{"id":363884,"date":"2025-09-10T00:00:50","date_gmt":"2025-09-10T03:00:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=363884"},"modified":"2025-09-10T08:00:15","modified_gmt":"2025-09-10T11:00:15","slug":"professores-sao-valorizados-por-menos-de-40-dos-alunos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/professores-sao-valorizados-por-menos-de-40-dos-alunos\/","title":{"rendered":"Professores s\u00e3o valorizados por menos de 40% dos alunos"},"content":{"rendered":"<p>Os chamados anos finais do ensino fundamental \u2013 que compreendem o 6\u00ba, 7\u00b0, 8\u00ba e 9 \u00ba anos \u2013 s\u00e3o considerados uma etapa escolar peculiar, que enfrenta desafios pr\u00f3prios ao reunir os estudantes que est\u00e3o na transi\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia para a adolesc\u00eancia. Para subsidiar a cria\u00e7\u00e3o da primeira pol\u00edtica nacional voltada para esta etapa, foi lan\u00e7ada nesta ter\u00e7a-feira (9) uma pesquisa que ouviu mais de 2,3 milh\u00f5es de estudantes em 21 mil escolas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os resultados apontam que mais da metade dos estudantes diz se sentir acolhida pela escola, mas menos de 40% dizem respeitar e valorizar o professor.<\/p>\n<p>O estudo \u00e9 fruto de uma parceria do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC), Conselho Nacional de Secret\u00e1rios de Educa\u00e7\u00e3o (Consed), a Uni\u00e3o dos Dirigentes Municipais de Educa\u00e7\u00e3o (Undime) e o Ita\u00fa Social. A pesquisa foi realizada durante a Semana da Escuta das Adolesc\u00eancias nas Escolas, mobiliza\u00e7\u00e3o que engajou o equivalente a 46% das institui\u00e7\u00f5es de ensino que oferecem os anos finais nas redes municipais, estaduais e distrital em todo o Brasil.<\/p>\n<p>Durante o lan\u00e7amento do relat\u00f3rio, em Bras\u00edlia, a secret\u00e1ria da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (SEB), do MEC, Katia Schweickardt, afirmou que a escuta dos adolescentes do 6\u00ba ao 9\u00ba ano ajuda o Poder P\u00fablico a entender que \u201ctodos aprendem de um jeito diferente\u201d e que todo mundo sabe algo, baseado nas experi\u00eancias individuais.<\/p>\n<p>Katia Schweickardt explica que \u00e9 preciso adaptar as salas de aulas para essa realidade multisseriada, ou seja, com alunos de diferentes perfis. \u201cTodo mundo aprende de um jeito diferente. O que a gente precisa \u00e9 preparar os professores, o equipamento escolar, a comunidade, todo mundo para essas especificidades.&#8221;<\/p>\n<p>A secret\u00e1ria do MEC destaca que este preparo passa pelo curr\u00edculo escolar.<\/p>\n<p>\u201cCurr\u00edculo, que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um conjunto, uma lista de desejos de conte\u00fado e pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas que a gente p\u00f5e em um documento e deixa na gaveta. Curr\u00edculo, de fato, \u00e9 uma perspectiva de viv\u00eancia, de exist\u00eancia de uma escola que \u00e9 significativa\u201d, disse.<\/p>\n<p>A representante da organiza\u00e7\u00e3o da sociedade civil Roda Educativa, a pedagoga Tereza Perez, concorda que \u00e9 preciso enxergar as diferentes composi\u00e7\u00f5es das salas de ensino, sob pena de provocar a evas\u00e3o escolar e o abandono dos estudos.<\/p>\n<p>\u201cA m\u00e1quina da educa\u00e7\u00e3o escolar busca homogeneizar as aprendizagens, por meio de um ensino \u00fanico, negligenciando a heterogeneidade e a diversidade existente em todas as salas de aula. Esse fato, embora reconhecido, n\u00e3o provoca mudan\u00e7as significativas na forma de ensino e, muitas vezes, culpabiliza alunos que n\u00e3o aprendem, usando a reprova\u00e7\u00e3o como o \u00fanico recurso para que aprendam. Na maioria das vezes, tamb\u00e9m, n\u00e3o atingem o seu prop\u00f3sito de aprendizagem, gerando evas\u00e3o e abandono\u201d, destacou.<\/p>\n<p><strong>Pesquisa <\/strong><br \/>\nAs percep\u00e7\u00f5es dos alunos, colhidas em question\u00e1rios e din\u00e2micas coletivas, foram dividas em dois grupos: os alunos mais novos, do 6\u00ba e 7\u00ba ano, e os mais velhos, do 8\u00ba e 9\u00ba anos. Apesar da pouca dist\u00e2ncia de idade, \u00e9 poss\u00edvel encontrar importantes contrastes entre as respostas.<\/p>\n<p>A pesquisa buscou identificar a opini\u00e3o dos alunos sobre a escola, conte\u00fados para desenvolvimento pessoal, atividades essenciais para o futuro, formas de aprendizagem, conviv\u00eancia, entre outros. De forma geral, estudantes dos 8\u00ba e 9\u00ba anos t\u00eam uma vis\u00e3o menos positiva sobre a escola do que aqueles de 6\u00ba e 7\u00ba anos.<\/p>\n<p>A superintendente do Ita\u00fa Social, Patr\u00edcia Mota Guedes, lembrou que o Brasil tem hist\u00f3rico de d\u00e9cadas sem qualquer pol\u00edtica voltada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o na adolesc\u00eancia e que, desde 2023, o MEC, com o projeto da Escola das Adolesc\u00eancias, passou a dialogar com estudantes, gestores educacionais e diferentes setores da sociedade civil e acad\u00eamicos, al\u00e9m de organismo internacionais para trabalhar em conjunto em dire\u00e7\u00e3o a um objetivo comum.<\/p>\n<p>\u201cNenhum outro pa\u00eds que a gente acompanha teve coragem de escutar os adolescentes como parte da pol\u00edtica p\u00fablica. Ent\u00e3o, \u00e9 com esse exemplo de constru\u00e7\u00e3o de converg\u00eancias, de escuta, que o MEC conseguiu criar converg\u00eancias de diferentes territ\u00f3rios, de diferentes setores da sociedade civil brasileira. Nesse sentido, reafirmamos nosso prop\u00f3sito de n\u00e3o deixar nunca mais os anos finais [do ensino fundamental] serem uma etapa esquecida\u201d, defendeu.<\/p>\n<p><strong>Acolhimento <\/strong><br \/>\nNo quesito \u201cacolhimento e pertencimento\u201d, 66% dos mais jovens disseram que se sentem acolhidos pela escola &#8211; 27% veem a experi\u00eancia como parcial e 7% discordam. J\u00e1 entre os mais velhos, apenas 54% sentem-se amparados, 33% se consideram \u201cmais ou menos\u201d acolhidos e 13% discordam.<\/p>\n<p>Na mesma tem\u00e1tica, 75% dos estudantes dos 6\u00ba e 7\u00ba anos afirmaram que confiam em pelo menos um adulto na escola, mas apenas 58% sentem-se verdadeiramente acolhidos por esses adultos. Entre os do 8\u00ba e 9\u00ba anos, o percentual de acolhimento cai para 45%.<\/p>\n<p>A pesquisa destaca que, em escolas com maior propor\u00e7\u00e3o de estudantes em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, 69% percebem a escola como espa\u00e7o de acolhimento, contra 56% em contextos de menor vulnerabilidade.<\/p>\n<p><strong>Socializa\u00e7\u00e3o <\/strong><br \/>\nAo investigar como os alunos se sentem em rela\u00e7\u00e3o aos relacionamentos e \u00e0 socializa\u00e7\u00e3o na escola, 65% dos estudantes dos 6\u00ba e 7\u00ba anos concordam que a escola favorece amizades e intera\u00e7\u00f5es sociais, com 29% considerando \u201cmais ou menos\u201d e 6% discordando. Para os do 8\u00ba e 9\u00ba anos, 55% concordam, 35% avaliam como \u201cmais ou menos\u201d e 10% discordam.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio destaca ainda que oito em cada dez estudantes (84% nos 6\u00ba e 7\u00ba anos e 83% nos 8\u00ba e 9\u00ba anos) t\u00eam amigos com quem gostam de estar na escola. No entanto, o estudo alerta para os desafios na rela\u00e7\u00e3o aluno-professor: apenas 39% dos mais novos e 26% dos mais velhos afirmam respeitar e valorizar os professores.<\/p>\n<p>A aluna da rede p\u00fablica de ensino de Rio Branco, Dandara Vieira Melo, de 13 anos, que estava bastante atrasada nos estudos devido a mudan\u00e7as de munic\u00edpio e outras quest\u00f5es familiares, foi atendida no Programa Travessia, iniciativa do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) para o Brasil, juntamente com governo do Acre.<\/p>\n<p>Ao diminuir a distor\u00e7\u00e3o idade-s\u00e9rie, a adolescente v\u00ea a escola de outra forma. \u201c\u00c9 um lugar para que eu possa aprender mais, conhecer novas culturas, novas pessoas e para fazer novas amizades\u201d, definiu Dandara, que estava presente no lan\u00e7amento da pesquisa.<\/p>\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o <\/strong><br \/>\nSobre os conte\u00fados e conhecimentos que consideram mais importante para o seu desenvolvimento, os estudantes mais novos citaram as disciplinas tradicionais (48%), seguido pela categoria corpo e socioemocional (31%) que inclui temas como esportes, bem-estar e sa\u00fade mental. Na sequ\u00eancia aparecem as chamadas habilidades para o futuro (21%), como educa\u00e7\u00e3o financeira e tecnologia, seguida pelo tema \u201cdireitos e sustentabilidade (13%).<\/p>\n<p>Entre os alunos do 8\u00ba e 9\u00ba anos, as disciplinas tradicionais s\u00e3o apontas por 38% como muito importante para o desenvolvimento, seguida pela dimens\u00e3o corpo e socioemocional (29%), habilidades para o futuro (24%) e direitos e sustentabilidade (13%).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os chamados anos finais do ensino fundamental \u2013 que compreendem o 6\u00ba, 7\u00b0, 8\u00ba e 9 \u00ba anos \u2013 s\u00e3o considerados uma etapa escolar peculiar, que enfrenta desafios pr\u00f3prios ao reunir os estudantes que est\u00e3o na transi\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia para a adolesc\u00eancia. 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