{"id":366917,"date":"2025-10-13T00:15:25","date_gmt":"2025-10-13T03:15:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=366917"},"modified":"2025-10-11T20:04:29","modified_gmt":"2025-10-11T23:04:29","slug":"euripedes-ii-o-medo-da-silmara-lucia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/euripedes-ii-o-medo-da-silmara-lucia\/","title":{"rendered":"EUR\u00cdPEDES II &#8211; O MEDO DA SILMARA L\u00daCIA"},"content":{"rendered":"<p>Todas as crian\u00e7as que conheciam o Eur\u00edpedes tinham medo dele. Silmara L\u00facia, minha filha ca\u00e7ula, na \u00e9poca com seus seis anos, pelava de medo do Eur\u00edpedes. N\u00e3o que eu incentivasse esse medo, muito pelo contr\u00e1rio, mas todas as crian\u00e7as que ela conhecia tinham medo. Por que, ent\u00e3o, ela n\u00e3o teria? Hoje, ela com vinte e dois anos, gr\u00e1vida do Pedro Henrique, que nascer\u00e1 no in\u00edcio de outubro, fica lembrando e falando: &#8220;Que bobagem, ter medo do Eur\u00edpedes, s\u00f3 sendo coisa de crian\u00e7a mesmo.&#8221;<\/p>\n<p>Pois bem, um dia fomos eu, Silmar, meu marido, e Silmara L\u00facia ao armaz\u00e9m do Z\u00e9 Vieira. Na minha cidade, naquela \u00e9poca, ainda havia armaz\u00e9ns, quem \u00e9 da minha gera\u00e7\u00e3o para tr\u00e1s sabe o que \u00e9, mas os jovens, como a Prisca do Rio de Janeiro, com seus quatorze anos, n\u00e3o devem saber bem o que \u00e9. Era um com\u00e9rcio, um mercado, onde se vendia tudo o que imaginava que n\u00e3o fosse perec\u00edvel. Os gr\u00e3os ficavam acondicionados numa tulha, que \u00e9 um caixot\u00e3o de madeira com tampa e os compartimentos separados, ali colocavam arroz, feij\u00e3o, milho, caf\u00e9 sem torrar e vendia aos quilos.<\/p>\n<p>Poderia comprar cem gramas de arroz, duzentos gramas de feij\u00e3o, o quanto o fregu\u00eas quisesse. O cliente hoje era o fregu\u00eas do passado. Vendia utens\u00edlios de cozinha, panelas, copos, pratos, baldes (que eram de alum\u00ednio), balde de pl\u00e1stico \u00e9 coisa nova, penico (esmaltado) etc. O que podia pendurar, pendurava-se espalhado pelo armaz\u00e9m. Quem era mais alto um pouco, sa\u00eda batendo a cabe\u00e7a em balde, penico, bacia, o que tivesse pela frente. Vendia veneno para rato, tudo ali misturado, e vendia tamb\u00e9m rapadura.<\/p>\n<p>Entramos no armaz\u00e9m, e quem estava l\u00e1 comendo rapadura? O Eur\u00edpedes. O Silmar entrou na frente e eu atr\u00e1s com a Silmara L\u00facia segura pela m\u00e3o, que j\u00e1 foi se escondendo atr\u00e1s de mim quando viu o rapaz.<\/p>\n<p>Chegamos perto do balc\u00e3o. O Eur\u00edpedes chegou perto da Silmara L\u00facia, pois era uma pessoa indefesa e gostava das crian\u00e7as, e disse: &#8220;Voc\u00ea quer uma rapadurinha?&#8221; Falou com sua voz arrastada e s\u00edlaba por s\u00edlaba. Eu comecei a rir e falei: &#8220;Aceita, Silmara L\u00facia, a ra-pa-du-ri-nha.&#8221; Esta menina quase desmaiou. De branca, ficou transparente e balan\u00e7ando a cabe\u00e7a negativamente. A\u00ed, eu disse para o Eur\u00edpedes que ela era boba e n\u00e3o queria, e tratei de proteger minha filha ou, ent\u00e3o, ficava sem ela.<\/p>\n<p>Todos n\u00f3s n\u00e3o perdemos oportunidade, quando temos rapadura em casa, oferecemos para Silmara L\u00facia: &#8220;Vo-c\u00ea quer uma ra-pa-du-ri-nha?&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todas as crian\u00e7as que conheciam o Eur\u00edpedes tinham medo dele. Silmara L\u00facia, minha filha ca\u00e7ula, na \u00e9poca com seus seis anos, pelava de medo do Eur\u00edpedes. N\u00e3o que eu incentivasse esse medo, muito pelo contr\u00e1rio, mas todas as crian\u00e7as que ela conhecia tinham medo. Por que, ent\u00e3o, ela n\u00e3o teria? 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