{"id":362818,"date":"2025-09-01T08:35:47","date_gmt":"2025-09-01T11:35:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=362818"},"modified":"2025-09-01T10:04:55","modified_gmt":"2025-09-01T13:04:55","slug":"ceara-faz-aposta-alta-para-mudar-o-semiarido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/ceara-faz-aposta-alta-para-mudar-o-semiarido\/","title":{"rendered":"Cear\u00e1 faz aposta alta para mudar o semi\u00e1rido"},"content":{"rendered":"<p>Por muito tempo, o semi\u00e1rido nordestino foi visto apenas como um espa\u00e7o de seca e pobreza. No Cear\u00e1, a estiagem marcava n\u00e3o s\u00f3 o clima, mas tamb\u00e9m o imagin\u00e1rio coletivo: cidades abandonadas, migra\u00e7\u00e3o em massa e depend\u00eancia de pol\u00edticas assistencialistas. Hoje, esse cen\u00e1rio come\u00e7a a mudar. O estado se tornou refer\u00eancia nacional em projetos de conviv\u00eancia com o semi\u00e1rido, transformando desafios hist\u00f3ricos em oportunidades de desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>At\u00e9 poucas d\u00e9cadas atr\u00e1s, a pol\u00edtica dominante era o chamado \u201ccombate \u00e0 seca\u201d, baseado em grandes obras h\u00eddricas e a\u00e7\u00f5es emergenciais, como a distribui\u00e7\u00e3o de carros-pipa. Essa estrat\u00e9gia, embora necess\u00e1ria em situa\u00e7\u00f5es extremas, n\u00e3o garantia autonomia \u00e0s popula\u00e7\u00f5es sertanejas. \u201cEra um modelo que tratava o sertanejo apenas como v\u00edtima, n\u00e3o como protagonista da sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria\u201d, explica um pesquisador de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>A virada de chave aconteceu com programas de tecnologias sociais adaptadas ao semi\u00e1rido, como as cisternas de placas para armazenamento de \u00e1gua da chuva. Simples e baratas, elas garantem \u00e1gua pot\u00e1vel durante meses, mudando a rotina de fam\u00edlias que antes precisavam caminhar quil\u00f4metros em busca de um balde d\u2019\u00e1gua. Estima-se que mais de 350 mil cisternas j\u00e1 estejam instaladas em todo o Cear\u00e1.<\/p>\n<p>Se a seca limita a agricultura, o vento virou fonte de riqueza. O Cear\u00e1 lidera o ranking nacional de gera\u00e7\u00e3o de energia e\u00f3lica, com parques instalados tanto no litoral quanto no sert\u00e3o. Segundo dados do setor, a matriz e\u00f3lica j\u00e1 responde por mais de 40% da energia consumida no estado. Al\u00e9m de contribuir para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica do Brasil, os parques atraem investimentos internacionais e geram empregos locais.<\/p>\n<p>\u201cHoje, comunidades que viviam isoladas passaram a ter renda com a chegada das empresas do setor e\u00f3lico. \u00c9 um impacto positivo que se soma \u00e0s pol\u00edticas de conviv\u00eancia com o clima\u201d, comenta uma economista especializada em desenvolvimento regional.<\/p>\n<p>Outro campo em transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 a agricultura familiar. T\u00e9cnicas de agroecologia e o uso de sementes crioulas \u2014 variedades tradicionais mais resistentes \u00e0 seca \u2014 permitem que pequenos produtores mantenham suas planta\u00e7\u00f5es mesmo em per\u00edodos de estiagem prolongada. Com apoio de cooperativas e feiras regionais, esses agricultores n\u00e3o apenas garantem o sustento da fam\u00edlia, mas tamb\u00e9m movimentam a economia local.<\/p>\n<p>A conviv\u00eancia com o semi\u00e1rido n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de infraestrutura, mas tamb\u00e9m de identidade cultural. O sertanejo desenvolveu, ao longo de s\u00e9culos, saberes pr\u00f3prios de manejo da terra, preserva\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. Essa heran\u00e7a imaterial hoje \u00e9 reconhecida como parte da solu\u00e7\u00e3o. \u201cO conhecimento local, quando valorizado, se integra \u00e0s novas tecnologias e gera resultados muito mais s\u00f3lidos\u201d, destaca um antrop\u00f3logo ouvido pela reportagem.<\/p>\n<p>Especialistas defendem que o exemplo do Cear\u00e1 pode servir de inspira\u00e7\u00e3o para regi\u00f5es \u00e1ridas de outros pa\u00edses. Ao inv\u00e9s de lutar contra a natureza, a estrat\u00e9gia \u00e9 aprender a viver com ela, buscando equil\u00edbrio entre desenvolvimento econ\u00f4mico, inclus\u00e3o social e sustentabilidade.<\/p>\n<p>No cora\u00e7\u00e3o do semi\u00e1rido, o Cear\u00e1 mostra que resistir n\u00e3o significa apenas sobreviver, mas reinventar-se. Onde antes havia apenas a marca da seca, hoje surge um novo horizonte: o da conviv\u00eancia inteligente com o clima, capaz de transformar dificuldades em pot\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por muito tempo, o semi\u00e1rido nordestino foi visto apenas como um espa\u00e7o de seca e pobreza. No Cear\u00e1, a estiagem marcava n\u00e3o s\u00f3 o clima, mas tamb\u00e9m o imagin\u00e1rio coletivo: cidades abandonadas, migra\u00e7\u00e3o em massa e depend\u00eancia de pol\u00edticas assistencialistas. Hoje, esse cen\u00e1rio come\u00e7a a mudar. 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