{"id":364663,"date":"2025-09-19T01:00:57","date_gmt":"2025-09-19T04:00:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=364663"},"modified":"2025-09-19T04:48:45","modified_gmt":"2025-09-19T07:48:45","slug":"nao-ouco-mais-bach-por-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/nao-ouco-mais-bach-por-hoje\/","title":{"rendered":"N\u00c3O OU\u00c7O MAIS BACH POR HOJE!"},"content":{"rendered":"<p>A julgar pela m\u00fasica e pela literatura produzidas, um dos per\u00edodos mais f\u00e9rteis da hist\u00f3ria do Ocidente foi aquele em que ocorreu o fen\u00f4meno cultural que chamamos de barroco. Toda a dor da morte, ainda n\u00e3o definitiva, do Deus crist\u00e3o e seus mitos, toda a ang\u00fastia diante de uma hegemonia burguesa ainda por se formar, toda a tristeza diante de um mundo de opress\u00f5es coloniais e do mundo do trabalho ainda n\u00e3o inteiramente consolidados, todo o cinismo necess\u00e1rio aos homens e mulheres dedicados \u00e0 criatividade e ao conhecimento, tudo, enfim, que re\u00fane a consci\u00eancia do terr\u00edvel e maravilhoso mundo do capitalismo ainda, em est\u00e1gio inicial, est\u00e1 expresso no Chiaroscuro e na arte de luz e sombras do barroco. N\u00e3o havia mais o sublime e tamb\u00e9m n\u00e3o existia a cis\u00e3o entre arte popular e arte erudita. Os artistas n\u00e3o eram nem \u00eddolos pop e nem intelectuais de classe plenamente consolidados. A melancolia c\u00ednica, n\u00e3o, pat\u00e9tica, do barroco me corta ao meio. Alguns de seus arabescos e imprecis\u00f5es s\u00e3o quase arte zen. O Ocidente ainda n\u00e3o havia cedido terreno inteiramente ao cinismo racionalista em que mergulharia. As falsas promessas de progresso ainda n\u00e3o predominavam.<\/p>\n<p>O que a arte barroca, de certa forma, prefigura e antecipa \u00e9 terr\u00edvel e magn\u00edfico. N\u00e3o mais sublime e nem vulgar, nem arte para ser contemplada e nem arte para ser consumida pelo mercado. Arte para um Deus agonizante e para o Diabo da vida burguesa vazia de transcend\u00eancia e plena das promessas v\u00e3s do consumo.<\/p>\n<p>Agora, vivendo em pleno per\u00edodo de come\u00e7o da decad\u00eancia daquele mundo, ent\u00e3o, nascente, e na periferia dele, eu me pergunto com a c\u00ednica melancolia barroca que me resta: sobreviveremos ao Ocidente e ao capitalismo, sua mais maravilhosa e terribil\u00edssima constru\u00e7\u00e3o, ou seus deuses mortos e \u00eddolos laicos ir\u00e3o destro\u00e7ar completamente a n\u00f3s e ao planeta em sua derrocada?<\/p>\n<p>Vou ouvir Kitaro ou um bom samba do Jorge Arag\u00e3o, enquanto espero pela resposta que n\u00e3o vir\u00e1. N\u00e3o ou\u00e7o mais Bach por hoje!<\/p>\n<p><strong>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/strong><\/p>\n<p><strong>Claudio Carvalho publicou poemas, contos, romances, livros acad\u00eamicos, ensaios. Ativo participante de saraus liter\u00e1rios. Teve pe\u00e7as de teatro montadas. Fez letras de m\u00fasica popular. Seus trabalhos liter\u00e1rios mais recentes s\u00e3o: \u201cO Canal,\u201d \u201c365-D: a corda esticada entre o vazio e a coisa amada\u201d, \u201cNingu\u00e9m Escreve por mim: textos da Oficina A Palavra Escrita, Hist\u00f3ria e Pr\u00e1tica 2023\u201d e \u201cCem, Sem, Zen: Sonetos\u201d. Graduado em Hist\u00f3ria. Mestre e Doutor em Vern\u00e1culas e p\u00f3s-doc em Estudos Culturais. Professor do Instituto Nacional de Educa\u00e7\u00e3o de Surdos, no Ensino Superior. Coordena a Oficina Palavra Escrita: Hist\u00f3ria e Pr\u00e1tica. Membro efetivo da Uni\u00e3o Brasileira de Escritores (UBE-RJ)<\/strong><\/p>\n<p><strong>@claudiocarvalhoautor<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A julgar pela m\u00fasica e pela literatura produzidas, um dos per\u00edodos mais f\u00e9rteis da hist\u00f3ria do Ocidente foi aquele em que ocorreu o fen\u00f4meno cultural que chamamos de barroco. 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