{"id":365553,"date":"2025-09-27T00:00:50","date_gmt":"2025-09-27T03:00:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=365553"},"modified":"2025-09-27T09:49:18","modified_gmt":"2025-09-27T12:49:18","slug":"sociedade-de-reumatologia-defende-mais-centros-de-infusao-no-sus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/sociedade-de-reumatologia-defende-mais-centros-de-infusao-no-sus\/","title":{"rendered":"Sociedade de Reumatologia defende mais centros de infus\u00e3o no SUS"},"content":{"rendered":"<p>Desde 2003, Fernando Henrique dos Santos, 42 anos, sofre com fortes dores, principalmente na coluna. Em 2018, ap\u00f3s receber um diagn\u00f3stico de artrite reumatoide &#8211; uma doen\u00e7a inflamat\u00f3ria cr\u00f4nica que pode afetar v\u00e1rias articula\u00e7\u00f5es \u2013 ele foi afastado do trabalho. Em uma de suas \u00faltimas consultas m\u00e9dicas realizadas neste ano, no entanto, seu diagn\u00f3stico foi alterado para espondilite anquilosante, uma forma de artrite inflamat\u00f3ria que afeta principalmente a coluna vertebral.<\/p>\n<p>Por causa desses diagn\u00f3sticos, Santos precisa tomar um medicamento chamado infliximabe, que \u00e9 aplicado a cada oito semanas por meio de uma infus\u00e3o &#8211; e que \u00e9 de alto custo. O medicamento ele consegue de forma gratuita na cidade onde mora. Por\u00e9m, o tratamento \u00e9 mais complicado.<\/p>\n<p>Morador de Guarulhos, na Grande S\u00e3o Paulo, Santos precisava ir at\u00e9 a cidade de Mogi das Cruzes, tamb\u00e9m na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, para que o medicamento pudesse ser aplicado com seguran\u00e7a. Esse servi\u00e7o era oferecido pelo laborat\u00f3rio que fabricava o rem\u00e9dio e que tinha um acordo com o governo estadual.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 feito uma infus\u00e3o que tem que ser [aplicada] com a equipe especializada\u201d, contou. Quando o contrato entre o laborat\u00f3rio e o governo foi rompido, ele teve que passar a fazer o procedimento em uma cl\u00ednica na zona leste da capital paulista, por meio de seu conv\u00eanio m\u00e9dico, j\u00e1 que o servi\u00e7o n\u00e3o estava dispon\u00edvel pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS).<\/p>\n<p>\u201cEu estou afastado do servi\u00e7o, ent\u00e3o eu tenho essa possibilidade de estar me deslocando [entre Guarulhos e a capital paulista]. Para mim, isso n\u00e3o \u00e9 problema. A minha maior dificuldade \u00e9 o tratamento em si: pelo SUS eu n\u00e3o consigo [fazer o tratamento]\u201d, disse.<\/p>\n<p>Para a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), a falta de centros de infus\u00e3o no SUS e de protocolos para a aplica\u00e7\u00e3o de medicamentos coloca em risco o tratamento de doen\u00e7as cr\u00f4nicas autoimunes e raras e a perda de medicamentos de alto custo.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil durante o Congresso Brasileiro de Reumatologia, realizado entre os dias 17 e 20 de setembro em Salvador (BA), o reumatologista Vander Fernandes, coordenador da Comiss\u00e3o de Centros de Terapia Assistida da entidade afirmou que, embora muitos desses medicamentos sejam ofertados gratuitamente pelo sistema p\u00fablico, existe hoje \u201cum vazio entre o doente pegar o rem\u00e9dio e ir a algum lugar que v\u00e1 atend\u00ea-lo e fazer isso com seguran\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Muitas dessas medica\u00e7\u00f5es advindas de biotecnologia s\u00e3o de alto custo e, apesar do fornecimento pelo SUS, n\u00e3o h\u00e1 protocolos que determinem a rede de cuidados para a administra\u00e7\u00e3o dos medicamentos, que exige aten\u00e7\u00e3o especial na manipula\u00e7\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o, armazenamento e aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 mais de 25 anos que o SUS incorporou esta tecnologia no seu hall de aten\u00e7\u00e3o farmac\u00eautica, mas qual foi o erro desde o in\u00edcio? Desde que essa tecnologia de tratamento foi incorporada no SUS, entendeu-se que se tratava apenas de um rem\u00e9dio e colocou-se [esse medicamento] no componente especializado da assist\u00eancia farmac\u00eautica que atende os pacientes do SUS, fornecendo rem\u00e9dio diretamente aos pacientes. Cada um pega o seu, leva para casa e o usa. Mas isso n\u00e3o est\u00e1 certo. Estes s\u00e3o medicamentos que, \u00e0s vezes, precisa de um soro, de uma equipe de pr\u00e9-medica\u00e7\u00e3o para observar se n\u00e3o vai dar rea\u00e7\u00e3o adversa. Alguns desses medicamentos necessitam de infus\u00e3o longa, de duas a seis horas. E isso n\u00e3o foi contemplado em nenhum momento at\u00e9 hoje na hist\u00f3ria do SUS\u201d, refor\u00e7ou.<\/p>\n<p>Um dos preju\u00edzos provocados pela falta desses centros, esclareceu o reumatologista, \u00e9 que alguns dos rem\u00e9dios exigem assist\u00eancia no momento da aplica\u00e7\u00e3o e de um local adequado para dilui\u00e7\u00e3o e at\u00e9 armazenamento, j\u00e1 que alguns deles necessitam permanecer em temperaturas espec\u00edficas. Sem essas condi\u00e7\u00f5es, o medicamento perde a efic\u00e1cia.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 medicamentos que tem que ser armazenados numa determinada temperatura, em uma cadeia de frio, e que fora da temperatura, ele pode perder a sua qualidade, comprometendo ent\u00e3o a sua efic\u00e1cia e seguran\u00e7a\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, destacou o m\u00e9dico, esses centros seriam fundamentais para se observar poss\u00edveis intercorr\u00eancias ou rea\u00e7\u00f5es al\u00e9rgicas do paciente.<\/p>\n<p>\u201cNossa luta \u00e9 para que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade solte esse regramento [sobre os centros de terapia assistida], crie um financiamento para isso e para que os estados e munic\u00edpios possam aderir a essa pol\u00edtica, credenciar servi\u00e7os e a\u00ed sim, pleitear junto ao Minist\u00e9rio um recurso para pagar esses prestadores porque seria necess\u00e1rio ter isso em todas as cidades [do pa\u00eds]\u201d, disse Fernandes.<\/p>\n<p>&#8220;Tem pessoas que est\u00e3o com rem\u00e9dio na m\u00e3o e n\u00e3o tem onde fazer [a aplica\u00e7\u00e3o]. Isso n\u00e3o tem cabimento\u201d, refor\u00e7ou.<\/p>\n<p>Um levantamento feito pela Sociedade Brasileira de Reumatologia revelou que no Brasil existe apenas 61 centros de terapia assistida, sendo que a maioria \u00e9 privada e est\u00e1 concentrada na Regi\u00e3o Sudeste, principalmente em capitais e grandes cidades.<\/p>\n<p>Apesar de fazerem atendimentos tanto privados quanto p\u00fablicos, por meio dos programas de apoio da ind\u00fastria, somente 11 deles t\u00eam algum contrato com o SUS. A estimativa \u00e9 que cerca de 20 mil pacientes realizem tratamentos fornecidos pelo SUS com medicamentos imunobiol\u00f3gicos de aplica\u00e7\u00e3o infusional endovenosa, o que necessitaria de assist\u00eancia especializada para o seu uso.<\/p>\n<p>Em julho de 2023, a Biored Brasil, uma rede de associa\u00e7\u00f5es de pacientes, realizou uma pesquisa com 761 pacientes que recebem medicamentos de alto custo do SUS. Esse estudo indicou que 10% desses pacientes estavam sem acesso a aplica\u00e7\u00e3o e 46% afirmavam que n\u00e3o havia centro de terapia assistida pr\u00f3ximo ao local de resid\u00eancia onde poderiam fazer esta aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais da metade desses pacientes (55% do total) declararam pagar entre R$ 150 e R$ 200 por aplica\u00e7\u00e3o o que, segundo eles, causava um grande impacto \u00e0 renda familiar.<\/p>\n<p>Do total de pacientes entrevistados pela rede, apenas 20% declararam realizar a aplica\u00e7\u00e3o dos medicamentos em centros de terapia assistidas do SUS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 2003, Fernando Henrique dos Santos, 42 anos, sofre com fortes dores, principalmente na coluna. Em 2018, ap\u00f3s receber um diagn\u00f3stico de artrite reumatoide &#8211; uma doen\u00e7a inflamat\u00f3ria cr\u00f4nica que pode afetar v\u00e1rias articula\u00e7\u00f5es \u2013 ele foi afastado do trabalho. 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