{"id":361874,"date":"2025-08-24T05:00:32","date_gmt":"2025-08-24T08:00:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=361874"},"modified":"2025-08-22T20:49:14","modified_gmt":"2025-08-22T23:49:14","slug":"murilo-rubiao-o-maioral-do-realismo-fantastico-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/murilo-rubiao-o-maioral-do-realismo-fantastico-brasileiro\/","title":{"rendered":"Murilo Rubi\u00e3o, o maioral do realismo fant\u00e1stico brasileiro"},"content":{"rendered":"<p>O retratado de hoje em O Lado B da Literatura \u00e9, sem qualquer resqu\u00edcio de sombra de d\u00favida, o mais not\u00e1vel escritor brasileiro do g\u00eanero realismo fant\u00e1stico. Trata-se do mineiro de Carmo de Minas Murilo Eug\u00eanio Rubi\u00e3o ou, simplesmente, Murilo Rubi\u00e3o, nascido no dia 1\u00ba de junho de 1916 e falecido no dia 16 de setembro de 1991, quando, mais jovem do que sou hoje, nos deixou aos 75 anos.<\/p>\n<p>Rubi\u00e3o, al\u00e9m de mestre da arte de fazer literatura, tamb\u00e9m era jornalista, tendo sido redator da Folha de Minas e diretor da R\u00e1dio Inconfid\u00eancia. Ele sem considerou uma atividade sedutora, o que n\u00e3o \u00e9 novidade para os que se embrenham por tal caminho. Que os digam gigantes da reda\u00e7\u00e3o de<strong> Notibras<\/strong>: Jos\u00e9 Seabra, Armando Cardoso, Marta Nobre, Wenceslau Ara\u00fajo, Mathuzal\u00e9m J\u00fanior&#8230;<\/p>\n<p>Autor do conto &#8216; O ex-m\u00e1gico&#8217;, lan\u00e7ado em 1947 e, \u00e0 \u00e9poca, sem muito sucesso, Murilo Rubi\u00e3o influenciou diversos escritores nacionais, entre os quais podemos facilmente destacar Jos\u00e9 J. Veiga e Moacyr Scliar.<\/p>\n<p>Mas eis que, enquanto escrevo em voz alta, a minha not\u00e1vel colega de reda\u00e7\u00e3o, a Cec\u00edlia Baumann, faz uma inusitada contribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Cond\u00e9, acho que o Cadu Matos tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 verdade, Ceci.<\/p>\n<p>Como curiosidades sobre o nosso escritor, ele estudou nas cidades de Concei\u00e7\u00e3o do Rio Verde e Passa Quatro, tendo concluindo-os no Grupo Escolar Afonso Pena e no Col\u00e9gio Arnaldo, em Belo Horizonte, onde residiu por d\u00e9cadas. Bacharelou-se em Direito em 1942 pela ent\u00e3o Universidade de Minas Gerais, atualmente Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).<\/p>\n<p>Apesar da quase nenhuma repercuss\u00e3o de &#8216;O ex-m\u00e1gico&#8217;, Murilo Rubi\u00e3o teve duas imagens pintadas pela prima Aur\u00e9lia, tamb\u00e9m Rubi\u00e3o, em 1947. A partir de ent\u00e3o, ingressou no meio pol\u00edtico, sempre como assessor. E, em 1951, foi chefe de gabinete do ent\u00e3o governador Juscelino Kubistchek, futuro presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Murilo Rubi\u00e3o tamb\u00e9m foi adido cultural do Brasil na Espanha entre 1956 e 1961. J\u00e1 em 1966, organizou o Suplemento Liter\u00e1rio do Di\u00e1rio Oficial Minas Gerais, que logo se destacou como um dos melhores \u00f3rg\u00e3os de imprensa cultural do Brasil.<\/p>\n<p>Envolvido com a pol\u00edtica, Rubi\u00e3o atingiu fama repentina somente em 1974 com a publica\u00e7\u00e3o de &#8216;O pirot\u00e9cnico Zacarias&#8217;, um dos seus mais lidos contos. E, nos anos seguintes, a sua obra passou a ser reverenciada.<\/p>\n<p>Melhor do que falar sobre Rubi\u00e3o \u00e9 deix\u00e1-lo contar sua hist\u00f3ria. Por isso, aqui est\u00e3o algumas de suas observa\u00e7\u00f5es sobre a pr\u00f3pria vida:<\/p>\n<p>&#8220;No livro de registro de nascimento da matriz de Silvestre Ferraz, hoje Carmo de Minas, encontro, ao lado meu, os nomes de meus pais: Eug\u00eanio Alvares Rubi\u00e3o e Maria Antonieta Ferreira Rubi\u00e3o. 1916. Meu pai, homem de boa cultura human\u00edstica, era fil\u00f3logo e pertenceu \u00e0 Academia Mineira de Letras. Escrevia com rara eleg\u00e2ncia, apesar de gram\u00e1tico. Dele herdei a timidez e um certo ar cerimonioso, que me tem privado da simpatia de numerosas pessoas. Algumas delas mulheres, o que \u00e9 lament\u00e1vel.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Em Belo Horizonte residi vinte e cinco anos. Alguns alegres, outros tristes. L\u00e1 pretendo morrer. No cemit\u00e9rio do Bonfim, se n\u00e3o for inc\u00f4modo para os que me sobreviverem. Cursei grupo escolar, gin\u00e1sio, Faculdade de Direito, e posso afirmar, sem sombra de orgulho, que jamais fui primeiro aluno em qualquer disciplina. Como escritor, alcancei algum \u00eaxito na burocracia das letras. Tr\u00eas vezes presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Escritores (Sec\u00e7\u00e3o de Minas Gerais) e vice-presidente do I Congresso Brasileiro de Escritores.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Sete anos levei para escrever e publicar o meu primeiro livro &#8220;O Ex-M\u00e1gico&#8221;. Nem por isso ele saiu melhor.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Comecei a ganhar a vida cedo. Trabalhei em uma baleira, vendi livros cient\u00edficos, fui professor, jornalista, diretor de jornal e de uma esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio. Hoje sou funcion\u00e1rio p\u00fablico.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Celibat\u00e1rio e sem cren\u00e7a religiosa. Duas graves lacunas do meu car\u00e1ter. Alimento, contudo, s\u00f3lida esperan\u00e7a de me converter ao catolicismo antes que a morte chegue.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Muito poderia contar das minhas prefer\u00eancias, da minha solid\u00e3o, do meu sincero apre\u00e7o pela esp\u00e9cie humana, da minha persist\u00eancia em usar pouco cabelo e bigodes excessivos. Mas, o meu maior t\u00e9dio \u00e9 ainda falar sobre a minha pr\u00f3pria pessoa.&#8221;<\/p>\n<p>\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026..<\/p>\n<p><strong>Cassiano Cond\u00e9, 82, ga\u00facho, deixou de teclar reportagens nas reda\u00e7\u00f5es por onde passou. Agora finca os p\u00e9s nas areias da Praia do Cassino, em Rio Grande, onde extrai p\u00e9rolas que se transformam em cr\u00f4nicas.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O retratado de hoje em O Lado B da Literatura \u00e9, sem qualquer resqu\u00edcio de sombra de d\u00favida, o mais not\u00e1vel escritor brasileiro do g\u00eanero realismo fant\u00e1stico. 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