheio de consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>-Querido, voc\u00ea pode fazer um favor para a fam\u00edlia?<\/p>\n<p>-Diga l\u00e1!<\/p>\n<p>-Voc\u00ea pode levar a Marina e a Cinira ao clube, hoje, ao final da tarde? Elas querem montar uma barraca e dormir por l\u00e1 mesmo. A\u00ed j\u00e1 v\u00e3o ficar para o almo\u00e7o da turma amanh\u00e3.<\/p>\n<p>-Hum, foi a Marina quem pediu para voc\u00ea falar comigo sobre isso? Voc\u00ea sabe que ela implica comigo desde que voc\u00ea e eu nos conhecemos. E eu nem consigo atinar o porqu\u00ea dessa antipatia toda.<\/p>\n<p>-Ah, n\u00e3o \u00e9 bem assim! Mas, ent\u00e3o, essa \u00e9 a chance de voc\u00ea mostrar para ela que voc\u00ea \u00e9 um cara legal.<\/p>\n<p>-Bem, para mim n\u00e3o custa nada. Ent\u00e3o avisa as duas que passo aqui \u00e0s cinco horas para lev\u00e1-las.<\/p>\n<p>A caminho do clube com as duas mo\u00e7as no carro, Ot\u00e1vio n\u00e3o conseguiu deixar de se sentir um sujeito de sorte por ter sido incumbido daquela empreitada.<\/p>\n<p>-Sem d\u00favida, s\u00e3o duas mulheres muito atraentes, pensava ele com seus bot\u00f5es!<\/p>\n<p>Heroicamente, ele tentava evitar tais pensamentos por respeito \u00e0 noiva, mas a proximidade com as mo\u00e7as o perturbava demais.<\/p>\n<p>-Certamente, cem por cento dos homens da cidade ficariam com muita inveja de mim, suspirou, enquanto conversava sobre amenidades com as duas belas.<\/p>\n<p>Chegando \u00e0 beira do lago, espa\u00e7o destinado \u00e0 montagem das barracas, ele ajudou as mo\u00e7as a retirar os seus apetrechos e bagagens do carro. Findo o desembarque, disse:<\/p>\n<p>-Bem, meninas, voc\u00eas j\u00e1 est\u00e3o entregues. Acho que a minha miss\u00e3o acabou. Ent\u00e3o, de s\u00fabito, Cinira pegou uma das suas m\u00e3os e, afavelmente, falou:<\/p>\n<p>-Ah, n\u00e3o! Nesse calor de quarenta graus, voc\u00ea merece tomar um banho no lago com a gente. Depois tomamos umas latinhas de cerveja, elas est\u00e3o esperando geladinhas no isopor.<\/p>\n<p>Para a surpresa de Ot\u00e1vio, Marina refor\u00e7ou o pedido da amiga:<\/p>\n<p>-Isso mesmo! Nosso benfeitor merece esse pr\u00eamio!<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, Cinira despiu-se do vestido, revelando o seu corpo escultural adornado apenas por um min\u00fasculo biqu\u00edni de duas pe\u00e7as.<\/p>\n<p>Constrangido, embasbacado e boquiaberto, Ot\u00e1vio balbuciou:<\/p>\n<p>-Eu&#8230;eu at\u00e9 gostaria, mas n\u00e3o trouxe roupa de banho.<\/p>\n<p>-N\u00e3o seja por isso, eu te empresto um dos cal\u00e7\u00f5es de banho que trouxe para o meu noivo usar amanh\u00e3. Por sorte, voc\u00eas t\u00eam praticamente o mesmo corpo, disse Cinira, animada.<\/p>\n<p>-\u00c9 isso a\u00ed, sem desculpas para fugir da nossa companhia, seu Ot\u00e1vio, replicou Marina. Docemente compungido, Ot\u00e1vio cedeu ao agradabil\u00edssimo pedido das lindas amigas.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a montagem da barraca, os tr\u00eas foram banhar-se no lago.<\/p>\n<p>-Gente, vou dar uma volta no clube e j\u00e1 volto, disse Marina. A s\u00f3s, Cinira e Ot\u00e1vio come\u00e7aram a conversar.<\/p>\n<p>-Por que o seu noivo n\u00e3o veio hoje?<\/p>\n<p>-Ah, ele trabalha muito. Mora em uma fazenda distante trinta quil\u00f4metros da cidade.<\/p>\n<p>-Entendi! Saiba que ele \u00e9 um cara de muita sorte por ter uma noiva como voc\u00ea.<\/p>\n<p>-Obrigada, gato! Sabe, voc\u00eas dois s\u00e3o muito parecidos, com a diferen\u00e7a que voc\u00ea \u00e9 mais charmoso, culto e inteligente, disse Cinira, ao mesmo tempo em que colava o seu corpo no de Ot\u00e1vio.<\/p>\n<p>Nesse momento, Ot\u00e1vio pareceu ser atingido por um raio e, arrepiado, sentiu uma corrente el\u00e9trica percorrer todo o seu ser.<\/p>\n<p>J\u00e1 com os l\u00e1bios colados aos de Ot\u00e1vio, Cinira murmurou com uma voz angelical:<\/p>\n<p>-Vamos para a barraca?<\/p>\n<p>N\u00e3o controlando mais a pr\u00f3pria vontade e mandando as consequ\u00eancias para o inferno, Ot\u00e1vio s\u00f3 teve for\u00e7as para emitir um tr\u00eamulo &#8220;vamos&#8221;.<\/p>\n<p>Uma hora depois, Marina voltou \u00e0 barraca e, brincando, reclamou:<\/p>\n<p>-Eita, nem esperaram por mim para abrir as cervejinhas!<\/p>\n<p>-N\u00e3o sab\u00edamos quanto tempo voc\u00ea ainda ia demorar, amiga, desculpou-se Cinira.<\/p>\n<p>-Encontrei uns amigos do outro lado do lago e me distra\u00ed.<\/p>\n<p>-Meninas, obrigado por tudo! Agora tenho mesmo que voltar. Combinei jantar com Mariana, falou Ot\u00e1vio, depois de limpar a garganta.<\/p>\n<p>-N\u00f3s \u00e9 que agradecemos a gentil carona, disse Marina.<\/p>\n<p>-E tamb\u00e9m a agrad\u00e1vel companhia, complementou, Cinira, n\u00e3o escondendo um sorriso malicioso.<\/p>\n<p>Voltando ao presente, Ot\u00e1vio questionava-se sobre os desdobramentos daquela hist\u00f3ria. Sentia-se culpado, muito culpado, mas, ao mesmo tempo, n\u00e3o podia negar que queria muito encontrar-se com Cinira novamente.<\/p>\n<p>Os dois n\u00e3o tiveram muito tempo para conversar sobre o ocorrido, pois Marina voltou \u00e0 barraca antes que qualquer papo mais profundo pudesse ser iniciado.<\/p>\n<p>-O que aquilo teria significado para Cinira, perguntava-se.<\/p>\n<p>Mais do que isso, questiona-se qual o significado do affair para ele pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Apenas atra\u00e7\u00e3o f\u00edsica entre ambos? Uma paix\u00e3o para ser vivida na sua totalidade? Um momento de prazer irresist\u00edvel sem maiores consequ\u00eancias?<\/p>\n<p>Por mais atraente que Cinira pudesse ser como mulher, a sua pouca disposi\u00e7\u00e3o para resistir ao ass\u00e9dio da amiga da noiva s\u00f3 confirmou o que ele j\u00e1 sabia: nunca houvera paix\u00e3o entre ele e Mariana.<\/p>\n<p>Mas ent\u00e3o por que estavam noivos? Car\u00eancia? Comodismo? Amizade? Companheirismo? Talvez um pouco de cada coisa.<\/p>\n<p>E admira\u00e7\u00e3o intelectual, algo sempre t\u00e3o importante para ele em um namoro? Aquilo, ele tinha mesmo era por Marina, a irm\u00e3 mais velha da noiva que parecia detest\u00e1-lo, admitiu a contragosto.<\/p>\n<p>Em meio a esses questionamentos amorosos-existenciais, Ot\u00e1vio deu-se conta de algo que agora achava muito estranho: por que Marina, a irm\u00e3 da noiva que ele admirava em todos os sentidos e que sempre o tratara mal, pareceu intencionalmente favorecer o ocorrido?<\/p>\n<p>Seria para que Mariana descobrisse a trai\u00e7\u00e3o e rompesse o noivado? Mas ent\u00e3o por que ainda n\u00e3o falara nada com ela sobre a situa\u00e7\u00e3o? Bem, talvez ainda fizesse isso&#8230;s\u00f3 teria certeza no dia seguinte.<\/p>\n<p>Ot\u00e1vio, Marina e Cinira trocaram olhares interrogativos e enigm\u00e1ticos entre si durante todo o convescote, at\u00e9 que, terminado o evento ao fim da tarde e feitas as despedidas formais entre todos, Ot\u00e1vio conduziu dona L\u00eddia, dona Aurora, Mariana e Marina para as suas respectivas resid\u00eancias, enquanto Cinira foi embora na companhia do noivo, Gildo.<\/p>\n<p>Durante o percurso, rolou uma animada conversa entre Mariana, dona Aurora e dona L\u00eddia, enquanto Ot\u00e1vio e Marina preferiram permanecer em sil\u00eancio quase todo o tempo.<\/p>\n<p>J\u00e1 no dia seguinte, Ot\u00e1vio enviou uma mensagem para Cinira e marcaram um encontro \u00e0 noite.<\/p>\n<p>-Cinira, quero entender o que houve! O que significou para voc\u00ea?<\/p>\n<p>-Ot\u00e1vio, meu querido, foi tudo muito bom, n\u00e3o foi? Mas isso n\u00e3o quer dizer que vou romper o meu noivado, se \u00e9 isso que voc\u00ea quer saber. E acho que voc\u00ea tamb\u00e9m n\u00e3o deveria fazer isso, pelo menos, n\u00e3o por minha causa.<\/p>\n<p>-Ent\u00e3o, para voc\u00ea, foi apenas uma aventura, algo de momento, passageiro?<\/p>\n<p>-Claro, \u00e9 assim que eu vejo a vida. Gosto de ter prazer e aproveitar as oportunidades para isso, mas tamb\u00e9m sou pragm\u00e1tica. O Gildo \u00e9 o meu porto seguro em muitos sentidos e quero que isso permane\u00e7a do jeito que est\u00e1.<\/p>\n<p>-Entendo e respeito o seu ponto de vista. Eu n\u00e3o sou nenhum moralista radical, mas confesso que, para mim, isso \u00e9 mais complicado.<\/p>\n<p>-Meu querido, espere mais uns dias e talvez as respostas que voc\u00ea deseja apare\u00e7am, disse Cinira, parecendo fazer uma previs\u00e3o baseada em algo que s\u00f3 ela sabia.<\/p>\n<p>-Quem sabe? Bem, obrigado por tudo e suerte para voc\u00ea! Continuamos amigos ent\u00e3o?<\/p>\n<p>-Claro que sim! Boa sorte para voc\u00ea tamb\u00e9m!<\/p>\n<p>No dia seguinte, as \u00faltimas palavras de Cinira voltaram \u00e0 mente de Ot\u00e1vio com muita for\u00e7a.<\/p>\n<p>-Ela tinha raz\u00e3o! A primeira resposta que eu precisava j\u00e1 est\u00e1 muito clara, disse ele para si mesmo com in\u00e9dita convic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s convidar a noiva Mariana para jantar, Ot\u00e1vio foi direto ao ponto:<\/p>\n<p>-Mariana, n\u00e3o preciso falar do carinho e do respeito que sempre tive por ti, mas a verdade \u00e9 que n\u00e3o somos as pessoas certas para ficar ao lado um do outro pelo restante das nossas vidas. Ent\u00e3o, melhor assumirmos isso logo, mesmo que agora pare\u00e7a muito amargo.<\/p>\n<p>Mariana pareceu uma flor que, repentinamente, murchou e perdeu o brilho. Entretanto, apesar do desconforto e da decep\u00e7\u00e3o com as palavras de Ot\u00e1vio, ela sabia do que ele estava falando.<\/p>\n<p>A dura verdade \u00e9 que sempre faltaram paix\u00e3o e sintonia fina entre eles, apesar dos seus esfor\u00e7os para suprir essa lacuna do relacionamento.<\/p>\n<p>Passados dois dias, Ot\u00e1vio teve uma das maiores surpresas da sua vida ao receber<\/p>\n<p>um telefonema de Marina, a charmosa e enigm\u00e1tica irm\u00e3 da ex-noiva, convidando-o, em um tom incrivelmente cordial, para um happy hour.<\/p>\n<p>-Meu querido, Ot\u00e1vio, n\u00f3s precisamos conversar!<\/p>\n<p>-Claro, Marina! Sempre \u00e9 um prazer conversar com voc\u00ea!<\/p>\n<p>-Hoje depois do trabalho, ent\u00e3o?<\/p>\n<p>-Marcado, para voc\u00ea sempre estou livre! Busco voc\u00ea em casa ou nos encontramos no local?<\/p>\n<p>-Melhor no local.<\/p>\n<p>-Claro, entendido!<\/p>\n<p>Depois dessa conversa, o tempo parecia n\u00e3o passar para Ot\u00e1vio.<\/p>\n<p>Aflito e ansioso, ele levantava mil hip\u00f3teses para Marina querer conversar com ele, mas nenhuma parecia veross\u00edmil. Talvez ela s\u00f3 queira me passar uma descompostura por ter feito a irm\u00e3 sofrer&#8230; e ainda me jogar na cara a trai\u00e7\u00e3o com Cinira, ruminava.<\/p>\n<p>Chegou no barzinho meia hora antes do hor\u00e1rio marcado para n\u00e3o arriscar se atrasar. Assim que viu Marina entrar, seu cora\u00e7\u00e3o disparou. Agora que n\u00e3o estava mais noivo de Mariana, sentia-se \u00e0 vontade para apreciar integralmente o porte e a magn\u00edfica beleza da ex-cunhada.<\/p>\n<p>Levantando-se imediatamente, cumprimentou Marina com dois beijos no rosto e, a seguir, puxou a cadeira para a mo\u00e7a sentar.<\/p>\n<p>-Sempre cavalheiro! Uma das coisas que sempre admirei em voc\u00ea.<\/p>\n<p>-Obrigado, Marina! Eu, da minha parte, ficaria a noite toda listando as coisas que admiro em voc\u00ea.<\/p>\n<p>-N\u00e3o exagere, meu querido! Talvez depois do que vou lhe falar, esses itens diminuam significativamente.<\/p>\n<p>-Olha Marina, se voc\u00ea deseja me repreender por eu ter terminado o noivado com a sua irm\u00e3, d\u00ea-me pelo menos o direito de defesa.<\/p>\n<p>-N\u00e3o \u00e9 nada disso, meu caro ex-cunhado, falou Marina com um sorriso mais enigm\u00e1tico do que nunca.<\/p>\n<p>-Puxa, que bom! Ent\u00e3o talvez seja para me explicar porque voc\u00ea nunca foi com a minha cara, apesar de eu sempre ter te tratado com todo o carinho do mundo, disse Ot\u00e1vio em um rasgo de coragem.<\/p>\n<p>-Bem, podemos come\u00e7ar por isso, respondeu Marina, imp\u00e1vida.<\/p>\n<p>-Eu sempre me perguntei porque isso da sua parte, ent\u00e3o pode ser bem sincera.<\/p>\n<p>-Serei sim! Demorei para me convencer do que vou te falar, mas sou r\u00e9 confessa: a verdade \u00e9 que eu queria estar no lugar da minha irm\u00e3 e, inconscientemente, culpava voc\u00ea por t\u00ea-la conhecido antes de ter cruzado comigo.<\/p>\n<p>Ot\u00e1vio arregalou os olhos e respirou fundo, achando que estava em um sonho.<\/p>\n<p>-Voc\u00ea est\u00e1 brincando, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n<p>-N\u00e3o, n\u00e3o estou! Diga, sinceramente, o que voc\u00ea acha disso, Ot\u00e1vio?<\/p>\n<p>-Marina, n\u00e3o sei o que dizer&#8230;quer dizer, eu adorei ouvir isso!<\/p>\n<p>-Hum, que bom! Ent\u00e3o come\u00e7amos bem! Agora vamos ver o que achas da segunda parte da minha revela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>-Segunda parte?<\/p>\n<p>-Inicialmente, voc\u00ea acreditou mesmo que eu n\u00e3o saiba o que houve entre voc\u00ea e Cinira?<\/p>\n<p>&#8211; Olha, Marina, longe de mim querer me isentar de culpa, mas&#8230;<\/p>\n<p>-N\u00e3o precisa se justificar, querido! Eu fui a autora intelectual desse evento, desde a sugest\u00e3o para voc\u00ea nos levar no clube no s\u00e1bado.<\/p>\n<p>-O qu\u00ea? Como assim?<\/p>\n<p>-Combinei tudo com Cinira! Ela gostou muito da ideia e topou me ajudar na hora.<\/p>\n<p>-Ent\u00e3o voc\u00eas estavam em conluio o tempo todo, incr\u00edvel! Mas&#8230;mas por que tudo isso?<\/p>\n<p>-Acho que voc\u00ea sabe&#8230;tanto sabe que decidiu terminar com Mariana.<\/p>\n<p>-Hum, voc\u00ea quer dizer que Mariana e eu \u00e9ramos as pessoas erradas um para o outro e voc\u00ea quis antecipar o inevit\u00e1vel?<\/p>\n<p>-At\u00e9 que voc\u00ea n\u00e3o foi lento agora, mas seria muito vagaroso para se convencer do \u00f3bvio em rela\u00e7\u00e3o a minha irm\u00e3, isso por medo de fazer ela sofrer. E, a depender dela, voc\u00eas viveriam no erro a vida inteira.<\/p>\n<p>-Pelos deuses&#8230;entendo! Mas n\u00e3o posso deixar de dizer que voc\u00ea \u00e9 bem maquiav\u00e9lica, mo\u00e7a!<\/p>\n<p>-Sou uma enxadrista que sabe agir com intui\u00e7\u00e3o e paix\u00e3o quando necess\u00e1rio. Voc\u00ea pode me julgar se quiser, mas sempre foi a mim que voc\u00ea amou! Estou errada, Ot\u00e1vio?<\/p>\n<p>Ot\u00e1vio sentiu-se levitar no para\u00edso e, sem pestanejar, respondeu \u00e0 atrevida inquiri\u00e7\u00e3o da ex-cunhada:<\/p>\n<p>-N\u00e3o, n\u00e3o est\u00e1, Marina! Voc\u00ea est\u00e1 corret\u00edssima!<\/p>\n<p>Instintivamente, ambos aproximaram os rostos um do outro e, ent\u00e3o, um longo beijo acabou com todas as d\u00favidas que qualquer um dos dois ainda pudesse ter.<\/p>\n<p>Depois de muitos carinhos e palavras apaixonadas serem trocados pelo novo casal, Ot\u00e1vio questionou Marina:<\/p>\n<p>-Olha, eu entendo que voc\u00ea queria que acontecesse entre n\u00f3s dois somente depois de n\u00e3o haver mais nada entre Mariana e eu, mas voc\u00ea n\u00e3o teve receio de que Cinira e eu pud\u00e9ssemos nos apaixonar?<\/p>\n<p>-Sempre havia esse risco, mas eu conhe\u00e7o bem Cinira e, quanto a voc\u00ea, eu confiei no meu taco, simples assim!<\/p>\n<p>-Sim, agora parece tudo muito simples, pensou Ot\u00e1vio, formulando a seguir uma frase filos\u00f3fica:<\/p>\n<p>-Mo\u00e7a, acho que tivemos mais sorte do que ju\u00edzo, mas brasas podem facilmente virar fogueira se adequadamente sopradas!<\/p>\n<p>Os dois apaixonados, de novo, sorveram o n\u00e9ctar dos deuses ao se beijarem demoradamente, afogando assim todas as culpas daquele enlevo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Fim<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ot\u00e1vio, pensativo, observava a movimenta\u00e7\u00e3o e ouvia o alegre burburinho a sua volta. 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