{"id":363583,"date":"2025-09-12T01:15:28","date_gmt":"2025-09-12T04:15:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=363583"},"modified":"2025-09-09T21:15:34","modified_gmt":"2025-09-10T00:15:34","slug":"o-modernismo-que-floresceu-em-cataguases","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/o-modernismo-que-floresceu-em-cataguases\/","title":{"rendered":"O modernismo que floresceu em Cataguases"},"content":{"rendered":"<p>Em pleno interior de Minas Gerais, na pequena cidade de Cataguases, um grupo de jovens ousados decidiu desafiar a rotina provinciana e abrir espa\u00e7o para a vanguarda art\u00edstica que agitava o Brasil nos anos 1920. O resultado foi a Revista Verde, um peri\u00f3dico mensal dedicado \u00e0 arte e \u00e0 literatura que, apesar de vida curta, deixou marcas profundas na hist\u00f3ria cultural do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Lan\u00e7ada em setembro de 1927, a revista circulou at\u00e9 janeiro de 1928 e teve ainda uma edi\u00e7\u00e3o especial em maio de 1929. Foram apenas seis n\u00fameros, mas suficientes para colocar Cataguases no mapa do modernismo brasileiro.<\/p>\n<p>\u00c0 frente do projeto estavam nomes como Henrique de Resende (diretor), Ant\u00f4nio Martins Mendes e Ros\u00e1rio Fusco (redatores), acompanhados de uma equipe que reunia Asc\u00e2nio Lopes, Camilo Soares Filho, Christophoro Fonte Boa, Francisco In\u00e1cio Peixoto, Guilhermino C\u00e9sar, Oswaldo Abritta e Renato Gama. Juntos, eles formaram o chamado Movimento Verde, que queria romper com o conservadorismo cultural e dar voz a novas ideias.<\/p>\n<p>Embora nascida no interior, a Revista Verde rapidamente se conectou ao cora\u00e7\u00e3o do modernismo. Suas p\u00e1ginas trouxeram colabora\u00e7\u00f5es de gigantes da literatura nacional, como M\u00e1rio de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, An\u00edbal Machado, Ant\u00f4nio de Alc\u00e2ntara Machado, S\u00e9rgio Milliet, Augusto Frederico Schmidt, Ribeiro Couto, Prudente de Morais Neto, Jo\u00e3o Alphonsus, Godofredo Rangel e Marques Rebelo. Um verdadeiro di\u00e1logo entre Cataguases e os grandes centros culturais do Brasil.<\/p>\n<p>O ambiente de efervesc\u00eancia cultural da cidade tamb\u00e9m se estendia para al\u00e9m da literatura. O grupo mantinha contato pr\u00f3ximo com Humberto Mauro, cineasta pioneiro do cinema nacional, que na \u00e9poca vivia em Cataguases e produzia alguns de seus primeiros filmes. Essa intersec\u00e7\u00e3o entre literatura e cinema fez da cidade um polo de inova\u00e7\u00e3o cultural nos anos 1920.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria da revista, no entanto, foi interrompida de forma abrupta. A morte precoce de Asc\u00e2nio Lopes, aos 22 anos, desarticulou parte do grupo e contribuiu para o fim do projeto. Ainda assim, a experi\u00eancia deixou um legado simb\u00f3lico: mostrou que a modernidade n\u00e3o se limitava \u00e0s capitais, mas podia brotar tamb\u00e9m em cidades do interior, impulsionada pela paix\u00e3o de jovens sonhadores.<\/p>\n<p>Quase um s\u00e9culo depois, a Revista Verde continua sendo lembrada como um marco do modernismo mineiro e um exemplo da for\u00e7a criativa que floresceu fora dos grandes centros urbanos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em pleno interior de Minas Gerais, na pequena cidade de Cataguases, um grupo de jovens ousados decidiu desafiar a rotina provinciana e abrir espa\u00e7o para a vanguarda art\u00edstica que agitava o Brasil nos anos 1920. 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