{"id":361727,"date":"2025-08-23T01:41:26","date_gmt":"2025-08-23T04:41:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=361727"},"modified":"2025-08-21T13:48:05","modified_gmt":"2025-08-21T16:48:05","slug":"deu-burro-na-cabeca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/deu-burro-na-cabeca\/","title":{"rendered":"Deu burro na cabe\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Meu amigo era o dono da farm\u00e1cia, naquela \u00e9poca, apesar de o curso universit\u00e1rio da profiss\u00e3o j\u00e1 existir no Brasil desde o tempo do Imp\u00e9rio (1832); a Lei 13.021, que obriga a presen\u00e7a de uma pessoa com forma\u00e7\u00e3o durante todo o tempo de funcionamento desses estabelecimentos, foi criada apenas em 2014, desse modo, at\u00e9 a promulga\u00e7\u00e3o da Lei, as boticas funcionavam sem a presen\u00e7a de um profissional da \u00e1rea. Assim, a cultura popular designava, quem trabalhava em uma, de farmac\u00eautico, e essas pessoas, de fato, sabiam muitas coisas aprendidas no dia a dia pelo tempo de exerc\u00edcio informal do of\u00edcio. Ent\u00e3o, o japon\u00eas era o farmac\u00eautico.<\/p>\n<p>Eu, naquela \u00e9poca, in\u00edcio dos anos 1980, era representante comercial de um certo laborat\u00f3rio e foi assim que conheci M\u00e1rio Sakamoto, farmac\u00eautico, e nos tornamos grandes parceiros. H\u00e1 muito n\u00e3o o vejo, espero que esteja bem. Hoje j\u00e1 deve estar aposentado, como eu, tendo passado o controle do neg\u00f3cio para os filhos, \u00e0 \u00e9poca em que o fato se passou, eram dois adolescentes, um rapaz e uma mo\u00e7a de seus 15 e 16 anos e j\u00e1 \u201cestagiavam\u201d nos balc\u00f5es da loja, no in\u00edcio da tarde, ap\u00f3s as aulas ou \u00e0 noitinha.<\/p>\n<p>O trabalho que eu exercia nunca foi para deixar ningu\u00e9m rico, mas dava para me sustentar, do alto dos meus 31 anos, rec\u00e9m-separado, morando sozinho sem muito luxo, dava para pagar o aluguel, \u00e1gua, luz e telefone; me alimentar, me vestir razoavelmente, n\u00e3o posso me esquecer da pens\u00e3o aliment\u00edcia para meu filho, ainda bem pequeno; e ainda me sobrava algum dinheiro para exercer minha liberdade nos botecos e baladas das noites paulistanas.<\/p>\n<p>Me sentia um p\u00e1ssaro livre. \u00c0s vezes, mesmo em dias de semana, voltava para casa alta madrugada, de prefer\u00eancia, com uma companhia feminina, na certeza de que no dia seguinte n\u00e3o precisaria despertar com o galo morador de uma casa pr\u00f3xima a meu pr\u00e9dio, pois o tipo de atividade que tinha era tudo que queria na vida, n\u00e3o me obrigava a hor\u00e1rios, a n\u00e3o ser em dias de reuni\u00e3o no escrit\u00f3rio da empresa, ou alguma visita agendada com um cliente, mas, normalmente, podia me levantar mais tarde. Ali\u00e1s, o galo, muitas vezes, me recepcionava com seu tradicional \u201cco-co-ri-c\u00f3\u201d quando chegava em casa das noites de agito.<\/p>\n<p>A vida de um representante era uma montanha russa, \u00e0s vezes a correria di\u00e1ria o consome e se n\u00e3o seguir de forma rigorosa seu roteiro, n\u00e3o raro, al\u00e9m das oito horas di\u00e1rias, \u00e9 obrigado a ir noite adentro para cumprir a agenda. Mas, por outro lado, h\u00e1 os momentos de calmaria; e, nesses momentos, costumava passar na<\/p>\n<p>farm\u00e1cia do M\u00e1rio, para almo\u00e7armos ou tomarmos um caf\u00e9 em um lugar bem agrad\u00e1vel que havia nas proximidades, dependendo do hor\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u01eauando coincidia de estarmos ambos livres em uma sexta-feira, final de tarde, uma cervejinha no bar das redondezas tamb\u00e9m era um excelente programa. Claro, o principal era a presen\u00e7a do amigo. Muito boa-pra\u00e7a!<\/p>\n<p>Mas a\u00ed \u00e9 que a hist\u00f3ria come\u00e7a. Bem ao lado da farm\u00e1cia, havia uma pequena loja, meio entulhada, cuja pretensa atividade era venda de vasos de plantas. Mas o Z\u00e9, dono do empreendimento, s\u00f3 vendia um dos exemplares em \u00faltimo caso, fazia de tudo para n\u00e3o descompor sua vitrine e, se come\u00e7asse a vender os vasos, teria de fazer o que menos queria, ir atr\u00e1s de um fornecedor para repor os objetos.<\/p>\n<p>A\u00ed, voc\u00ea, certamente, est\u00e1 se perguntando: mas por qu\u00ea? Ora, os vasos, na verdade, eram um disfarce. O neg\u00f3cio real, muito mais lucrativo, ficava rebu\u00e7ado por tr\u00e1s de um biombo nos fundos da min\u00fascula sala comercial. O Z\u00e9, na real, era bicheiro.<\/p>\n<p>Eu e o M\u00e1rio, com certeza, sempre fomos cidad\u00e3os conscientes e respeitadores das leis. Apesar disso, ador\u00e1vamos fazer uma \u201cfezinha\u201d. E aquele lugarzinho \u201cinsuspeito\u201d, logo ali ao lado, era um convite \u00e0 contraven\u00e7\u00e3o. De maneira que, quando ia visit\u00e1-lo, n\u00e3o deix\u00e1vamos de dar uma passadinha na espelunca do Z\u00e9.<\/p>\n<p>M\u00e1rio gostava de jogar um dinheirinho, centena e milhar, do primeiro ao quinto, n\u00famero invertido, grupo, em qualquer bicho com que cismasse no dia. Vez ou outra ganhava uma mixaria. Dava para pagar um caf\u00e9 com p\u00e3o de queijo para dois, como faz\u00edamos muitas vezes. Ou uma cerveja a mais, se fosse no final de tarde da sexta-feira. Uma ou outra vez, conseguia livrar o almo\u00e7o em minha companhia ou de outro amigo do peda\u00e7o. Mas n\u00e3o passava disso. E essa, para ele, era a gra\u00e7a, apenas testar a sorte. J\u00e1 eu, n\u00e3o, pensava \u201cgrande\u201d, gostava, como ainda gosto, de jogar milhar na cabe\u00e7a, para, se a sorte sorrisse, ganhar uma import\u00e2ncia para lavar a \u00e9gua.<\/p>\n<p>Evidentemente, o que se pode obter com o \u201cludo zool\u00f3gico\u201d n\u00e3o \u00e9 dinheiro para enricar ningu\u00e9m, dependendo do tamanho da aposta, muitas vezes, o bicheiro nem a aceita, pois a consequ\u00eancia de ter que pagar um pr\u00eamio muito grande pode ser a quebra da banca. O jogo tem tradi\u00e7\u00e3o e credibilidade, dizem que nunca deixou de pagar um contemplado desde que foi criado em 1892, no Rio de Janeiro, por Jo\u00e3o Batista Viana Drummond, uma esp\u00e9cie de rifa com os 25 bichos do jogo, para arrecadar fundos e recuperar o zool\u00f3gico na Vila Isabel, do qual era propriet\u00e1rio.<\/p>\n<p>Existe tamb\u00e9m, entre os banqueiros do bicho, um tipo de \u201cseguro\u201d, quando aceitam uma aposta, cujo pr\u00eamio possa vir a ser muito alto, redistribuem o valor entre outras bancas, assim, se jogador acertar, cada uma paga um pouco e n\u00e3o pesa para ningu\u00e9m. Como poder\u00e3o ver, isso aconteceu no meu caso.<\/p>\n<p>Como afirmei, gostava de jogar de forma que, se ganhasse, o pr\u00eamio seria \u201ccompensador\u201d. Meu h\u00e1bito era insistir sempre em um milhar que me perseguia desde o Colegial, como era chamado o Ensino M\u00e9dio naquele tempo. Era o n\u00famero da minha matr\u00edcula na Escola T\u00e9cnica Federal, onde estudei.<\/p>\n<p>Depois disso, esse n\u00famero costumava, e at\u00e9 hoje \u00e9 assim, me aparecer no protocolo ao renovar um documento oficial, escrito em algum muro no meu caminho, uma placa de carro que de repente eu preste aten\u00e7\u00e3o. Se algu\u00e9m me passa um recado anotado em um papel qualquer, no verso l\u00e1 est\u00e1 o milhar, inteirinha e na ordem. Em determinado momento, a adotei como meu \u201cn\u00famero da sorte\u201d. Por isso passei a, sempre que tenho oportunidade, jogar esse milhar pura, na cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Invariavelmente, quando ia a farm\u00e1cia do meu amigo, jog\u00e1vamos, ele a seu modo, e eu a meu, sempre a tal milhar no primeiro pr\u00eamio. Claro que comigo n\u00e3o acontecia da mesma forma que com ele. Ou seja, eu nunca ganhava, mas continuava insistindo na f\u00f3rmula, recusando seu conselho:<\/p>\n<p>-Voc\u00ea precisa jogar como eu jogo, se quiser ganhar alguma vez! \u2013 dizia. E eu respondia sempre:<\/p>\n<p>-Para ganhar merreca, prefiro n\u00e3o ganhar.<\/p>\n<p>Era um daqueles dias de calmaria no meu trabalho, pelo menos na parte da manh\u00e3, combinei com M\u00e1rio de passar l\u00e1 para irmos almo\u00e7ar e, claro, fazermos uma aposta na Para Todos (PT), a extra\u00e7\u00e3o do in\u00edcio da tarde. \u01eauando voltamos do almo\u00e7o, o resultado j\u00e1 estava no poste. Incr\u00edvel! Minha milhar deu inteirinha e na ordem, s\u00f3 que no 2\u00ba pr\u00eamio. Os n\u00fameros apostados por M\u00e1rio, nem de perto.<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o: ele n\u00e3o ganhou nada, e eu tamb\u00e9m n\u00e3o. M\u00e1rio n\u00e3o se conformava e dizia:<\/p>\n<p>-Como voc\u00ea \u00e9 burro! Se tivesse feito como sempre falo, teria ganhado um dinheirinho.<\/p>\n<p>Por coincid\u00eancia, o \u201cburro\u201d \u00e9 o bicho da meu milhar de sorte. E respondi:<\/p>\n<p>-\u00c9 por isso que n\u00e3o aceito seu conselho. Ganhar um \u201cdinheirinho\u201d n\u00e3o me interessa.<\/p>\n<p>Era uma quarta-feira. \u00c0s quartas-feiras e s\u00e1bados n\u00e3o tem a PTN (sigla para a extra\u00e7\u00e3o Para Todos Noturna), pois valem as extra\u00e7\u00f5es da Loteria Federal, a oficial, embora o bicho continue sendo clandestino.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o falei:<\/p>\n<p>-Parece que hoje \u00e9 meu dia de sorte! Vou repetir o jogo na Federal.<\/p>\n<p>Ao que o farmac\u00eautico retrucou:<\/p>\n<p>-O qu\u00ea? Eu n\u00e3o acredito! Voc\u00ea viu o que aconteceu hoje e mesmo assim vai insistir no erro. Se fizesse como falo, teria ganhado.<\/p>\n<p>-J\u00e1 te disse, ganhar merreca, n\u00e3o me interessa. Hoje \u00e9 meu dia. Voc\u00ea vai ver.<\/p>\n<p>Claro que eu n\u00e3o estava falando s\u00e9rio. Dizer que iria ganhar era um blefe e uma provoca\u00e7\u00e3o. Mas que eu ia repetir o jogo, isso eu ia.<\/p>\n<p>Vendo como n\u00e3o havia jeito de me demover da ideia, falou:<\/p>\n<p>-T\u00e1 bom, t\u00e1 bom! Fa\u00e7a como quiser. Mas vou te propor uma coisa: eu dobro sua aposta, jogo o mesmo n\u00famero, o mesmo valor que voc\u00ea jogar, mas centena e milhar, do primeiro ao quinto, na ordem, invertido e no grupo. E se ganharmos, dividimos o pr\u00eamio. Fechado?<\/p>\n<p>-Fechado!<\/p>\n<p>E assim fizemos. J\u00e1 eram 4h da tarde e minha agenda de clientes do dia finalmente iria come\u00e7ar. Hoje seria um daqueles dias de montanha russa, desde a manh\u00e3 n\u00e3o havia trabalhado, mas, certamente, agora que come\u00e7ava, iria at\u00e9 tarde da noite.<\/p>\n<p>Me despedi do amigo e fui cuidar da vida que os boletos s\u00e3o implac\u00e1veis, vencem e n\u00e3o querem nem saber se voc\u00ea tem ou n\u00e3o dinheiro para pag\u00e1-los.<\/p>\n<p>Se nas horas de folga sou essa pessoa descontra\u00edda e brincalhona, que todos os amigos conhecem, quando estou trabalhando, principalmente em contato com um cliente, me deixo absorver, esque\u00e7o at\u00e9 de me alimentar e, com o perd\u00e3o pela express\u00e3o, at\u00e9 de ir ao banheiro. Foi o que aconteceu. Nem me lembrava dos acontecimentos da hora do almo\u00e7o. \u01eauando cheguei em casa, quase onze da noite, exausto, ao verificar a secret\u00e1ria eletr\u00f4nica, havia uns 10 recados do farmac\u00eautico:<\/p>\n<p>-Voc\u00ea conferiu a extra\u00e7\u00e3o da Federal? Viu a extra\u00e7\u00e3o da Federal? Seu milhar deu na cabe\u00e7a! Ganhamos uma bolada!<\/p>\n<p>Muito mais conhecedor do assunto, me explicou:<\/p>\n<p>-Demora alguns dias para pagarem o pr\u00eamio, pois o valor \u00e9 muito alto para a banca dele. O Z\u00e9 teve que repassar para outras bancas e agora, para pegar o dinheiro do pr\u00eamio, dividido proporcionalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s cotas repassadas, ele ter\u00e1 de ir buscar com cada um, pois, por motivos \u00f3bvios, o dinheiro n\u00e3o poder\u00e1 ser depositado em conta banc\u00e1ria. Mas, n\u00e3o se preocupe, ele ir\u00e1 nos pagar em no m\u00e1ximo uma semana. N\u00e3o estava preocupado. Sei que n\u00e3o h\u00e1 registro, em toda a hist\u00f3ria do jogo do bicho, em todos os lugares do Brasil onde haja jogo do bicho, de um \u00fanico banqueiro n\u00e3o ter honrado os pr\u00eamios de seus apostadores, quaisquer que sejam os montantes. Como diz o bord\u00e3o da \u201czooteca\u201d: \u201cvale o escrito!\u201d<\/p>\n<p>Dito e feito. Alguns dias depois M\u00e1rio me ligou dizendo:<\/p>\n<p>-Passe aqui assim que puder. A grana j\u00e1 est\u00e1 comigo!<\/p>\n<p>No dia seguinte, entre uma visita e outra, passei na farm\u00e1cia, no meio da tarde e fomos tomar aquele caf\u00e9. Ele me entregou um envelope abarrotado de notas de tudo o que \u00e9 valor, que, naturalmente n\u00e3o conferi, n\u00e3o s\u00f3 por confiar cegamente no amigo, como por n\u00e3o ter como faz\u00ea-lo em um local p\u00fablico. Em vez disso, rapidamente abri minha mala de representante, conhecida como \u201ccora\u00e7\u00e3o de m\u00e3e\u201d e meti o pacote bem no fundo. O dinheiro que ganhamos n\u00e3o era, nem de longe, uma fortuna, mas era um bom dinheiro. A minha parte, ou seja, a metade do pr\u00eamio, correspondia a mais do dobro dos meus ganhos m\u00e9dios, entre fixo e comiss\u00f5es, mensais, com minha atividade profissional.<\/p>\n<p>Para comprovar que de fato estava em uma mar\u00e9 de sorte, na semana seguinte iria tirar quinze dias de f\u00e9rias em Ubatuba, com minha atual namorada e um grupo de casais de amigos, j\u00e1 hav\u00edamos nos cotizado e alugado uma bela e espa\u00e7osa casa na praia de Domingas Dias.<\/p>\n<p>\u01eauem \u00e9 aut\u00f4nomo, como eu, n\u00e3o tem direito a f\u00e9rias remuneradas, ent\u00e3o, para gozar o merecido descanso, s\u00e3o necess\u00e1rios um bom planejamento e uma economia mensal de uma certa quantia, para fazer frente \u00e0s despesas n\u00e3o ordin\u00e1rias do per\u00edodo vacante, al\u00e9m dos compromissos mensais normais que n\u00e3o cessam. Assim, a parte que me coube no pr\u00eamio veio a calhar e n\u00e3o tive o menor resqu\u00edcio de d\u00f3 em \u201cinvestir\u201d at\u00e9 o \u00faltimo centavo em meu lazer e bem-estar e, por que n\u00e3o, partilhar um pouco com os companheiros de viagem. Muita cerveja, caipirinha, maminha, picanha e costela para os churrascos, camar\u00e3o e outros acepipes, mais cerveja, mais caipirinha&#8230;<\/p>\n<p>Bem descansado e feliz com as f\u00e9rias maravilhosas que tive e, ainda, por mais um lance de sorte, Ubatuba, contrariando sua fama, nos proporcionou duas semanas de c\u00e9u aberto, calor e uma brisa agrad\u00e1vel, nem uma gota de chuva. \u01eauando cheguei de volta a casa, sem nenhum remorso por ter gastado todo o dinheiro que o bicho me deu, pois como dizia minha av\u00f3: \u201cdinheiro que vem f\u00e1cil, vai f\u00e1cil\u201d, antes mesmo de come\u00e7ar a desfazer as malas, parei um instante e pensei comigo:<\/p>\n<p>-Mas que japon\u00eas burro, hein? Se tivesse jogado o milhar na cabe\u00e7a, ter\u00edamos ganhado o dobro!<\/p>\n<p>Nota do autor: A leitora e o leitor atentos certamente perceberam que durante todo o texto, em nenhum momento, revelei qual \u00e9 o tal \u201cmilhar da sorte\u201d que me acompanha at\u00e9 hoje, mas durante os quarenta e poucos anos passados desde aquele dia nos long\u00ednquos anos 80, nunca mais ganhei nada.<\/p>\n<p>Todavia, n\u00e3o perdi a f\u00e9. Ainda, vez por outra, quando tenho oportunidade, fa\u00e7o meu joguinho. Al\u00e9m disso, sempre compro, nas casas lot\u00e9ricas da vida, o bilhete do burro. Como \u00e9 dif\u00edcil encontrar o milhar, me contento com a centena e at\u00e9 mesmo a dezena, ou tamb\u00e9m com uma das outras dezenas do grupo.<\/p>\n<p>Para jogar na Mega Sena, costumo desmembrar o milhar em dezenas, por enquanto, tamb\u00e9m, nada de ganhar. Vou continuar insistindo.<\/p>\n<p>Voltando ao fato de n\u00e3o ter informado o milhar da sorte, foi proposital. E, n\u00e3o me levem a mal, tamb\u00e9m n\u00e3o vou dizer agora. N\u00e3o quero influenciar ningu\u00e9m. Embora, desde o t\u00edtulo, todos ficaram sabendo que \u00e9 do grupo do burro. Mas aten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o recomendo o burro pois est\u00e1 atrasado, como se fala no jarg\u00e3o, aparece poucas vezes. Em vez disso, prefiram elefante, \u00e1guia, cachorro ou cavalo, os bichos mais \u201cviciados\u201d, outra express\u00e3o da comunidade bicheira, ou seja, os que aparecem no topo da lista com maior frequ\u00eancia.<\/p>\n<p>E boa sorte a todas e todos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meu amigo era o dono da farm\u00e1cia, naquela \u00e9poca, apesar de o curso universit\u00e1rio da profiss\u00e3o j\u00e1 existir no Brasil desde o tempo do Imp\u00e9rio (1832); a Lei 13.021, que obriga a presen\u00e7a de uma pessoa com forma\u00e7\u00e3o durante todo o tempo de funcionamento desses estabelecimentos, foi criada apenas em 2014, desse modo, at\u00e9 a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":361728,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[234],"tags":[],"class_list":["post-361727","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cafe-literario"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/361727","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=361727"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/361727\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":361730,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/361727\/revisions\/361730"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/361728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=361727"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=361727"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=361727"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}