{"id":365988,"date":"2025-10-03T01:15:35","date_gmt":"2025-10-03T04:15:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=365988"},"modified":"2025-10-01T23:51:58","modified_gmt":"2025-10-02T02:51:58","slug":"mirian-freitas-fala-a-sarah-munck-sobre-sua-obra-poetica-mais-recente-damascos-feridos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/mirian-freitas-fala-a-sarah-munck-sobre-sua-obra-poetica-mais-recente-damascos-feridos\/","title":{"rendered":"M\u00edrian Freitas fala a Sarah Munck sobre sua obra po\u00e9tica mais recente, Damascos Feridos"},"content":{"rendered":"<p>Conheci a escrita da autora anteriormente, por meio do livro <em>A mem\u00f3ria \u00e9 uma oficina de ossos<\/em> (Urutau, 2023). Desde ent\u00e3o, trago comigo os versos de \u201cpisca-alerta\u201d, que ressoam como um chamado \u00e0 vida em meio \u00e0 viol\u00eancia:<\/p>\n<p>\u201cHoje acordei<br \/>\npara alimentar os p\u00e1ssaros<br \/>\ne libertar as crian\u00e7as<br \/>\ndos cardumes da viol\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, compartilho uma aproxima\u00e7\u00e3o com a poesia de M\u00edrian Freitas a partir de sua obra mais recente, <em>Damascos Feridos<\/em> (Alpendre Liter\u00e1rio, 2025).<\/p>\n<p>M\u00edrian Freitas \u00e9 mineira e reside em Juiz de Fora. Doutora em Literatura Comparada pela UFF, lecionou em Massachusetts (EUA) e hoje \u00e9 professora do N\u00facleo de L\u00ednguas do Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais, institui\u00e7\u00e3o na qual tamb\u00e9m atuo.<\/p>\n<p>Entre as suas produ\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas e liter\u00e1rias, destacam-se <em>Intimidade vasculhadas<\/em> (7Letras\/Imprimatur, 2006), <em>Ex\u00edlios naufr\u00e1gios e outras passagens<\/em> (Patu\u00e1, 2016), <em>Quase<\/em> (JustFiction, 2019), Caio Fernando Abreu: <em>Uma po\u00e9tica da alteridade e da identidade<\/em> (Ensaio Ilustrado\/CRV, 2020), <em>Quando \u00e9ramos p\u00e1ssaros e outros poemas abissais<\/em> (Penalux, 2021), <em>Mosaico<\/em> (Sempre-viva editorial, 2022), Sua obra mais recente, <em>Damascos Feridos<\/em>, \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o independente publicada em 2025 sob o selo Alpendre Liter\u00e1rio.<\/p>\n<p>M\u00edrian Freitas tamb\u00e9m foi finalista dos pr\u00eamios VivaLeitura (MEC e MINC\/Gov. Brasil, 2016) e Cl\u00e1udio Willer de poesia, pela Uni\u00e3o Brasileira de Escritores de S\u00e3o Paulo (UBE\/SP, 2023).<\/p>\n<p>Foi a partir dessa for\u00e7a po\u00e9tica (capaz de conjugar den\u00fancia e compaix\u00e3o) que me aproximei de <em>Damascos Feridos<\/em>. Nesta conversa, quis entender como a poesia de M\u00edrian mant\u00e9m vivo o fio da mem\u00f3ria e da esperan\u00e7a quando tudo ao redor parece ruir.<\/p>\n<p><strong>O que significa escrever diante do horror? Como a palavra pode se tornar gesto de resist\u00eancia contra o apagamento?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 justamente sobre<em> Damascos feridos<\/em> que a entrevista se debru\u00e7ar\u00e1: uma obra em que a poesia se levanta contra o sil\u00eancio e faz da palavra um territ\u00f3rio de mem\u00f3ria e de luta:<\/p>\n<p>\u201cEnquanto homens de ferro lutam contra homens de barro<br \/>\nas crian\u00e7as de Gaza caminham sob as nuvens de fogos<br \/>\ncom os rostos machucados como damascos feridos<br \/>\n(e) acenam aos p\u00e1ssaros da morte<br \/>\ncom suas pequenas m\u00e3os de adeus.\u201d<\/p>\n<p>\u201cNoites incendiadas pelos roj\u00f5es de p\u00f3lvora<br \/>\nabrem feridas na pele de Gaza.<br \/>\nDo rosto da poesia e da revolu\u00e7\u00e3o<br \/>\nrenasce o ombro do ex\u00edlio<br \/>\npara escapar do abra\u00e7o da morte.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-365990\" src=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-01-at-18.34.42-202x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"202\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-01-at-18.34.42-202x300.jpeg 202w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-01-at-18.34.42.jpeg 403w\" sizes=\"auto, (max-width: 202px) 100vw, 202px\" \/><\/p>\n<p><strong>No livro <em>Damascos Feridos<\/em>, sua poesia parece erguer-se como um ato de resist\u00eancia e de mem\u00f3ria. Que papel voc\u00ea acredita que a poesia desempenha em contextos de guerra e apagamento, como o vivido pelo povo palestino?<\/strong><\/p>\n<p>A poesia \u00e9 testemunho de um tempo, de uma \u00e9poca. Homero, em Il\u00edada; Paul Celan, em Sete rosas mais tarde e outros, deixaram-nos seus arquivos po\u00e9ticos comprobat\u00f3rios de momentos que consagram a hist\u00f3ria como v\u00f3rtice das mem\u00f3rias de uma humanidade em flagelo. Portanto, em <em>Damascos Feridos<\/em>, o papel da poesia n\u00e3o \u00e9 diferente e cumpre sua \u201cmiss\u00e3o\u201d de armar o leitor para o combate, como tamb\u00e9m revelar ao mundo os horrores da guerra em toda a sua abomina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea homenageia Hiba Abu Nada, escritora palestina morta durante os bombardeios em Gaza, logo nos primeiros versos. Como foi o processo de aproxima\u00e7\u00e3o com a dor de uma mulher t\u00e3o distante geograficamente, mas t\u00e3o pr\u00f3xima em sua sensibilidade po\u00e9tica?<\/strong><\/p>\n<p>Hiba \u00e9 uma poeta (mulher) como eu e muitas outras que acreditam na arte como instrumento da verdade, que liberta e humaniza os povos. Por isso, quando soube de sua morte, sensibilizei-me. Ainda que n\u00e3o a tivesse conhecido sequer pelas m\u00eddias digitais, senti-me pr\u00f3xima a ela, pela afinidade com a literatura e me comovi com a maneira como ela resistiu e testemunhou o terrorismo sionista, expressando em seus versos \u2212 minutos antes de ser morta \u2212, o cen\u00e1rio dos incessantes ataques b\u00e9licos protagonizados por seus assassinos, em contraste a sua f\u00e9:<\/p>\n<p>\u201cA noite na cidade \u00e9 escura,<br \/>\nexceto pelo brilho dos m\u00edsseis;<br \/>\nsilenciosa, exceto pelo som do bombardeio;<br \/>\naterradora, exceto pela promessa lenitiva da ora\u00e7\u00e3o;<br \/>\ntenebrosa, exceto pela luz dos m\u00e1rtires\u201d.<\/p>\n<p><strong>Muitos dos seus poemas evocam imagens de alimentos, frutos, tecidos e paisagens: damascos, rom\u00e3s, hijabs, deserto. Como essas imagens simb\u00f3licas ajudam a construir uma Palestina viva, para al\u00e9m da destrui\u00e7\u00e3o que domina o notici\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p>O prop\u00f3sito do uso desses elementos simb\u00f3licos na poesia de <em>Damascos Feridos<\/em> \u00e9 justamente (re) construir a Palestina como um lugar de frutos doces, agridoces, cores terracota como as do deserto, flores, p\u00e1ssaros, \u00e1rvores, para que al\u00e9m do caos ao qual a linguagem \u00e9 submetida, possa ser poss\u00edvel acreditar que os sentimentos de alegria, generosidade e gentileza ainda resistam na boca do homem como um sinal de esperan\u00e7a diante dos tempos estranhamente obscuros.<\/p>\n<p><strong>A Palestina aparece em sua escrita como um territ\u00f3rio sagrado, mas tamb\u00e9m como um corpo dilacerado. Qual \u00e9 o desafio de escrever sobre uma dor que n\u00e3o \u00e9 sua diretamente, sem cair na apropria\u00e7\u00e3o, mas com empatia e responsabilidade?<\/strong><\/p>\n<p>A literatura tem a fun\u00e7\u00e3o de nos exercitar e de nos tornar capazes de chorar por um outro que n\u00e3o somos n\u00f3s, nem s\u00e3o os nossos. Ela desperta sentimentos de compaix\u00e3o, de fraternidade, de irmandade. Afinal, quem ser\u00edamos se n\u00e3o pud\u00e9ssemos esquecer por alguns instantes de n\u00f3s mesmos para pensar no outro? O que significa protestar contra o sofrimento alheio quando reconhecemos a sua exist\u00eancia? Ser emp\u00e1ticos \u00e0 dor do outro diante de cat\u00e1strofes humanit\u00e1rias como o genoc\u00eddio do povo palestino, tem sido o nosso compromisso maior em acolher o sofredor, seja ele quem for; esteja ele onde estiver. Posso dizer que n\u00e3o me senti capaz de olhar para aqueles corpos e almas dilaceradas e permanecer em sil\u00eancio. \u00c9 um repert\u00f3rio de crueldades dif\u00edceis de olhar de frente sem derramar sucessivas l\u00e1grimas. As desgra\u00e7as da guerra assombram e nos deixam menos esperan\u00e7osos no mundo, isso \u00e9 fato. Por\u00e9m, se nos calarmos, decretamos nossa morte; decretamos a morte da humanidade. Em <em>Damascos Feridos<\/em>, evidencio que a Palestina \u00e9 a terra dos pomares, a terra-mem\u00f3ria, a terra da poesia, das oliveiras, da f\u00e9 inabal\u00e1vel, porque n\u00e3o h\u00e1 povo nenhum no mundo que mere\u00e7a viver somente de mortes e desesperan\u00e7a. A Palestina \u00e9 uma terra f\u00e9rtil de grandeza humana incalcul\u00e1vel, pois, ela se tornou para o mundo, o pulm\u00e3o da resist\u00eancia e, consequentemente, da sobreviv\u00eancia, pois os palestinos muito t\u00eam nos ensinado sobre resili\u00eancia e amor, diante da ferocidade monstruosa do fascismo e da viol\u00eancia racista dos que querem extermin\u00e1-la.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea escreveu este livro em meio ao agravamento dos conflitos em Gaza, com cenas devastadoras atingindo o mundo todo. Como isso afetou sua escrita, isto \u00e9, houve momentos em que a poesia parecia insuficiente diante do horror? E, ainda assim, o que a fez continuar escrevendo?<\/strong><\/p>\n<p>A literatura \u00e9 um registro da hist\u00f3ria. Ela tamb\u00e9m \u00e9 um documento cr\u00edtico e humano de um pa\u00eds, de uma \u00e9poca; retrata, atrav\u00e9s da palavra, cen\u00e1rios e contextos sobre acontecimentos. A literatura \u00e9 um testemunho de resist\u00eancia, den\u00fancia e esperan\u00e7a. Portanto, a escrita de <em>Damascos Feridos<\/em> iniciou quando fui despertada por sentimentos de horror e repugn\u00e2ncia diante da guerra que despovoou, devastou, esquartejou, arrasou e destruiu a Faixa de Gaza. Enchi meus olhos de indigna\u00e7\u00e3o e sofrimento com aquele horror. Assim, tive a consci\u00eancia do sofrimento; tomei a dor da Palestina como minha e, cada verso escrito, ensejava o desejo de que a guerra tivesse um fim, de vez. As palavras s\u00e3o armas de combate e me senti como se estivesse l\u00e1, em meio aos escombros, lutando, defendo e salvando crian\u00e7as, m\u00e3es e todos os feridos que necessitavam de socorro. N\u00e3o duvidei das palavras, da tamanha for\u00e7a que delas emana. Prossegui escrevendo e quanto mais escrevia, mais ainda queria escrever, porque precisava \u201csalvar\u201d Gaza. E sinto que at\u00e9 hoje essa necessidade de proteger e salvar Gaza n\u00e3o acabou. Por mim, continuaria escrevendo, sem parar, na tentativa de deter o genoc\u00eddio contra o povo palestino. A guerra \u00e9 uma abomina\u00e7\u00e3o, uma barb\u00e1rie. \u00c9 preciso por fim \u00e0 guerra.<\/p>\n<p><strong>Isso \u00e9 poss\u00edvel atrav\u00e9s das palavras, da poesia?<\/strong><\/p>\n<p>O poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade em A rosa do povo tece um profundo di\u00e1logo com a segunda guerra mundial: \u201cMelancolias, mercadorias, espreitam-me. Devo seguir at\u00e9 o enjoo? Posso, sem armas, revoltar-me\u201d? A palavra, por si s\u00f3, pode n\u00e3o estancar uma guerra, mas ela nos contagia por um sentimento de resist\u00eancia, justi\u00e7a e esperan\u00e7a diante de imagens insuport\u00e1veis de cad\u00e1veres e de sobreviventes esquel\u00e9ticos nos campos de guerra. Atrav\u00e9s da palavra, reivindicamos a liberdade e a paz para aqueles que se encontram martirizados no c\u00e1rcere e nos por\u00f5es do submundo, controlados pelas m\u00e3os dos ditadores e dos tiranos.<\/p>\n<p>Encerrar esta entrevista com <strong>M\u00edrian Freitas<\/strong> \u00e9 reafirmar a poesia como pr\u00e1tica \u00e9tica e horizonte de humanidade. Ao falar da Palestina, sua voz desarma fronteiras e convoca uma empatia sem atenuantes: aquela que nos obriga a reconhecer a dor do outro como parte incontorn\u00e1vel da nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Como leitora e entrevistadora, saio desta escuta mais certa de que cada palavra pode abrir uma fresta de dignidade, e de que sustentar espa\u00e7os para vozes como a de M\u00edrian \u00e9, tamb\u00e9m, um modo de resist\u00eancia: fazer da linguagem um lugar onde a mem\u00f3ria n\u00e3o se rende e a esperan\u00e7a continua, teimosamente, a nascer.<\/p>\n<p><strong>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sarah Munck, mineira de Juiz de Fora, professora do IF-Sudeste, escreve no Substack sarahmunck.substack.com, e \u00e9 autora do livro de poemas \u201cO Diagn\u00f3stico do Espelho\u201d, dispon\u00edvel aqui: https:\/\/mondru.com\/produto\/o-diagnostico-do-espelho\/?srsltid=AfmBOoosuyBea-zGNuM0gkMocZRgrHmNos8rpReWGzkaafAEVKXr6Y2G)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conheci a escrita da autora anteriormente, por meio do livro A mem\u00f3ria \u00e9 uma oficina de ossos (Urutau, 2023). 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