{"id":366902,"date":"2025-10-10T05:14:52","date_gmt":"2025-10-10T08:14:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=366902"},"modified":"2025-10-10T08:16:32","modified_gmt":"2025-10-10T11:16:32","slug":"projeto-transforma-areas-de-queimada-em-producao-sustentavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/projeto-transforma-areas-de-queimada-em-producao-sustentavel\/","title":{"rendered":"Projeto transforma \u00e1reas de queimada em produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p>O fogo que antes devastava a floresta d\u00e1 lugar \u00e0 regenera\u00e7\u00e3o e ao sustento das fam\u00edlias locais. Na Vila de Monsar\u00e1s, em Salvaterra, munic\u00edpio da Ilha de Maraj\u00f3, o agricultor e pescador Ronildo Pacheco \u00e9 um dos exemplos de quem mudou a realidade da terra por meio do Sistema Agroflorestal (SAF), t\u00e9cnica que une produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e reflorestamento.<\/p>\n<p>Ronildo cultivava apenas abacaxi nos seus quatro hectares de terra do S\u00edtio Retiro Emanuel. Hoje, ele colhe meia tonelada di\u00e1ria de a\u00e7a\u00ed durante a safra, al\u00e9m de cultivar acerola, tapereb\u00e1, cacau, milho e mandioca. O agricultor utiliza t\u00e9cnicas naturais, como o sombreamento entre esp\u00e9cies e o adubo de caro\u00e7o de a\u00e7a\u00ed seco, conhecido como coroamento, reduzindo o impacto ambiental.<\/p>\n<p>\u201cQuem planta abacaxi como lavrador normal, todo ano precisa fazer uma ro\u00e7a. Todo ano tem que brocar uma \u00e1rea de mato, queimar, porque n\u00e3o tem trator para preparar o ch\u00e3o. A agrofloresta permite que eu plante de novo no mesmo local, sem usar o fogo. E rende dinheiro por mais tempo durante o ano, porque o abacaxi s\u00f3 vai dar uma vez por ano. Em vez da monocultura, eu vou ter at\u00e9 cinco colheitas por ano\u201d, explica o agricultor.<\/p>\n<p>Ronildo foi ajudado pelo Projeto Sustenta e Inova, iniciativa do Servi\u00e7o Brasileiro de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa), que recebe financiamento da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Ele e outras 30 fam\u00edlias integram a Cooperativa Agropecu\u00e1ria e de Pesca Artesanal de Monsar\u00e1s (COOPAPAM). O grupo restaura \u00e1reas degradadas por queimadas e conscientiza outros produtores ainda resistentes \u00e0 mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a tamb\u00e9m inspirou a nova gera\u00e7\u00e3o. A filha de Ronildo, Jamile Pacheco, 18 anos, atua como secret\u00e1ria e guia de turismo na propriedade da fam\u00edlia. Ela estuda secretariado na Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA) e tem trazido os conhecimentos para ajudar a divulgar melhor o trabalho local e os benef\u00edcios da agrofloresta.<\/p>\n<p>\u201cDesde a \u00e9poca do meu av\u00f4, que se queimava muito a terra para plantar o abacaxi. E isso prejudicava muito o meio ambiente. Com essa mudan\u00e7a, agora temos mais sombra e mais nutrientes para o solo. Estou muito feliz com nosso trabalho aqui\u201d, diz Jamile.<\/p>\n<p><strong>A\u00e7a\u00ed<\/strong><br \/>\nO a\u00e7a\u00ed foi o produto s\u00edmbolo da mudan\u00e7a para o sistema agroflorestal na propriedade da fam\u00edlia de Ronildo. Ele \u00e9 central nos h\u00e1bitos alimentares locais e na comercializa\u00e7\u00e3o para outros mercados do pa\u00eds.<\/p>\n<p>No per\u00edodo da colheita, que costuma durar seis meses entre julho e janeiro, chegam moradores de regi\u00f5es pr\u00f3ximas para participar do trabalho. Um deles \u00e9 Walter Ant\u00f4nio dos Santos Barbosa, 52 anos, pescador e agricultor.<\/p>\n<p>O trabalho \u00e9 pesado. Em um dia, uma \u00fanica pessoa pode subir mais de 30 \u00e1rvores para pegar um cacho de a\u00e7a\u00ed.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 bom que a gente faz muito exerc\u00edcio para o corpo\u201d, brinca Walter. \u201c\u00c9 cansativo, n\u00e3o d\u00e1 para ter pregui\u00e7a. Pessoal que consome o a\u00e7a\u00ed tem que valorizar esse trabalho aqui. Tem gente que acha caro quando v\u00ea R$ 18 a cumbuca. Mas nem sabe como \u00e9 todo o processo\u201d.<\/p>\n<p>Um das principais dificuldades para melhorar o cultivo do a\u00e7a\u00ed e at\u00e9 convencer outros agricultores a seguirem o caminho da agrofloresta \u00e9 a falta de investimento em sistemas de irriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cSem \u00e1gua a gente n\u00e3o consegue fazer o trabalho. A maioria dos agricultores daqui n\u00e3o tem \u00e1rea de po\u00e7o. Eu consegui fazer parcerias com outras empresas e patrocinadores para conseguir sistema de irriga\u00e7\u00e3o em cinco po\u00e7os. E mais sete est\u00e3o a caminho. Mas para o que \u00e9 o ideal ainda falta um bocado\u201d, explica Ronildo.<\/p>\n<p>\u201cSe n\u00e3o conseguirmos resolver isso, vai chegar um dia em que vai faltar a\u00e7a\u00ed para alimentar a popula\u00e7\u00e3o daqui e de outros lugares\u201d, alerta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O fogo que antes devastava a floresta d\u00e1 lugar \u00e0 regenera\u00e7\u00e3o e ao sustento das fam\u00edlias locais. 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