{"id":361614,"date":"2025-08-27T05:00:06","date_gmt":"2025-08-27T08:00:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=361614"},"modified":"2025-08-27T10:19:10","modified_gmt":"2025-08-27T13:19:10","slug":"saulo-braga-abre-o-coracao-e-bau-de-historias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/saulo-braga-abre-o-coracao-e-bau-de-historias\/","title":{"rendered":"Saulo Braga abre o cora\u00e7\u00e3o e ba\u00fa de hist\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<p>O poeta Saulo Braga, que j\u00e1 foi comparado a Greg\u00f3rio de Matos por seu amigo e ex-colega de Banco do Brasil, o escritor Eduardo Mart\u00ednez, desfruta a merecida aposentadoria entre versos e cruzeiros. E, apesar de ter sofrido AVC, n\u00e3o abandonou a literatura. Quem agradece somos n\u00f3s, leitores e admiradores desse incr\u00edvel mestre da arte de escrever. N\u00e3o \u00e0 toa, um dos baluartes do <strong>Notibras<\/strong>, o Jos\u00e9 Seabra, o Chefe, \u00e9 f\u00e3 de carteirinha do Braga.<\/p>\n<p><strong>Saulo Braga, quem \u00e9 voc\u00ea al\u00e9m da poesia?<\/strong><\/p>\n<p>Creio que a pergunta &#8220;Quem sou eu al\u00e9m da poesia&#8221; se refere \u00e0s minhas escolhas de vida. Sou apaixonado por viagens em navios de Cruzeiros (j\u00e1 fiz 25), tamb\u00e9m telejornalismo, preocupad\u00edssimo com o aquecimento global e tamb\u00e9m sou ecologista de carteirinha. Na minha casa, se for pass\u00edvel de reciclagem, n\u00e3o vai para o lixo. N\u00e3o uso sacolas pl\u00e1sticas, somente as reutiliz\u00e1veis e at\u00e9 estas quando rasgam eu mesmo as costuro e ainda duram muito. Creio que, se todos tivessem a mesma atitude, a vida na terra estaria melhor.<\/p>\n<p><strong>Como a motocicleta entrou na sua vida?<\/strong><\/p>\n<p>Sou apaixonado por motocicletas desde crian\u00e7a. Aos 15 anos j\u00e1 tinha um casaco e um capacete e colecionava todas as revistas especializadas no assunto e at\u00e9 hoje tenho v\u00e1rias caixas delas. Mas s\u00f3 fui comprar a minha primeira motocicleta aos 24 anos quando sa\u00ed de casa, pois quando morava com os meus pais n\u00e3o era permitido.<\/p>\n<p><strong>Existe alguma lembran\u00e7a marcante de viagem sobre duas rodas que sempre volta \u00e0 sua mem\u00f3ria?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, uma viagem de 6.000 Km em uma Agrale Dakar 30.0\/180cc por 6 estados do Brasil: Rio de Janeiro, Esp\u00edrito Santo, Bahia, Goi\u00e1s, Minas Gerais e S\u00e3o Paulo, num total de 30 dias, incluindo cidades como Guarapari, Vit\u00f3ria, Porto Seguro, Belo Horizonte, Goi\u00e2nia, Caldas Novas, Po\u00e7os de Caldas, L\u00eddice e Angra dos Reis. E a lembran\u00e7a ruim marcante foi a perda da embreagem em Porto Seguro, conserto que levou cinco dias; e a lembran\u00e7a boa marcante foi o reencontro com uma antiga namorada em Goi\u00e2nia.<\/p>\n<p><strong>Qual foi o maior desafio pessoal que voc\u00ea j\u00e1 enfrentou e que acabou influenciando a sua escrita?<\/strong><\/p>\n<p>Na verdade, nenhum desafio pessoal influenciou a minha escrita, uma vez que 99% das minhas poesias s\u00e3o baseadas nos &#8220;affairs&#8221; da minha vida.<\/p>\n<p><strong>Como a sua rotina pessoal se mistura (ou entra em conflito) com a rotina de escritor?<\/strong><\/p>\n<p>Na verdade, n\u00e3o tenho rotina pessoal. J\u00e1 estou aposentado e n\u00e3o tenho nenhum compromisso. Por isso, n\u00e3o h\u00e1 nenhum conflito com a rotina de escritor.<\/p>\n<p><strong>Quando percebeu que a poesia seria sua forma de express\u00e3o art\u00edstica?<\/strong><\/p>\n<p>Bem cedo por volta dos 12 anos de idade.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea tem algum ritual de escrita ou escreve em qualquer lugar, at\u00e9 na beira da estrada?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o, nunca escrevi na beira da estrada. Eu sei que alguns escritores \u00e0s vezes t\u00eam a inspira\u00e7\u00e3o e a\u00ed param tudo para fazer um rascunho, mas n\u00e3o lembro de ter acontecido isso comigo. Quando quero escrever uma poesia, simplesmente me sento e deixo que venha \u00e0 mente a inspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>De onde v\u00eam os seus temas mais recorrentes? Do cotidiano, da estrada, da mem\u00f3ria ou do desejo?<\/strong><\/p>\n<p>99% das minhas poesias t\u00eam como tema recorrente homenagens \u00e0 figura feminina, em especial aos &#8220;affairs&#8221; da minha vida, geralmente em forma de acr\u00f3sticos.<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 houve algum poema que nasceu literalmente durante uma viagem de moto?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, um \u00fanico poema justamente quando reencontrei a antiga namorada em Goi\u00e2nia, citada no item 3. Ali\u00e1s, foi apenas um rascunho que fiz h\u00e1 mais de 30 anos e eu o encontrei h\u00e1 pouco tempo em um caderno antigo e vou edit\u00e1-lo.<\/p>\n<p><strong>Como lida com os momentos de bloqueio?<\/strong><\/p>\n<p>Na verdade, n\u00e3o tenho muitos bloqueios na hora de escrever, mas quando as coisas ficam meio confusas por causa de um derrame, basta dar um tempo e esperar que volte a inspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A liberdade da estrada dialoga de alguma forma com a liberdade po\u00e9tica?<\/strong><\/p>\n<p>Se a pergunta tem a ver com a sensa\u00e7\u00e3o de estar livre enquanto est\u00e1 pilotando e tamb\u00e9m de ser livre para escrever, creio que a resposta \u00e9 sim.<\/p>\n<p><strong>Existe semelhan\u00e7a entre o ato de pilotar e o ato de escrever?<\/strong><\/p>\n<p>O ato de pilotar d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de liberdade, por\u00e9m com muita concentra\u00e7\u00e3o e n\u00e3o se pode relaxar muito. J\u00e1 o ato de escrever requer estar bem relaxado e tranquilo, mas tamb\u00e9m com a liberdade de express\u00e3o. Ent\u00e3o, creio que a resposta para essa pergunta \u00e9 &#8220;mais ou menos&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Se sua motocicleta pudesse falar, o que ela diria sobre a sua poesia?<\/strong><\/p>\n<p>Eu acho que a moto pediria para que eu escrevesse mais poesias sobre ela e a estrada. Mas eu, como poeta, posso afirmar, sem sombra de d\u00favida, que &#8220;s\u00e3o belas as curvas da estrada, por\u00e9m n\u00e3o se comparam \u00e0 beleza das curvas de uma linda mulher&#8221;.<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 escreveu versos inspirados pelo vento, pelo ronco do motor ou pela sensa\u00e7\u00e3o de estar em movimento?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, uma \u00fanica vez, como citei no item 9.<\/p>\n<p><strong>Quais poetas marcaram a sua trajet\u00f3ria?<\/strong><\/p>\n<p>Nenhum. O Eduardo Mart\u00ednez me comparou a Greg\u00f3rio de Matos, que eu n\u00e3o conhecia e, por isso, estou lendo a sua obra agora. Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, nunca fui muito de ler fic\u00e7\u00e3o, incluindo a\u00ed poesias. Toda a leitura da minha vida se baseou em fatos. Como, por exemplo, a minha paix\u00e3o pela segunda guerra mundial, que j\u00e1 resultou no consumo de pilhas de livros e revistas.<\/p>\n<p><strong>Fora da literatura, quem ou o que mais inspira a sua escrita?<\/strong><\/p>\n<p>A figura feminina, mormente os &#8220;affairs&#8221; da minha vida.<\/p>\n<p><strong>O rock, a estrada, os bares de beira de rodovia\u2026 tudo isso j\u00e1 virou poesia?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. Nunca. Muitos poetizam os bares de estrada onde supostamente param os motociclistas, como mostrado em muitos filmes. Mas, 99% das minhas viagens, eu as fiz sozinho. E nunca parei em bares. Viajando s\u00f3 ou acompanhado, parava, sim, mas em restaurantes para alimentar e logo continuar a viagem. N\u00e3o frequento bares. H\u00e1 alguns anos, quando ainda era poss\u00edvel rodar com seguran\u00e7a \u00e0 noite de motocicleta no Rio de Janeiro, eu frequentava as sedes dos moto-clubes, onde sempre havia um bar. Mas, na estrada, nada de parar em bares, at\u00e9 porque nunca usei bebida alco\u00f3lica em viagem nenhuma. Nunca fiz nenhuma poesia baseada em nenhum estilo musical, nem no rock.<\/p>\n<p><strong>Acha que a poesia tem um papel social ou \u00e9 antes de tudo uma experi\u00eancia \u00edntima?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que as duas coisas.<\/p>\n<p><strong>Que conselho voc\u00ea daria a algu\u00e9m que deseja escrever poesia, mas acha que n\u00e3o tem talento?<\/strong><\/p>\n<p>Primeiro \u00e9 preciso saber por que essa pessoa acha que n\u00e3o tem talento. Ser\u00e1 que ela escreveu uma poesia, e algu\u00e9m falou que ela n\u00e3o tinha talento? Se for isso \u00e9 melhor seguir o exemplo dos Beatles quando procuraram uma gravadora: houve rejei\u00e7\u00e3o por parte da Decca Records, que lhes disse que eles &#8220;n\u00e3o tinham futuro no show business&#8221;. Mas todo mundo sabe que eles acabaram ficando famosos. Ent\u00e3o, a dica \u00e9: nunca desista e n\u00e3o se importe com a opini\u00e3o alheia.<\/p>\n<p><strong>Onde se v\u00ea nos pr\u00f3ximos anos: mais sobre duas rodas, mais entre livros, ou sempre no equil\u00edbrio entre os dois mundos?<\/strong><\/p>\n<p>Nem todos os meus amigos e leitores sabem que eu tive um derrame que deixou sequelas motoras e cognitivas. As sequelas motoras me impossibilitaram de pilotar e dirigir. Por\u00e9m, continuo frequentando o mundo das duas rodas da mesma forma que fazia antigamente, por\u00e9m agora tendo como transporte o \u00f4nibus, o t\u00e1xi ou o carro por aplicativo. As sequelas cognitivas afetaram boa parte da mem\u00f3ria e tamb\u00e9m a capacidade de raciocinar. Mas, com tranquilidade e paci\u00eancia, &#8220;as rimas v\u00e3o saindo&#8221;. Ent\u00e3o, sim, sempre no equil\u00edbrio entre os dois mundos.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o \u00e9 muito comum algu\u00e9m se tornar personagem de um livro de fic\u00e7\u00e3o, mas aconteceu com voc\u00ea no romance &#8216;Despido de ilus\u00f5es&#8217;, do Eduardo Mart\u00ednez. Como voc\u00ea reagiu a isso?<\/strong><\/p>\n<p>Adorei.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O poeta Saulo Braga, que j\u00e1 foi comparado a Greg\u00f3rio de Matos por seu amigo e ex-colega de Banco do Brasil, o escritor Eduardo Mart\u00ednez, desfruta a merecida aposentadoria entre versos e cruzeiros. E, apesar de ter sofrido AVC, n\u00e3o abandonou a literatura. 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