{"id":362949,"date":"2025-09-02T02:00:19","date_gmt":"2025-09-02T05:00:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=362949"},"modified":"2025-09-02T02:23:48","modified_gmt":"2025-09-02T05:23:48","slug":"alta-de-precos-agrava-fome-e-deixa-pratos-vazios-no-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/alta-de-precos-agrava-fome-e-deixa-pratos-vazios-no-nordeste\/","title":{"rendered":"Alta de pre\u00e7os agrava fome e deixa pratos vazios no Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>O Nordeste tem enfrentado um dos per\u00edodos mais desafiadores dos \u00faltimos anos. A alta nos pre\u00e7os dos alimentos, aliada \u00e0 desigualdade hist\u00f3rica da regi\u00e3o, tem colocado milh\u00f5es de fam\u00edlias em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar. Nas feiras, mercados e prateleiras de supermercados, o impacto \u00e9 sentido diariamente: o feij\u00e3o, o arroz, a carne e at\u00e9 mesmo a farinha de mandioca \u2014 base da alimenta\u00e7\u00e3o popular \u2014 ficaram mais caros e cada vez mais distantes da mesa de muitas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Segundo dados recentes da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar (Rede PENSSAN), cerca de 30% das fam\u00edlias nordestinas vivem em inseguran\u00e7a alimentar moderada ou grave. Isso significa que muitas delas j\u00e1 passaram por situa\u00e7\u00f5es de n\u00e3o ter comida suficiente ou de reduzir o n\u00famero de refei\u00e7\u00f5es di\u00e1rias.<\/p>\n<p>\u201cAntes eu comprava dois quilos de feij\u00e3o no m\u00eas. Hoje s\u00f3 d\u00e1 para levar um, e ainda preciso misturar com macarr\u00e3o para render\u201d, conta Maria das Dores, 48 anos, dona de casa em Caruaru (PE).<\/p>\n<p>Os pre\u00e7os de alimentos b\u00e1sicos subiram acima da m\u00e9dia da infla\u00e7\u00e3o. O leite, por exemplo, registrou aumentos consecutivos, pressionado pela seca em algumas \u00e1reas e pelo custo do transporte. O milho e a soja, usados na alimenta\u00e7\u00e3o animal, tamb\u00e9m encareceram, refletindo no pre\u00e7o da carne, do frango e dos ovos.<\/p>\n<p>No interior do Piau\u00ed, o agricultor Jo\u00e3o Ferreira explica que at\u00e9 os pequenos produtores sentem o peso da crise:<\/p>\n<p>\u201cQuem planta milho e feij\u00e3o n\u00e3o consegue vender a pre\u00e7o justo, porque o atravessador paga pouco. E, quando a gente vai comprar no mercado, o valor \u00e9 muito maior. Fica dif\u00edcil sobreviver.\u201d<\/p>\n<p>Governos estaduais e prefeituras t\u00eam adotado medidas como a amplia\u00e7\u00e3o de restaurantes populares, feiras de produtos da agricultura familiar e programas de cestas b\u00e1sicas. O Bolsa Fam\u00edlia, que voltou a ser fortalecido nos \u00faltimos anos, tamb\u00e9m tem sido essencial para amenizar os impactos.<\/p>\n<p>Movimentos sociais e organiza\u00e7\u00f5es civis intensificaram campanhas de solidariedade. Cozinhas comunit\u00e1rias e mutir\u00f5es de distribui\u00e7\u00e3o de alimentos se espalham em capitais como Salvador, Fortaleza e Recife, garantindo refei\u00e7\u00f5es di\u00e1rias a milhares de pessoas.<\/p>\n<p>Para a economista Ana Paula Nascimento, da Universidade Federal do Cear\u00e1, \u00e9 necess\u00e1rio olhar para solu\u00e7\u00f5es estruturais:<br \/>\n\u201cA fome n\u00e3o \u00e9 apenas resultado da falta de alimentos, mas da falta de renda. Enquanto n\u00e3o houver gera\u00e7\u00e3o de empregos dignos e valoriza\u00e7\u00e3o da agricultura familiar, continuaremos a ver o povo nordestino lutando para garantir o b\u00e1sico.\u201d<\/p>\n<p>Apesar das dificuldades, h\u00e1 sinais de resist\u00eancia. Cooperativas agr\u00edcolas no semi\u00e1rido investem em sistemas de irriga\u00e7\u00e3o sustent\u00e1veis e na produ\u00e7\u00e3o de hortali\u00e7as org\u00e2nicas, que chegam a pre\u00e7os mais acess\u00edveis \u00e0s feiras locais. Iniciativas de bancos de sementes e quintais produtivos tamb\u00e9m fortalecem a autonomia das comunidades.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Nordeste tem enfrentado um dos per\u00edodos mais desafiadores dos \u00faltimos anos. A alta nos pre\u00e7os dos alimentos, aliada \u00e0 desigualdade hist\u00f3rica da regi\u00e3o, tem colocado milh\u00f5es de fam\u00edlias em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar. 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