{"id":364725,"date":"2025-09-19T07:26:13","date_gmt":"2025-09-19T10:26:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=364725"},"modified":"2025-09-19T07:26:13","modified_gmt":"2025-09-19T10:26:13","slug":"nordeste-vive-entre-as-promessas-de-modernizacao-e-a-realidade-das-ruas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/nordeste-vive-entre-as-promessas-de-modernizacao-e-a-realidade-das-ruas\/","title":{"rendered":"Nordeste vive entre as promessas de moderniza\u00e7\u00e3o e a realidade das ruas"},"content":{"rendered":"<p>Recife, Salvador, Fortaleza, Macei\u00f3, Teresina. Diferentes capitais nordestinas, mas com um problema em comum: a mobilidade urbana. Em 2025, os gargalos do transporte p\u00fablico e da circula\u00e7\u00e3o de pessoas nas grandes cidades da regi\u00e3o se tornam cada vez mais evidentes, revelando um cen\u00e1rio em que os projetos de moderniza\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o d\u00e3o conta da velocidade com que a popula\u00e7\u00e3o cresce e demanda melhores condi\u00e7\u00f5es de deslocamento.<\/p>\n<p>A base do transporte urbano no Nordeste continua sendo o \u00f4nibus, respons\u00e1vel por mais de 70% dos deslocamentos di\u00e1rios nas principais capitais. No entanto, as queixas se repetem: atrasos constantes, superlota\u00e7\u00e3o e frota envelhecida.<\/p>\n<p>Em Salvador, onde circulam cerca de 2.300 \u00f4nibus diariamente, usu\u00e1rios relatam esperar at\u00e9 40 minutos em pontos sem abrigo e enfrentar viagens longas em ve\u00edculos sem ar-condicionado. \u201cPasso quase tr\u00eas horas por dia dentro de \u00f4nibus. Saio de casa \u00e0s 5h30 da manh\u00e3 e s\u00f3 chego no trabalho \u00e0s 8h. No fim do dia, a mesma maratona\u201d, conta a balconista Luciana Santos, 28 anos, moradora de Cajazeiras.<\/p>\n<p>As iniciativas de diversifica\u00e7\u00e3o do transporte p\u00fablico esbarram em dificuldades financeiras e administrativas. O Metr\u00f4 do Recife, inaugurado em 1985 e considerado um dos maiores do Norte-Nordeste, sofre com falta de investimentos. Em 2024, o sistema enfrentou paralisa\u00e7\u00f5es por conta de sal\u00e1rios atrasados e manuten\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria.<\/p>\n<p>Em Fortaleza, o Ve\u00edculo Leve sobre Trilhos (VLT) do Parangaba-Mucuripe, projetado para reduzir o tr\u00e1fego em uma das \u00e1reas mais movimentadas da capital, ainda n\u00e3o atingiu sua capacidade plena. \u201c\u00c9 um projeto importante, mas a integra\u00e7\u00e3o com outros modais ainda \u00e9 limitada. Sem planejamento de rede, o VLT sozinho n\u00e3o resolve\u201d, analisa o urbanista Pedro Alc\u00e2ntara, professor da Universidade Federal do Cear\u00e1.<\/p>\n<p>A mobilidade urbana no Nordeste \u00e9 atravessada por uma quest\u00e3o estrutural: a desigualdade social. Nas periferias, a escassez de linhas regulares e a m\u00e1 conserva\u00e7\u00e3o das vias obrigam moradores a caminhar longos trechos ou depender de transportes clandestinos. Em Teresina, as chamadas \u201clota\u00e7\u00f5es\u201d ainda funcionam como alternativa informal para compensar a baixa cobertura dos \u00f4nibus.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o transporte individual, sobretudo motocicletas, tornou-se solu\u00e7\u00e3o improvisada. No interior e em cidades m\u00e9dias, o motot\u00e1xi \u00e9 mais do que uma comodidade \u2014 \u00e9 uma necessidade. Essa tend\u00eancia, por\u00e9m, vem acompanhada do aumento no n\u00famero de acidentes: segundo dados da Secretaria de Sa\u00fade do Cear\u00e1, mais de 60% das v\u00edtimas de tr\u00e2nsito atendidas em hospitais estaduais em 2024 eram motociclistas.<\/p>\n<p>O crescimento de aplicativos de transporte como Uber, 99 e motot\u00e1xi por app mudou a din\u00e2mica da mobilidade nos grandes centros nordestinos. Em cidades como Recife e Salvador, esses servi\u00e7os ganharam espa\u00e7o entre usu\u00e1rios de classe m\u00e9dia, mas enfrentam resist\u00eancia de taxistas e motoristas de \u00f4nibus, al\u00e9m de desafios regulat\u00f3rios.<\/p>\n<p>\u201cEsses aplicativos melhoraram minha mobilidade, mas n\u00e3o s\u00e3o acess\u00edveis para todos. Uma corrida que custa R$ 15 equivale a quase duas passagens de \u00f4nibus. Para quem ganha um sal\u00e1rio m\u00ednimo, n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o di\u00e1ria\u201d, observa o estudante Anderson Oliveira, 22 anos, de Recife.<\/p>\n<p>Apesar das dificuldades, projetos de moderniza\u00e7\u00e3o apontam novos caminhos. Salvador ampliou faixas exclusivas para \u00f4nibus e aposta em corredores BRT, enquanto Fortaleza investe em ciclovias e em sistemas de bicicletas compartilhadas. Recife, por sua vez, incluiu metas de mobilidade sustent\u00e1vel em seu Plano Diretor, priorizando a integra\u00e7\u00e3o entre \u00f4nibus, metr\u00f4 e bicicletas.<\/p>\n<p>O desafio \u00e9 transformar planos em realidade. \u201cO Nordeste tem potencial para liderar experi\u00eancias de mobilidade inclusiva e sustent\u00e1vel no Brasil, mas isso exige vis\u00e3o de longo prazo, participa\u00e7\u00e3o social e recursos est\u00e1veis\u201d, destaca Carla Menezes, especialista em planejamento urbano.<\/p>\n<p>Enquanto autoridades defendem obras de infraestrutura e parcerias p\u00fablico-privadas, a vida cotidiana nas cidades nordestinas continua marcada por filas, atrasos e longas horas de deslocamento. Entre o transporte p\u00fablico que n\u00e3o atende e as alternativas caras ou arriscadas, a mobilidade urbana segue sendo um dos maiores entraves para a qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o que permanece \u00e9: at\u00e9 quando o direito de ir e vir ser\u00e1 um privil\u00e9gio, e n\u00e3o uma garantia, para milh\u00f5es de nordestinos?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recife, Salvador, Fortaleza, Macei\u00f3, Teresina. Diferentes capitais nordestinas, mas com um problema em comum: a mobilidade urbana. Em 2025, os gargalos do transporte p\u00fablico e da circula\u00e7\u00e3o de pessoas nas grandes cidades da regi\u00e3o se tornam cada vez mais evidentes, revelando um cen\u00e1rio em que os projetos de moderniza\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o d\u00e3o conta da velocidade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":364730,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[165],"tags":[],"class_list":["post-364725","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nordeste"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/364725","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=364725"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/364725\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":364726,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/364725\/revisions\/364726"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/364730"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=364725"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=364725"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=364725"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}