{"id":362216,"date":"2025-08-26T03:02:56","date_gmt":"2025-08-26T06:02:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=362216"},"modified":"2025-08-26T03:07:33","modified_gmt":"2025-08-26T06:07:33","slug":"saga-e-sonho-de-portuga-visionario-na-terra-que-jair-bolsonaro-sujou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/saga-e-sonho-de-portuga-visionario-na-terra-que-jair-bolsonaro-sujou\/","title":{"rendered":"Saga e sonho de portuga vision\u00e1rio na terra que Jair Bolsonaro sujou"},"content":{"rendered":"<p class=\"v1gmail-MsoBodyText\">Vision\u00e1rio e cansado da vida mundana em Portugal e no Sul do Brasil, onde aportou equivocadamente no in\u00edcio do s\u00e9culo passado, meu av\u00f4 Aristarco Pederneira chegou ao Rio de Janeiro disposto a mudar o que ele chamava de modus operandi da exist\u00eancia pervertida. Antes de se fixar na Cidade Maravilhosa, foi informado do sonho de Dom Bosco e tentou Bras\u00edlia. Desistiu ao saber que, na futura Capital, j\u00e1 se instalava uma perigosa agremia\u00e7\u00e3o, a Seita Mitonaro, depois Golpenaro e, por fim, logo ap\u00f3s a descoberta dos R$ 30 milh\u00f5es em um ano, Bolsonaro, uma clara deriva\u00e7\u00e3o de bolso.<\/p>\n<p class=\"v1gmail-MsoBodyText\">Com o lema perca o tempo, mas n\u00e3o perca a mulher, o velho nunca teve medo do azar. Apesar de pouco supersticioso, &#8220;Sapo gordo, p\u00e9 de pato, mangal\u00f4, tr\u00eas vezes&#8221; era o bord\u00e3o utilizado para todo tipo de sen\u00e3o, principalmente unha encravada, paumolesc\u00eancia e corridas do marido alheio. Oriundo da pequena cidade de Tr\u00e1s os Montes, o velho tamb\u00e9m n\u00e3o levava desaforo para casa. Fosse hoje, seria conhecido nas redes sociais como algu\u00e9m do riso frouxo, daquilo roxo e do homem macho no modo cangaceiro. Lembro de uma de suas hil\u00e1rias hist\u00f3rias na primeira investida \u00e0 Praia de Copacabana.<\/p>\n<p class=\"v1gmail-MsoBodyText\">Com a insepar\u00e1vel cueca samba can\u00e7\u00e3o branca quase transparente, entrou no mar. Ap\u00f3s 12,5 segundos, saiu esbaforido com a viol\u00eancia das ondas. Cueca molhada, obviamente que o bilau encharcado colou na coxa direita. Ou teria sido na esquerda? Pouco importa a ideologia do trem. O fato \u00e9 que, na areia, dezenas de cariocas riam do encorpado bicho preso. Sem mod\u00e9stia alguma, Aristarco reagiu e, quase col\u00e9rico, perguntou: Qual a gra\u00e7a? O pinto de voc\u00eas n\u00e3o encolhe quando est\u00e1 molhado? Como nem sempre o touro perde, ao longo de sua saga vov\u00f4 teve de engolir a ira v\u00e1rias vezes. Uma delas ocorreu durante a n\u00e3o programada visita a uma casa de sali\u00eancia que n\u00e3o conhecia. L\u00e1 chegando, o sorridente porteiro logo perguntou se ele queria fazer ou ver.<\/p>\n<p class=\"v1gmail-MsoBodyText\">Sempre pensando em levar vantagem, como o nosso Jair, claro que a resposta foi a primeira op\u00e7\u00e3o. N\u00e3o gostaria de entrar nos detalhes, mas como cheguei at\u00e9 aqui, vamos l\u00e1. Levado pelas m\u00e3os do porteiro do puteiro, o portuga entrou no quarto escuro onde j\u00e1 o esperava um taludo, portentoso e enraivecido afrodescendente. Sem meias palavras, foi cr\u00e9u, cr\u00e9u e cr\u00e9u em v\u00e1rias velocidades. Pussesso da vida, vov\u00f4 saiu correndo, prometendo a forra em uma nova oportunidade. Na semana seguinte, l\u00e1 estava o furibundo portugu\u00eas. \u00c0 mesma pergunta, uma resposta diferente: Hoje eu n\u00e3o vim fazer. Hoje eu quero \u00e9 ver. Coitado do velho.<\/p>\n<p class=\"v1gmail-MsoBodyText\">O porteiro o levou para o mesmo quarto escuro e passou um v\u00eddeo tape do afrodescendente no cr\u00e9u, cr\u00e9u, cr\u00e9u. Vivendo entre comunistas comedores de criancinhas, padres doadores de p\u00e3o com mortadela, pastores de conceitos libidinosos e ex-presidentes que viram detentos por causa do poder, Aristarco Pederneira acabou recebendo um indicativo de cura em um terreiro de macumba no sub\u00farbio do Rio. Profundo conhecedor das maledic\u00eancias da vida, mas raso na antiga, s\u00e9ria e ultraconservadora linguagem da umbanda, o velho portuga foi convidado a se retirar logo na primeira sess\u00e3o de descarrego, tamb\u00e9m chamado de desobsess\u00e3o em outras correntes das religi\u00f5es de matriz africana.<\/p>\n<p class=\"v1gmail-MsoBodyText\">De p\u00e9, diante de uma entidade feminina incorporada em uma bela morena, vov\u00f4 n\u00e3o pensou duas vezes ao ouvir a divindade saud\u00e1-lo com o costumeiro sarav\u00e1: N\u00e3o precisa, dona. Pode vir suja mesmo que eu tra\u00e7o. Sem conseguir abandonar a vida mundana, meu av\u00f4 paterno preferiu deixar que a vida o levasse. Para quem j\u00e1 deu at\u00e9 o olho da goiaba para ch\u00e1, nada de anormal o familiar lusitano ter se matriculado no programa global\u00a0<i>Big Boga Brasil.\u00a0<\/i>Tamb\u00e9m durou pouco. Ainda vivo, dr. Roberto Marinho exigiu sua exclus\u00e3o ao ouvi-lo esculhambando um dos participantes do reality show de nome Ariel. Ao mancebo, vov\u00f4 disse que, caso tivesse um filho com esse nome, pediria que ele escolhesse ser homem, mulher, sereia ou sab\u00e3o em p\u00f3. Mais uma vez, o v\u00e9io dan\u00e7ou. Perdeu a chance de disputar os R$ 30 milh\u00f5es de pr\u00eamio. Ariel era o principal patrocinador do Big Boga Brasil.<\/p>\n<p class=\"v1gmail-MsoBodyText\">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/p>\n<p class=\"v1gmail-MsoBodyText\"><strong>Wenceslau Ara\u00fajo \u00e9 Editor-Chefe de Notibras<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vision\u00e1rio e cansado da vida mundana em Portugal e no Sul do Brasil, onde aportou equivocadamente no in\u00edcio do s\u00e9culo passado, meu av\u00f4 Aristarco Pederneira chegou ao Rio de Janeiro disposto a mudar o que ele chamava de modus operandi da exist\u00eancia pervertida. 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