{"id":361417,"date":"2025-08-18T01:56:03","date_gmt":"2025-08-18T04:56:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=361417"},"modified":"2025-08-18T10:57:43","modified_gmt":"2025-08-18T13:57:43","slug":"substancia-de-vespa-pode-virar-aliada-contra-o-alzheimer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/substancia-de-vespa-pode-virar-aliada-contra-o-alzheimer\/","title":{"rendered":"Subst\u00e2ncia de vespa pode virar aliada contra o Alzheimer"},"content":{"rendered":"<p>A doen\u00e7a de Alzheimer \u00e9 a forma mais comum de dem\u00eancia no mundo e afeta cerca de 55 milh\u00f5es de pessoas, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). No Brasil, estima-se que mais de 1,2 milh\u00e3o de pessoas convivam com a enfermidade, n\u00famero que tende a crescer com o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o. O impacto \u00e9 profundo: al\u00e9m de comprometer a mem\u00f3ria e a autonomia dos pacientes, gera altos custos para fam\u00edlias e para o sistema de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Buscando novas alternativas para conter a progress\u00e3o da doen\u00e7a, um grupo interdisciplinar da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) est\u00e1 desenvolvendo pept\u00eddeos \u2014 pequenas cadeias de amino\u00e1cidos que formam prote\u00ednas e podem ter a\u00e7\u00e3o terap\u00eautica \u2014 com potencial para impedir a forma\u00e7\u00e3o de placas de beta-amiloide, prote\u00edna associada ao Alzheimer.<\/p>\n<p>O projeto, apoiado pelo programa FAPDF Learning 2023, \u00e9 coordenado pela professora Luana Cristina Camargo, do Instituto de Psicologia da UnB. A iniciativa re\u00fane pesquisadores do Instituto de F\u00edsica, da Faculdade de Farm\u00e1cia e do Laborat\u00f3rio de Neurofarmacologia, aliando f\u00edsica, bioinform\u00e1tica, nanotecnologia e farmacologia em um esfor\u00e7o conjunto.<\/p>\n<p>O ponto de partida foi um pept\u00eddeo chamado octovespina, extra\u00eddo da pe\u00e7onha da vespa social Polybia occidentalis, esp\u00e9cie presente na biodiversidade brasileira. Esse composto j\u00e1 havia demonstrado a capacidade de reduzir a agrega\u00e7\u00e3o da beta-amiloide em estudos anteriores.<\/p>\n<p>\u201cNosso objetivo foi aprimorar a octovespina e aumentar sua efic\u00e1cia por vias menos invasivas, explorando todo o potencial da bioinform\u00e1tica para projetar mol\u00e9culas mais eficientes\u201d, explica Luana.<\/p>\n<p><strong>Pr\u00f3ximos passos<\/strong><br \/>\nA equipe desenvolveu um an\u00e1logo da octovespina, alterando um amino\u00e1cido para melhorar a absor\u00e7\u00e3o no organismo. A aplica\u00e7\u00e3o por via intranasal mostrou-se promissora e j\u00e1 resultou no dep\u00f3sito de patente.<\/p>\n<p>Outra cria\u00e7\u00e3o foi a alzpeptidina, uma \u201cquimera\u201d molecular que combina elementos da octovespina e de outro pept\u00eddeo estudado no laborat\u00f3rio, a fraternina. Simula\u00e7\u00f5es computacionais indicam que a alzpeptidina pode atravessar a barreira hematoencef\u00e1lica \u2014 filtro natural que protege o c\u00e9rebro, mas tamb\u00e9m dificulta a chegada de medicamentos \u2014 e desestabilizar as placas de beta-amiloide.<\/p>\n<p>Os pr\u00f3ximos passos incluem testes de efic\u00e1cia in vitro e em modelos animais, avaliando se as mol\u00e9culas realmente impedem a toxicidade da beta-amiloide em c\u00e9lulas e melhoram fun\u00e7\u00f5es cognitivas. Para potencializar os resultados, o grupo tamb\u00e9m aplica nanotecnologia, manipulando materiais em escala nanom\u00e9trica para otimizar a entrega e a\u00e7\u00e3o dos compostos no c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>Apesar dos avan\u00e7os, o projeto enfrenta desafios log\u00edsticos e de infraestrutura. A importa\u00e7\u00e3o de reagentes e insumos pode levar de seis meses a um ano, e interrup\u00e7\u00f5es no fornecimento de energia j\u00e1 atrasaram experimentos sens\u00edveis. \u201cA FAPDF cumpriu integralmente o aporte previsto e mant\u00e9m um canal de comunica\u00e7\u00e3o eficiente, facilitando a gest\u00e3o do projeto e oferecendo orienta\u00e7\u00f5es que nem sempre fazem parte da rotina de um docente\u201d, destaca Luana.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do potencial terap\u00eautico, a pesquisadora ressalta a import\u00e2ncia de valorizar a ci\u00eancia nacional e a biodiversidade: \u201cAssim como outras subst\u00e2ncias brasileiras j\u00e1 deram origem a medicamentos, nosso trabalho mostra que a riqueza natural do pa\u00eds pode inspirar solu\u00e7\u00f5es inovadoras para problemas de sa\u00fade p\u00fablica\u201d.<\/p>\n<p>Se bem-sucedido, o estudo poder\u00e1 avan\u00e7ar para etapas cl\u00ednicas, representando uma nova esperan\u00e7a no tratamento do Alzheimer e refor\u00e7ando o protagonismo brasileiro na busca por terapias de ponta.<\/p>\n<p>A FAPDF tem atuado para viabilizar iniciativas que unem ci\u00eancia de ponta e potencial de impacto social. Para o diretor-presidente da funda\u00e7\u00e3o, Leonardo Reisman, a pesquisa liderada pela UnB \u00e9 um exemplo de como a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do Distrito Federal pode alcan\u00e7ar relev\u00e2ncia global.<\/p>\n<p>\u201cTrata-se de um trabalho que alia conhecimento cient\u00edfico de alt\u00edssimo n\u00edvel e a riqueza da biodiversidade brasileira para enfrentar um dos maiores desafios de sa\u00fade p\u00fablica da atualidade. Nosso papel \u00e9 garantir que ideias como essa tenham as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para avan\u00e7ar e beneficiar a sociedade\u201d, ressalta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A doen\u00e7a de Alzheimer \u00e9 a forma mais comum de dem\u00eancia no mundo e afeta cerca de 55 milh\u00f5es de pessoas, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). 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