{"id":361879,"date":"2025-08-24T03:00:39","date_gmt":"2025-08-24T06:00:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=361879"},"modified":"2025-08-22T22:42:55","modified_gmt":"2025-08-23T01:42:55","slug":"precisamos-de-poesia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/precisamos-de-poesia\/","title":{"rendered":"Precisamos de poesia"},"content":{"rendered":"<p>Gra\u00e7as ao incentivo de uma amiga, comecei recentemente a ler e escrever poesia. Aos poucos fui explorando uns versinhos aqui, uns sonetos acol\u00e1, at\u00e9 que virou um h\u00e1bito e n\u00e3o durmo mais sem antes me deleitar com a sofistica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica da poesia parnasiana, o sentimentalismo do romantismo, a crueza do realismo, o misticismo da poesia simbolista ou a ousadia do modernismo.<\/p>\n<p>Com a pr\u00e1tica, percebi que n\u00e3o basta a leitura, \u00e9 necess\u00e1rio um esfor\u00e7o al\u00e9m para aproveitar tudo o que um texto po\u00e9tico tem para nos oferecer. Assim como malhamos o corpo em busca de um shape ideal, ou mudamos nossa alimenta\u00e7\u00e3o para melhorar nossas taxas sangu\u00edneas, acredito que ler e escrever poesia tem o poder de alterar fisicamente nosso corpo.<\/p>\n<p>Para ler um poema, devemos olhar para o nosso interior, buscar como cada palavra, cada verso se conecta \u00e0s nossas mem\u00f3rias, aos nossos sentimentos. Para escrever, \u00e9 necess\u00e1rio fazer tamb\u00e9m o contr\u00e1rio e olhar para o exterior, observar os processos que regem a natureza, as rela\u00e7\u00f5es, o mundo e, a partir dessa an\u00e1lise, elaborar met\u00e1foras. Uma vez desenvolvidas essas habilidades de observa\u00e7\u00e3o, passamos a perceber o que antes nos escapava, como nessa hist\u00f3ria que compartilharei a seguir.<\/p>\n<p>Outro dia estava na rua, em meio a uma estressante maratona de compromissos pessoais e comerciais, e deparei-me com um desses carros abandonados, que \u00e0s vezes vemos por a\u00ed. O cen\u00e1rio \u00e9 comum: carro velho, estacionado h\u00e1 anos no mesmo lugar, pneus baixos, retrovisores quebrados, tinta descascada pelo sol do Cerrado, dejetos de aves por toda a carroceria, enfim, todos os elementos para formar uma cena horrenda, n\u00e3o fosse o fato de o surrado carro estar parado embaixo de um ip\u00ea-amarelo no in\u00edcio do processo de desfloramento, gerando um espet\u00e1culo visual entre o contraste do cinza envelhecido da tintura e a cobertura amarela das centenas de flores que cobriam o carro.<\/p>\n<p>Logo meus olhos de pretenso poeta me levaram a divagar sobre o panorama \u00e0 minha frente: imaginei explica\u00e7\u00f5es surrealistas em que o ip\u00ea, motivado pela amizade de anos de conviv\u00eancia silenciosa, teve compaix\u00e3o pelo amigo motorizado, compartilhando um pouco do seu pr\u00f3prio brilho ou que a planta extremamente ofendida pela feiura do companheiro que ousava, ano a ano, ofuscar a beleza de suas flores com toda aquela ferrugem, tentava desesperadamente esconder o colega inconveniente, para assim, quem sabe, deixar a rua mais atraente para os casais apaixonados tirarem fotos sob sua copa. Sem esfor\u00e7o consciente, associei o calhambeque a uma mo\u00e7a feia, que exagera na maquiagem tentando acompanhar a amiga formosa.<\/p>\n<p>Como essa hist\u00f3ria me afetou? O fato \u00e9 que. enquanto pensava nessas bobagens e em como isso poderia se traduzir em poesia, sorri sozinho, meu c\u00e9rebro liberou endorfinas, fiquei relaxado. Naquele momento, fui feliz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gra\u00e7as ao incentivo de uma amiga, comecei recentemente a ler e escrever poesia. 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