{"id":364748,"date":"2025-09-24T00:00:33","date_gmt":"2025-09-24T03:00:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=364748"},"modified":"2025-09-19T09:11:30","modified_gmt":"2025-09-19T12:11:30","slug":"boitata","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/boitata\/","title":{"rendered":"Boitat\u00e1"},"content":{"rendered":"<p>\u201cMist\u00e9rio sempre h\u00e1 de pintar por a\u00ed\u201d, ensinaram Gil e Caetano. At\u00e9 mesmo no \u00e1rido ambiente acad\u00eamico.<\/p>\n<p>O historiador Fernando Veloso convidou seu colega de universidade, o antrop\u00f3logo Eduardo Martins, para jantar em sua casa. Depois foram para uma salinha aconchegante, junto \u00e0 sala de jantar, e sentaram-se em poltronas pr\u00f3ximas uma da outra. A empregada serviu-lhes um caf\u00e9 de aroma delicioso e um conhaque, retirando-se em seguida. Os dois tomaram o caf\u00e9 e come\u00e7aram a saborear o conhaque. Minutos depois, Eduardo quebrou o sil\u00eancio.<\/p>\n<p>&#8211; Bom jantar, bom caf\u00e9, bom conhaque&#8230; Mas chega de mist\u00e9rio, Fernando. Conte por que me chamou aqui.<\/p>\n<p>&#8211; Uma amiga me enviou um relato perturbador, e que tem a ver com seu campo de pesquisa, mitos ind\u00edgenas&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; E afro-brasileiros \u2013 interrompeu Eduardo.<\/p>\n<p>&#8211; Sim, ind\u00edgenas e afro-brasileiros \u2013 concordou Fernando, contrariado com a interrup\u00e7\u00e3o. \u2013 Mas pe\u00e7o que n\u00e3o me interrompa, a hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 muito longa.<\/p>\n<p>Bebeu um gole de conhaque, tomou f\u00f4lego e prosseguiu.<\/p>\n<p>&#8211; Interior do Paran\u00e1, d\u00e9cada de 1960. Um homem, montado a cavalo, encontra uma mulher numa estradinha de terra e a chicoteia at\u00e9 tirar sangue. Por qu\u00ea, o relato n\u00e3o explica. Talvez ele estivesse b\u00eabado, ou a chamou para transar e ela recusou, ou ela quis fazer e era feia e ele se ofendeu&#8230;Talvez ele simplesmente gostasse de bater de rebenque em mulheres&#8230; O importante \u00e9 que ela jurou vingan\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8211; Meses depois, durante a Semana Santa, o homem cavalgava \u00e0 noite quando viu uma luz que vinha na sua dire\u00e7\u00e3o, aumentando de tamanho \u00e0 medida que se aproximava. Apavorado, fez o cavalo galopar de volta pra casa a toda velocidade; j\u00e1 diante do seu s\u00edtio, sentiu o animal arquear o lombo e quase cair; voltou-se e viu a mulher na garupa, envolta em fogo. Sorrindo mal\u00e9vola, ela rosnou: \u201cFalei que ia me vingar!\u201d.<\/p>\n<p>&#8211; E&#8230; \u2013 tentou perguntar Eduardo. O narrador o ignorou.<\/p>\n<p>&#8211; O homem saltou da sela, rolou no ch\u00e3o e correu para casa, trancando a porta segundos antes de ser dilacerado pelos dentes e unhas da apari\u00e7\u00e3o. Esta rodeava a casa de madeira, brilhando como fogo e dando gargalhadas. O homem lembrou-se de que o fogo podia neutralizar seres ligados a esse elemento; conseguiu recuperar uma pequena brasa que morria no fog\u00e3o a lenha, alimentou-a cuidadosamente com gravetos e tiras arrancadas de suas roupas, pois n\u00e3o havia lenha dentro da casa, e produziu um fogo de boas propor\u00e7\u00f5es. S\u00f3 ent\u00e3o a coisa do lado de fora desapareceu. Ele ficou paral\u00edtico, nunca mais conseguiu andar, mas contou a todos do vilarejo que quase morrera, perseguido pelo boitat\u00e1.<\/p>\n<p>Fernando tomou outro gole de conhaque.<\/p>\n<p>&#8211; Fim do relato. E ent\u00e3o, Eduardo?<\/p>\n<p>&#8211; Boitat\u00e1? \u2013 explodiu o convidado. \u2013 Uma cobra de fogo das lendas ind\u00edgenas torna-se uma mulher dos sert\u00f5es paranaenses? Crendices para assustar matutos!<\/p>\n<p>&#8211; Eduardo \u2013 falou mansamente Fernando \u2013, h\u00e1 um antrop\u00f3logo escondido em algum lugar dentro de voc\u00ea. Pergunte a ele o que ele pensa&#8230;<\/p>\n<p>Desarmado pela delicada ironia, Eduardo sorriu e respondeu:<\/p>\n<p>&#8211; Bem, \u201cmeu\u201d antrop\u00f3logo diria que \u00e9 poss\u00edvel uma supersti\u00e7\u00e3o ind\u00edgena se transformar numa cren\u00e7a de popula\u00e7\u00f5es interioranas cat\u00f3licas, a Semana Santa \u00e9 um elemento importante nesse relato. Mas boitat\u00e1? A cobra de fogo dos nativos n\u00e3o passava de fogo-f\u00e1tuo, luminosidade que aparece \u00e0 noite em \u00e1reas pantanosas ou cemit\u00e9rios, quando queimam os gases provenientes da decomposi\u00e7\u00e3o de materiais org\u00e2nicos. \u2013 Mudando de rumo, perguntou:<\/p>\n<p>&#8211; A pessoa que mandou esse relato \u00e9 confi\u00e1vel?<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 uma pedagoga paranaense chamada Olga, de bom n\u00edvel cultural. Ela me informou que ouviu o relato quando criancinha, contado pela pr\u00f3pria v\u00edtima do boitat\u00e1. \u2013 E prosseguiu, quando Eduardo j\u00e1 se preparava para interromp\u00ea-lo:<\/p>\n<p>&#8211; E Olga est\u00e1 em boa companhia. O primeiro relato sobre o boitat\u00e1, a \u201ccobra de fogo\u201d dos ind\u00edgenas, foi escrito pelo padre Jos\u00e9 de Anchieta, o fundador de S\u00e3o Paulo, em 1560.<\/p>\n<p>&#8211; Anchieta e Olga que me perdoem, mas n\u00e3o acredito em nada disso \u2013 cortou Eduardo. \u2013 Existe, por\u00e9m, um elemento antropologicamente interessante no relato: a oposi\u00e7\u00e3o entre o fogo \u201cnatural\u201d \u2013 ou, no caso, \u201csobrenatural\u201d \u2013 e o fogo \u201ccultural\u201d, produzido pelo homem.<\/p>\n<p>Olhou para o rel\u00f3gio, franziu as sobrancelhas com ar preocupado e continuou:<\/p>\n<p>&#8211; Por causa desse elemento estrutural, vou autorizar uma pesquisa de campo no interior do Paran\u00e1. \u00c9 o que voc\u00ea queria, n\u00e3o? \u2013 E num tom malicioso. \u2013 Verifique com sua amiguinha o local exato onde teria ocorrido a investida do boitat\u00e1, para reduzir a \u00e1rea a ser investigada \u2013 E concluiu:<\/p>\n<p>\u2013 Agora vou pra casa, j\u00e1 \u00e9 tarde.<\/p>\n<p>Fernando tocou uma campainha para chamar a empregada e pediu-lhe que trouxesse o casaco do professor Martins. Logo depois, a jovem entregou-lhe o casaco, tocou-o com a m\u00e3o \u2013 e Eduardo caiu fulminado.<\/p>\n<p>Fernando olhou-a aturdido, sem acreditar no que vira.<\/p>\n<p>&#8211; Ele ia perturbar minhas irm\u00e3zinhas do interior \u2013 disse a mo\u00e7a, cujo corpo parecia reluzir. \u2013 Mas n\u00e3o se preocupe, o cad\u00e1ver vai virar cinza rapidinho e voc\u00ea n\u00e3o corre risco de vida, pelo menos ainda n\u00e3o. \u2013 Balan\u00e7ou a cabe\u00e7a. \u2013 Voc\u00eas acad\u00eamicos s\u00e3o engra\u00e7ados. Aquele imbecil morto escreveu sobre o orix\u00e1 Xang\u00f4, que podia se transformar em chama, por\u00e9m considerava crendice que entidades ind\u00edgenas tivessem os mesmos poderes&#8230;E quem disse que somos ind\u00edgenas, que Xang\u00f4 era iorub\u00e1, que os deuses do Olimpo, senhores do rel\u00e2mpago e do fogo, eram gregos? Por que seres de energia n\u00e3o poderiam se materializar em determinadas culturas, moldando-as e acelerando sua evolu\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 o que voc\u00eas s\u00e3o? Seres de emergia? \u2013 indagou Fernando.<\/p>\n<p>&#8211; O que voc\u00ea acha, depois de ver como acabei com aquele pedante? Ele escreveu artigos eruditos sobre as ro\u00e7as junto aos terreiros de candombl\u00e9, espa\u00e7os m\u00e1gicos, de trocas entre o mundo urbano dos homens e a mata, dom\u00ednio da natureza e de seres sobrenaturais. Mas nunca percebeu que, num pa\u00eds t\u00e3o vasto como o Brasil, h\u00e1 muitos mais seres desse tipo, que jamais foram listados pelos antrop\u00f3logos. \u2013 Sorriu e continuou: \u2013 Pense no interior do Brasil como uma a vasta ro\u00e7a de candombl\u00e9. \u00c9 l\u00e1 que os mist\u00e9rios pintam, \u00e9 l\u00e1 que a magia acontece.<\/p>\n<p>Dirigiu-lhe um olhar sedutor, mas sem toc\u00e1-lo.<\/p>\n<p>&#8211; Sabe, pensei em poupar sua vida e at\u00e9 em transar com voc\u00ea. Mas h\u00e1 impulsos mais antigos, necessidades mais primordiais&#8230; Entre elas est\u00e1 a de assumir minha antiga forma, aquela com que me ofereci aos olhos apavorados do padre Anchieta. Outra necessidade \u00e9 a de realizar meus desejos&#8230; Mo\u00e7o, transar \u00e9 uma del\u00edcia, mas enrodilhar-se na presa e devor\u00e1-la lentamente \u00e9 muito mais!<\/p>\n<p>Em seguida, a jovem assumiu a apar\u00eancia de uma cobra de fogo. Em seu corpo sucediam-se ininterruptamente todos os matizes do vermelho e do dourado. Era um espet\u00e1culo deslumbrante, o que tornava ainda mais horr\u00edvel o contraste com o gigantesco focinho brutal de serpente, de presas expostas, pronta para golpear.<\/p>\n<p>Fernando come\u00e7ou a gritar.<\/p>\n<p>&#8211; Isso, querido. Ponha pra fora seus medos \u2013 falou o ser monstruoso, com um leve sibilar de serpente. \u2013 Voc\u00eas humanos n\u00e3o fazem ideia de como apreciamos suas emo\u00e7\u00f5es primordiais, entre elas o terror. \u2013 Enrolou-se no professor que gritava sem parar e explicou. \u2013 Quando eu apertar seu corpo, seus ossos quebrar\u00e3o. Vai ser muito doloroso, mas voc\u00ea n\u00e3o vai morrer de dor ou de medo. \u2013 E concluiu. \u2013 Vai morrer aos poucos, \u00e0 medida que minhas presas, cravadas em seu pesco\u00e7o, sugarem sua energia vital e introduzirem em seu organismo o fogo dos deuses!<\/p>\n<p>Uns 20 minutos depois, Fernando estava reduzido a um punhado de cinzas, que o vento logo dispersaria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cMist\u00e9rio sempre h\u00e1 de pintar por a\u00ed\u201d, ensinaram Gil e Caetano. At\u00e9 mesmo no \u00e1rido ambiente acad\u00eamico. O historiador Fernando Veloso convidou seu colega de universidade, o antrop\u00f3logo Eduardo Martins, para jantar em sua casa. Depois foram para uma salinha aconchegante, junto \u00e0 sala de jantar, e sentaram-se em poltronas pr\u00f3ximas uma da outra. 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