{"id":366027,"date":"2025-10-02T05:02:27","date_gmt":"2025-10-02T08:02:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=366027"},"modified":"2025-10-02T05:03:56","modified_gmt":"2025-10-02T08:03:56","slug":"politico-muambeiro-some-quando-gato-vira-ratazana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/politico-muambeiro-some-quando-gato-vira-ratazana\/","title":{"rendered":"Pol\u00edtico muambeiro some quando gato vira ratazana"},"content":{"rendered":"<p>Nos velhos e bons tempos de menino, convivi com uma figura rocambolesca, estrogon\u00f3fica, \u00e0s vezes gatuna, mas parte do nosso cotidiano, principalmente de nossos pais. Refiro-me ao bufarinheiro, tamb\u00e9m conhecido por mercador ambulante e mascate. \u00c9 o vendedor que, mediante promiss\u00f3rias, carn\u00eas ou o fio do bigode, oferecia de porta em porta bugigangas variadas, al\u00e9m de bacias, panelas, r\u00e1dios, tecidos, bijuterias, miudezas e produtos de cama e mesa. Os produtos normalmente eram carregados em malas, cestos e at\u00e9 lombos de burros e jumentos.<\/p>\n<p>Muito comuns nos anos 60 e 70, eles se tornaram conhecidos nos bairros mais pobres e em \u00e1reas rurais muito mais pelas facilidades que ofereciam do que pela qualidade do que vendiam. Mais uma das heran\u00e7as dos portugueses, os primeiros a negociar em domic\u00edlio nas pequenas cidades do Brasil. \u00c9 claro que nem todos os \u201cmuambeiros\u201d eram s\u00e9rios. Os espertos negociavam mercadorias velhas em novas embalagens. Era o famoso gato por lebre. Como os pol\u00edticos de hoje, esses s\u00f3 apareciam uma vez e desapareciam sem deixar rastro t\u00e3o logo consumavam a malandragem.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a \u00e9 que os pol\u00edticos se pintam como gatos, mas viram ratazanas t\u00e3o logo s\u00e3o eleitos. Cresci, amadureci, envelheci e permane\u00e7o convivendo com os vendedores de muambas e com os vendedores de ilus\u00e3o. A diferen\u00e7a \u00e9 que os atuais muambeiros buscam clientes e n\u00e3o uma venda. J\u00e1 os candidatos a enganadores do povo s\u00e3o mestres na arte de inverter valores. O maior deles \u00e9 usar a campanha para jurar que vai melhorar a vida das pessoas. Depois de eleitos, esquecem as pessoas e mudam suas vidas. O esquecimento do povo \u00e9 a grande aposta dos pol\u00edticos. Trata-se de um investimento com retorno garantido.<\/p>\n<p>Por isso, defendo a tese de que todo pol\u00edtico que diz \u201cmeu povo\u201d deveria ser processado por apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita. Mas o que fazer se, dividido entre direita e esquerda, o eleitor prefere brigar por causa de pol\u00edticos, em lugar de lutar por seus direitos. Ao contr\u00e1rio dos mascates de outrora, o\u00a0Congresso Nacional de hoje \u00e9 como um daqueles produtos oferecidos diariamente pela Havan e pela Shopee. A gente compra e percebe que n\u00e3o serve para nada apenas quando chega em casa e esvazia a sacola.<\/p>\n<p>Muitos de n\u00f3s se tornaram dependentes dessa droga chamada pol\u00edtica. Como a vida, os legislativos federal, estadual e municipal n\u00e3o s\u00e3o contos de fada, mas podemos escolher os bichos que colocaremos nessa floresta encantada. O povo ouve as cantilenas dos candidatos, vota, os elege e normalmente descobre que comprou gato por lebre somente ap\u00f3s a posse. Tem sido assim a cada nova elei\u00e7\u00e3o. Enquanto n\u00e3o formos convencidos de que elogiar pol\u00edticos \u00e9 jogar pedras para o alto, jamais descobriremos que pior do que pol\u00edtico em \u00e9poca de elei\u00e7\u00e3o s\u00f3 o pol\u00edtico durante os anos de mandato.<\/p>\n<p>Considerando que, pelo menos no Brasil, n\u00e3o mudaremos o\u00a0<i>status quo<\/i>\u00a0dos nossos homens p\u00fablicos, \u00e9 cada vez mais verdadeira a express\u00e3o de que o modo intelig\u00eancia da pol\u00edtica \u00e9 ser burro. Lamentavelmente fecho com os pensadores, para os quais a hipocrisia n\u00e3o est\u00e1 na pol\u00edtica, mas sim em quem a faz ser t\u00e3o cruel. Ainda mais lament\u00e1vel \u00e9 que o pol\u00edtico brasileiro \u00e9 o espelho do eleitor. Portanto, ao contr\u00e1rio dos bons mascates de antigamente, os pol\u00edticos de hoje n\u00e3o devem ser venerados. Eles s\u00e3o humanos, viciados na arte de enganar o povo e podem nos decepcionar antes da primeira curva. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade adverte: N\u00e3o beba e n\u00e3o fume um baseado antes de votar.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/p>\n<p><strong>Misael Igreja \u00e9 analista de Notibras para assuntos pol\u00edticos, econ\u00f4micos e sociais<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos velhos e bons tempos de menino, convivi com uma figura rocambolesca, estrogon\u00f3fica, \u00e0s vezes gatuna, mas parte do nosso cotidiano, principalmente de nossos pais. 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