{"id":367022,"date":"2025-10-12T00:45:34","date_gmt":"2025-10-12T03:45:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=367022"},"modified":"2025-10-12T04:00:25","modified_gmt":"2025-10-12T07:00:25","slug":"as-criancas-que-nao-podem-sorrir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/as-criancas-que-nao-podem-sorrir\/","title":{"rendered":"As crian\u00e7as que n\u00e3o podem sorrir"},"content":{"rendered":"<p>Eu nunca soube se queria ser m\u00e3e.<\/p>\n<p>Sei que engravidar, n\u00e3o quero. Mas ser m\u00e3e&#8230; talvez sim. M\u00e3e do mundo, das palavras, dos afetos que encontro pelo caminho. H\u00e1 uma maternidade que n\u00e3o nasce do corpo, mas do olhar. Aquela que acolhe, que se comove, que deseja proteger at\u00e9 o que n\u00e3o lhe pertence.<\/p>\n<p>Hoje \u00e9 Dia das Crian\u00e7as.<\/p>\n<p>E enquanto muitos celebram, algo em mim silencia. Porque penso em Gaza.<\/p>\n<p>Penso na Palestina.<\/p>\n<p>E em todas as geografias da inf\u00e2ncia interrompida.<\/p>\n<p>H\u00e1 crian\u00e7as que hoje acordam sob o som das bombas, n\u00e3o dos brinquedos.<\/p>\n<p>Que correm, n\u00e3o porque brincam, mas porque fogem.<\/p>\n<p>Que dormem com medo, e n\u00e3o com hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>E \u00e9 imposs\u00edvel, sendo humana, n\u00e3o sentir o peso disso.<\/p>\n<p>O mundo celebra o riso, mas ignora o choro que ecoa do outro lado do mapa.<\/p>\n<p>N\u00f3s, que postamos frases bonitas, esquecemos que h\u00e1 pequenos que nunca ter\u00e3o um bolo, um presente, um abra\u00e7o tranquilo.<\/p>\n<p>E que, talvez, o \u00fanico presente poss\u00edvel seja sobreviver mais um dia.<\/p>\n<p>Ser m\u00e3e ou desejar ser \u00e9 tamb\u00e9m sentir essa dor coletiva.<\/p>\n<p>\u00c9 compreender que a maternidade n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 gerar, mas tamb\u00e9m cuidar do que \u00e9 humano.<\/p>\n<p>E quando penso nisso, entendo que h\u00e1 uma ferida universal: a de ver crian\u00e7as pagando o pre\u00e7o de guerras que n\u00e3o come\u00e7aram.<\/p>\n<p>Em Gaza, a inf\u00e2ncia \u00e9 uma ru\u00edna.<\/p>\n<p>As bonecas est\u00e3o cobertas de poeira, as escolas s\u00e3o abrigos, e os desenhos nas paredes contam o que os jornais n\u00e3o mostram.<\/p>\n<p>Elas desenham avi\u00f5es, mas n\u00e3o de papel.<\/p>\n<p>Desenham o c\u00e9u, mas cheio de fuma\u00e7a.<\/p>\n<p>E escrevem nomes dos que j\u00e1 se foram.<\/p>\n<p>H\u00e1 m\u00e3es que n\u00e3o t\u00eam mais filhos, e filhos que j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam mais m\u00e3es.<\/p>\n<p>E mesmo assim, o mundo gira.<\/p>\n<p>A imprensa noticia, os l\u00edderes discursam, e a inf\u00e2ncia continua sendo interrompida em tempo real.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o eu penso: quando?<\/p>\n<p>Quando essas crian\u00e7as v\u00e3o poder voltar a sorrir?<\/p>\n<p>Quando o som dos brinquedos vai ser mais alto que o som das sirenes?<\/p>\n<p>Quando a humanidade vai, de fato, se lembrar que cada crian\u00e7a morta \u00e9 um peda\u00e7o de futuro que deixamos morrer junto?<\/p>\n<p>Ser m\u00e3e \u00e9 tamb\u00e9m desejar um mundo onde todas as crian\u00e7as possam dormir em paz.<\/p>\n<p>E hoje, neste dia de cores, presentes e comerciais, eu me calo por respeito.<\/p>\n<p>Porque h\u00e1 crian\u00e7as que n\u00e3o t\u00eam o luxo da inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>E h\u00e1 m\u00e3es que dariam tudo para poder dar o que n\u00f3s, \u00e0s vezes, esquecemos de valorizar: um amanh\u00e3.<\/p>\n<p>Que o Dia das Crian\u00e7as n\u00e3o seja s\u00f3 celebra\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m compromisso.<\/p>\n<p>Compromisso de olhar para o mundo com compaix\u00e3o e responsabilidade.<\/p>\n<p>Porque n\u00e3o existe humanidade sem inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>E talvez, quando entendermos isso, este dia volte a fazer sentido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu nunca soube se queria ser m\u00e3e. 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