{"id":366942,"date":"2025-10-13T00:30:54","date_gmt":"2025-10-13T03:30:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=366942"},"modified":"2025-10-10T17:39:38","modified_gmt":"2025-10-10T20:39:38","slug":"cadu-matos-da-um-alo-as-briosas-escritoras-edna-domenica-tais-palhares-e-rosilene-souza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/cadu-matos-da-um-alo-as-briosas-escritoras-edna-domenica-tais-palhares-e-rosilene-souza\/","title":{"rendered":"Cadu Matos d\u00e1 um al\u00f4 \u00e0s briosas escritoras Edna Domenica, Ta\u00eds Palhares e Rosilene Souza"},"content":{"rendered":"<p>As escritoras Edna Dom\u00eanica, Ta\u00eds Palhares e Rosilene Souza, minhas confrades no Caf\u00e9 Liter\u00e1rio\/Notibras, produziram um texto coletivo baseado ou, antes, inspirado em meu conto Testemunha silenciosa. O mote foram as palavras da protagonista Lia, \u201cQuem sou? Onde estou? \u00c9 tudo t\u00e3o estranho&#8230;\u201d, que encerram o texto.<\/p>\n<p>Para come\u00e7ar, agrade\u00e7o a todas elas. Deliciado, detive-me nas belas express\u00f5es com que as tr\u00eas art\u00edfices das palavras pontilharam o texto coletivo. Destaco algumas, entre tantas outras:<\/p>\n<p>\u201cEstou no lugar em que quero estar, ra\u00edzes \u00e0 mostra (&#8230;)\u201d \u2013 Ta\u00eds Palhares. \u201cSou a jun\u00e7\u00e3o do ontem, do hoje e do amanh\u00e3\u201d \u2013 Rosilene Souza. \u201c(Sou) luz e sombra na busca perene de SER\u201d \u2013 Edna Domenica.<\/p>\n<p>Elas surgem no final, quando as autoras j\u00e1 haviam se descolado de meu texto e deixavam a imagina\u00e7\u00e3o fluir livre. Antes, por\u00e9m, houve an\u00e1lises profundas, conduzidas em especial por Edna Domenica. Ela aponta a coincid\u00eancia entre os 40 anos em que a protagonista permaneceu em sil\u00eancio \u201ccom o per\u00edodo hist\u00f3rico no qual a sociedade brasileira permaneceu em sil\u00eancio quanto \u00e0 anistia concedida aos torturadores da ditadura de 1964. Cabe a n\u00f3s, cidad\u00e3os democratas rec\u00e9m-despertados, indagarmos \u2018quem somos e onde estamos\u2019.\u201d<\/p>\n<p>Democrata e socialista, concordo politicamente com Edna. Mas, do ponto de vista liter\u00e1rio, acho question\u00e1vel esse tipo de an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Um bastidor talvez esclare\u00e7a o ponto. Na vers\u00e3o original do texto, Lia ficava 50 anos em sil\u00eancio. N\u00e3o era uma refer\u00eancia \u00e0 d\u00e9cada mais assassina da ditadura militar, ao terr\u00edvel governo M\u00e9dici; precisava apenas que o filho e a nora da testemunha silenciosa j\u00e1 tivessem morrido, e os netos fossem adultos maduros. Mas achei demais, reduzi para 40 anos, prazo que j\u00e1 atendia a minha precis\u00e3o. Nem me passou pela cabe\u00e7a o per\u00edodo 1985-2025.<\/p>\n<p>Outro ponto, se um texto inspirar um intertexto coletivo, e houver uma r\u00e9plica, o que vir\u00e1 depois? Uma tr\u00e9plica? Ou, enriquecendo com selvageria a \u00faltima flor do L\u00e1cio, uma quadr\u00e9plica? Pode-se ir longe nisso. E talvez n\u00e3o valha a pena esse percurso, melhor investir em textos novinhos em folha, com outros temas.<\/p>\n<p>Um derradeiro bastidor. \u201cQuem sou? Onde estou? \u00c9 tudo t\u00e3o estranho&#8230;\u201d era o bord\u00e3o de uma grande amiga. Destinava-se \u00e0s rebordosas que acordavam, ainda de porre, numa cama estranha, ao lado de um desconhecido. A personagem R\u00ea Bordosa, de Angeli, surgiu nas p\u00e1ginas da revista Chiclete com Banana, lan\u00e7ada em 1985. Os brasileiros e as brasileiras voltavam a rir dos podres poderes, a pecar sem arrependimento. Mas, tenho certeza, nada disso era um protesto contra a anistia aos torturadores. E muito menos um protesto silencioso, R\u00ea Bordosa era esporrenta pra ded\u00e9u.<\/p>\n<p>Por tudo isso, pe\u00e7o \u00e0s tr\u00eas mosqueteiras do Caf\u00e9 Liter\u00e1rio\/Notibras, Edna, Ta\u00eds e Rosilene: menos, mo\u00e7ada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As escritoras Edna Dom\u00eanica, Ta\u00eds Palhares e Rosilene Souza, minhas confrades no Caf\u00e9 Liter\u00e1rio\/Notibras, produziram um texto coletivo baseado ou, antes, inspirado em meu conto Testemunha silenciosa. O mote foram as palavras da protagonista Lia, \u201cQuem sou? Onde estou? \u00c9 tudo t\u00e3o estranho&#8230;\u201d, que encerram o texto. Para come\u00e7ar, agrade\u00e7o a todas elas. 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