{"id":361930,"date":"2025-08-23T00:05:08","date_gmt":"2025-08-23T03:05:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=361930"},"modified":"2025-08-23T08:07:44","modified_gmt":"2025-08-23T11:07:44","slug":"bahia-mostra-que-nem-tudo-e-axe-na-terra-de-todos-os-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/bahia-mostra-que-nem-tudo-e-axe-na-terra-de-todos-os-santos\/","title":{"rendered":"Bahia mostra que nem tudo \u00e9 ax\u00e9 na Terra de Todos os Santos"},"content":{"rendered":"<p>Na abertura da turn\u00ea nacional que celebra seus 37 anos, o Bal\u00e9 Folcl\u00f3rico da Bahia (BFB) chegou nesta sexta-feira (22) ao Rio de Janeiro, onde apresenta, no Teatro Jo\u00e3o Caetano, o espet\u00e1culo O Bal\u00e9 Que Voc\u00ea N\u00e3o V\u00ea. Fundado em 8 de agosto de 1988, o BFB vai passar pelas regi\u00f5es Sudeste, Sul e Centro-Oeste do Brasil. As regi\u00f5es Norte e Nordeste tamb\u00e9m est\u00e3o nos planos, mas sem datas previstas.<\/p>\n<p>A capital carioca ter\u00e1 duas apresenta\u00e7\u00f5es, nesta sexta-feira (22) e s\u00e1bado (23). Em seguida, a agenda tem Campinas (25 e 26\/09), S\u00e3o Paulo (28\/09), Franca (1\u00ba\/10), Florian\u00f3polis (17\/10), Goi\u00e2nia (22\/10), Porto Alegre (28\/10) e Novo Hamburgo (30\/10). Esta \u00e9 a primeira vez que a companhia faz uma temporada por meio da Lei Federal de Incentivo \u00e0 Cultura, a Lei Rouanet, e do Minist\u00e9rio da Cultura.<\/p>\n<p>O Bal\u00e9 Que Voc\u00ea N\u00e3o V\u00ea \u00e9 inspirado na luta cotidiana de uma companhia profissional para se manter viva financeiramente e tecnicamente. Para o diretor-geral e fundador da companhia, Walson Botelho, mais conhecido como Vav\u00e1 Botelho, a montagem reflete a resist\u00eancia da dp BFB. O espet\u00e1culo \u00e9 montado com base em tr\u00eas coreografias desenvolvidas especialmente para a produ\u00e7\u00e3o: Bolero, de Carlos Durval; Okan, de Nildinha Fonseca; e 2-3-8, de Slim Mello. Al\u00e9m delas, est\u00e1 inclu\u00eddo tamb\u00e9m o repert\u00f3rio cl\u00e1ssico do grupo, com Afixir\u00ea, uma coreografia de Ros\u00e2ngela Silvestre.<\/p>\n<p>\u201c[O recado da companhia com o espet\u00e1culo] \u00e9 que a gente existe neste pa\u00eds. S\u00e3o 37 anos de quase invisibilidade de uma companhia que \u00e9 vis\u00edvel no mundo inteiro, extremamente conhecida, com um trabalho desenvolvido h\u00e1 37 anos e reconhecido mundialmente em todas as inst\u00e2ncias e, no entanto, no pa\u00eds, a gente tem muita dificuldade em mostrar essa nossa exist\u00eancia de maneira geral\u201d, contou.<\/p>\n<p>As apresenta\u00e7\u00f5es na capital fluminense fazem parte da oitava edi\u00e7\u00e3o do MoviRio Festival, que, durante quatro dias consecutivos, ter\u00e1 mostras competitivas, palestras, workshops e interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, com foco no interc\u00e2mbio e na troca de experi\u00eancias que impulsionam a dan\u00e7a e sua transversalidade.<\/p>\n<p><strong>Temporada nacional<\/strong><br \/>\nO diretor destacou que a temporada de O Bal\u00e9 Que Voc\u00ea N\u00e3o V\u00ea pelo pa\u00eds foi elaborada para festejar os 30 anos da companhia, mas, por falta de apoio financeiro, s\u00f3 foi para frente sete anos depois, com o patroc\u00ednio do Will Bank.<\/p>\n<p>\u201cApoiar o Bal\u00e9 Folcl\u00f3rico da Bahia, em sua primeira grande turn\u00ea pelo pa\u00eds, \u00e9 a nossa forma de reconhecer e mostrar para todo mundo a pot\u00eancia que esse grupo construiu em 37 anos de muita hist\u00f3ria e talento\u201d, afirmou o CEO do Will Bank, Felipe F\u00e9lix.<\/p>\n<p><strong>Sucesso internacional<\/strong><br \/>\nO Bal\u00e9 Folcl\u00f3rico da Bahia, que tem sede no Pelourinho, em Salvador, j\u00e1 se apresentou em mais de 30 pa\u00edses e 300 cidades do mundo. Para Vav\u00e1 Botelho, esta montagem trar\u00e1 mais visibilidade do grupo no Brasil, o que n\u00e3o ocorreu at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>O fundador atribui a falta de visibilidade no Brasil, em parte, ao preconceito que ainda existe em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura popular e ao folclore, que segundo ele, s\u00e3o vistos como formas menores da cultura brasileira.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o, no entanto, tamb\u00e9m j\u00e1 foi enfrentada pela companhia fora do pa\u00eds. Em 1994, o BFB foi convidado para se apresentar na Bienal de Dan\u00e7a de Lyon, na Fran\u00e7a. Botelho lembra que, de in\u00edcio, houve um desprezo da imprensa e do p\u00fablico pelo fato de o festival levar uma companhia folcl\u00f3rica, mas o BFB conseguiu reverter a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cFoi um sucesso t\u00e3o grande que a gente foi contratado, em princ\u00edpio, para fazer tr\u00eas apresenta\u00e7\u00f5es e fizemos sete, porque, com um ano de anteced\u00eancia, os ingressos iam se esgotando\u201d, revelou, acrescentando que, mesmo assim, os cartazes de divulga\u00e7\u00e3o espalhados na cidade ocultavam a palavra Folcl\u00f3rico do nome do Bal\u00e9.<\/p>\n<p>Em outro exemplo do reconhecimento no exterior, Vav\u00e1 lembrou que o calend\u00e1rio oficial da cidade norte-americana de Atlanta comemora, sempre em 1\u00ba novembro, o Dia do Bal\u00e9 Folcl\u00f3rico da Bahia, por todo o trabalho de promo\u00e7\u00e3o, divulga\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o da cultura negra no mundo, inclusive nos Estados Unidos. Isso, segundo o diretor-geral, se contrap\u00f5e \u00e0 situa\u00e7\u00e3o do grupo no Brasil, onde enfrenta diversos obst\u00e1culos para se manter, especialmente, pela falta de patroc\u00ednios.<\/p>\n<p>\u201cA gente tem muita dificuldade, desde sempre, em circular pelo pa\u00eds, em mostrar nosso trabalho, montar trabalhos e em ter patroc\u00ednio. O Bal\u00e9 nunca teve um patroc\u00ednio de manuten\u00e7\u00e3o. N\u00f3s recebemos apoio, extremamente importante e vital, se n\u00e3o, n\u00e3o existir\u00edamos, da prefeitura e do governo do estado, atrav\u00e9s das secretarias de cultura\u201d, comentou.<\/p>\n<p>Esse apoio, conforme o fundador do BFB \u00e9 feito por meio de editais, que t\u00eam um limite de valor pequeno, porque s\u00e3o projetos divididos com in\u00fameras institui\u00e7\u00f5es no estado da Bahia e em Salvador.<\/p>\n<p>\u201cIsso colabora para que a gente possa sobreviver, viver e pagar as nossas contas, uma vez que a gente tem um elenco e uma companhia muito grande. Temos um teatro [Teatro Miguel Santana] em Salvador, onde completamos, no dia 25 de julho, 30 anos em cartaz, e onde funciona a sede do Bal\u00e9. Antes pandemia, eram espet\u00e1culos di\u00e1rios. Depois, a gente s\u00f3 conseguiu voltar com tr\u00eas dias na semana, com lota\u00e7\u00e3o esgotada\u201d, afirmou.<\/p>\n<p><strong>Fada madrinha<\/strong><br \/>\nNo meio da sua trajet\u00f3ria o BFB encontrou uma pessoa que contribuiria diretamente com a divulga\u00e7\u00e3o da companhia no exterior: a cr\u00edtica de dan\u00e7a do jornal The New York Times Anna Kisselgoff, que fez um artigo elogioso ao trabalho.<\/p>\n<p>\u201cO prazer dos dan\u00e7arinos, m\u00fasicos e cantoras em fazer o que eles fazem sobre o palco, \u00e9 t\u00e3o obviamente parte da vida deles, que contagia todo o teatro\u201d.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o da jornalista chamou aten\u00e7\u00e3o \u201cEu j\u00e1 assisti seus maravilhosos bailarinos em diferentes pa\u00edses, sempre se comunicando com o p\u00fablico. Crian\u00e7as e adultos s\u00e3o tomados de imediato pelos ritmos e encantos de sua arte\u201d. Conforme o BFB, em 1994, a Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Cr\u00edticos reconheceu a companhia como a melhor de dan\u00e7a folcl\u00f3rica do mundo.<\/p>\n<p><strong>Zebrinha<\/strong><br \/>\nA dire\u00e7\u00e3o art\u00edstica do BFB, desde 1993, est\u00e1 sob a responsabilidade de Jos\u00e9 Carlos Arandiba, conhecido como Zebrinha. A principal fonte de inspira\u00e7\u00e3o para as pesquisas do grupo \u00e9 a pr\u00f3pria Bahia e suas manifesta\u00e7\u00f5es populares.<\/p>\n<p>\u201cO nosso grande empenho e grande projeto \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de artistas dan\u00e7arinos em todas as \u00e1reas t\u00e9cnicas, e esse espet\u00e1culo \u00e9 tudo aquilo que damos em sala de aula e nunca apresentamos\u201d, disse em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>\u201cA gente quer surpreender o mundo e mostrar que os dan\u00e7arinos do Bal\u00e9 Folcl\u00f3rico da Bahia podem se inserir, podem dan\u00e7ar e representar qualquer estilo de dan\u00e7a, porque essa \u00e9 a prepara\u00e7\u00e3o que os alunos t\u00eam\u201d, contou, acrescentando que o BFB tem dois grandes prop\u00f3sitos: a forma\u00e7\u00e3o e a preserva\u00e7\u00e3o das culturas afro-brasileira e nordestina.<\/p>\n<p>\u201cEsses s\u00e3o os dois grandes objetivos e, juntando esses dois objetivos, fazer com que os adolescentes e jovens que entram na nossa companhia aprendam que n\u00e3o s\u00e3o cidad\u00e3os de segunda classe e que podem se transformar em artistas de ponta. A gente tem conseguido isso na nossa trajet\u00f3ria\u201d, pontuou Zebrinha.<\/p>\n<p><strong>Estreia com ax\u00e9<\/strong><br \/>\nPara trazer boas energias e garantir o Ax\u00e9 para a temporada, na \u00faltima quinta-feira (21), v\u00e9spera da estreia no Rio, o BFB fez uma cerim\u00f4nia de lavagem das escadas e da entrada do Teatro Jo\u00e3o Caetano. Vestidos de branco, os bailarinos seguravam potes com \u00e1gua e flores na mesma cor, enquanto os atabaques ecoavam na Pra\u00e7a Tiradentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na abertura da turn\u00ea nacional que celebra seus 37 anos, o Bal\u00e9 Folcl\u00f3rico da Bahia (BFB) chegou nesta sexta-feira (22) ao Rio de Janeiro, onde apresenta, no Teatro Jo\u00e3o Caetano, o espet\u00e1culo O Bal\u00e9 Que Voc\u00ea N\u00e3o V\u00ea. 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