{"id":364827,"date":"2025-09-20T09:59:46","date_gmt":"2025-09-20T12:59:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=364827"},"modified":"2025-09-20T09:59:46","modified_gmt":"2025-09-20T12:59:46","slug":"mulheres-comandam-transformacao-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/mulheres-comandam-transformacao-do-nordeste\/","title":{"rendered":"Mulheres comandam transforma\u00e7\u00e3o do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>O Nordeste sempre foi sin\u00f4nimo de resist\u00eancia e luta. No entanto, nos \u00faltimos anos, uma mudan\u00e7a silenciosa, mas profunda, vem ganhando espa\u00e7o na regi\u00e3o: o protagonismo feminino. Seja na agricultura familiar, no empreendedorismo urbano, nas universidades ou em movimentos sociais, as mulheres nordestinas est\u00e3o ocupando posi\u00e7\u00f5es antes negadas a elas e transformando a realidade de suas comunidades.<\/p>\n<p>O acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o tem sido o motor dessa revolu\u00e7\u00e3o. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) apontam que, em estados como Cear\u00e1 e Rio Grande do Norte, as mulheres j\u00e1 representam mais de 55% do total de matr\u00edculas em cursos universit\u00e1rios.<\/p>\n<p>Para a soci\u00f3loga Maria do Carmo Andrade, pesquisadora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), essa conquista \u00e9 decisiva:<\/p>\n<p>\u201cAs mulheres nordestinas sempre foram pilares da fam\u00edlia e da comunidade, mas historicamente lhes faltava acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o formal. Hoje, ao se tornarem maioria nas universidades, elas n\u00e3o apenas conquistam espa\u00e7o no mercado de trabalho, mas tamb\u00e9m redefinem pap\u00e9is sociais.\u201d<\/p>\n<p>Essa presen\u00e7a nas salas de aula tem reflexo direto na economia. Em Pernambuco, por exemplo, o n\u00famero de mulheres em cursos de engenharia cresceu 30% nos \u00faltimos dez anos, sinalizando uma mudan\u00e7a tamb\u00e9m em \u00e1reas tradicionalmente dominadas por homens.<\/p>\n<p>Outro campo em que o protagonismo feminino desponta \u00e9 o empreendedorismo. Relat\u00f3rio do Sebrae de 2024 revela que quatro em cada dez pequenos neg\u00f3cios nordestinos s\u00e3o liderados por mulheres. Em muitos casos, essas iniciativas nasceram da necessidade de complementar a renda familiar, mas acabaram se transformando em verdadeiras redes de gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda.<\/p>\n<p>No sert\u00e3o do Piau\u00ed, a artes\u00e3 Luciana Mendes, de 34 anos, criou uma cooperativa de bordadeiras que exporta pe\u00e7as para a Europa. \u201cAntes, cada uma trabalhava sozinha e n\u00e3o consegu\u00edamos viver apenas do artesanato. Hoje, com a cooperativa, temos acesso a mercados maiores, treinamentos e at\u00e9 exportamos. Isso mudou nossas vidas\u201d, conta.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m do mercado, as mulheres nordestinas est\u00e3o na linha de frente de movimentos sociais. No semi\u00e1rido, grupos liderados por agricultoras organizam cisternas comunit\u00e1rias, garantindo \u00e1gua pot\u00e1vel para centenas de fam\u00edlias. J\u00e1 no litoral, projetos de turismo sustent\u00e1vel, coordenados por mulheres, conciliam preserva\u00e7\u00e3o ambiental e gera\u00e7\u00e3o de renda.<\/p>\n<p>A agricultora cearense Francisca Alves, de Quixeramobim, coordena um coletivo de mulheres que produz polpas de frutas destinadas \u00e0 merenda escolar. Aos 52 anos, ela se orgulha da transforma\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201cA gente sempre trabalhou, mas era invis\u00edvel. Agora, somos reconhecidas, temos renda pr\u00f3pria e participamos das decis\u00f5es da comunidade. Isso \u00e9 independ\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p>Apesar das conquistas, o caminho ainda \u00e9 desafiador. Muitas mulheres nordestinas enfrentam jornadas duplas e at\u00e9 triplas, dividindo o tempo entre trabalho, casa e estudo. Al\u00e9m disso, quest\u00f5es como desigualdade salarial e viol\u00eancia de g\u00eanero ainda persistem.<\/p>\n<p>Mesmo assim, elas reinventam formas de resistir. No campo cultural, por exemplo, lideram grupos de maracatu, quadrilhas juninas e projetos de literatura de cordel, reafirmando a identidade nordestina. Na pol\u00edtica, ainda sub-representadas, v\u00eam ampliando sua presen\u00e7a em c\u00e2maras municipais e assembleias legislativas.<\/p>\n<p>Especialistas afirmam que o protagonismo feminino \u00e9 pe\u00e7a-chave para o desenvolvimento sustent\u00e1vel do Brasil. Segundo a ONU Mulheres, investir na autonomia econ\u00f4mica de mulheres pode aumentar o PIB de pa\u00edses em at\u00e9 30%. No caso do Nordeste, isso significa n\u00e3o apenas crescimento econ\u00f4mico, mas tamb\u00e9m redu\u00e7\u00e3o da pobreza e maior equidade social.<\/p>\n<p>\u201cA independ\u00eancia feminina \u00e9, ao mesmo tempo, econ\u00f4mica, cultural e pol\u00edtica. O Nordeste est\u00e1 dando exemplo ao pa\u00eds de como as mulheres podem liderar processos de transforma\u00e7\u00e3o profunda\u201d, conclui a soci\u00f3loga Maria do Carmo Andrade.<\/p>\n<p>Mais do que n\u00fameros e estat\u00edsticas, o que se v\u00ea no cotidiano nordestino \u00e9 a for\u00e7a de mulheres que nunca desistiram, mesmo diante das adversidades. Elas representam a resist\u00eancia hist\u00f3rica de um povo que aprendeu a florescer mesmo em meio \u00e0 seca.<\/p>\n<p>E se antes eram invis\u00edveis, hoje elas ocupam manchetes, lideram projetos, comandam empresas e transformam realidades. A mulher nordestina, s\u00edmbolo de coragem e esperan\u00e7a, mostra que o futuro do Brasil tamb\u00e9m se escreve com sua voz firme, suas m\u00e3os trabalhadoras e sua vis\u00e3o de mudan\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Nordeste sempre foi sin\u00f4nimo de resist\u00eancia e luta. 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