{"id":367170,"date":"2025-10-13T00:00:54","date_gmt":"2025-10-13T03:00:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=367170"},"modified":"2025-10-13T03:29:23","modified_gmt":"2025-10-13T06:29:23","slug":"pesquisas-revelam-preocupacao-com-criancas-em-extremos-climaticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pesquisas-revelam-preocupacao-com-criancas-em-extremos-climaticos\/","title":{"rendered":"Pesquisas revelam preocupa\u00e7\u00e3o com crian\u00e7as em extremos clim\u00e1ticos"},"content":{"rendered":"<p>Duas pesquisas divulgadas este m\u00eas alertam para os efeitos dos extremos clim\u00e1ticos nas crian\u00e7as. Uma delas \u00e9 um levantamento encomendado pela Funda\u00e7\u00e3o Maria Cecilia Souto Vidigal ao Datafolha: mais de 80% dos brasileiros temem pelos efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em beb\u00eas e crian\u00e7as de 0 a 6 anos.<\/p>\n<p>O estudo Panorama da Primeira Inf\u00e2ncia: o impacto da crise clim\u00e1tica entrevistou 2.206 pessoas, sendo 822 respons\u00e1veis por crian\u00e7as, entre os dias 8 e 10 de abril de 2025. Os maiores medos se concentram em impactos sobre a sa\u00fade: 7 em cada 10 pessoas (71%) manifestaram esse tipo de preocupa\u00e7\u00e3o, com destaque para as doen\u00e7as respirat\u00f3rias.<\/p>\n<p>Outras quest\u00f5es levantadas por 39% dos entrevistados foram o maior risco de desastres (como enchentes, secas e queimadas), al\u00e9m da dificuldade em acessar \u00e1gua limpa e comida (32% das respostas).<\/p>\n<p>Segundo o estudo, 15% acreditam que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas provocar\u00e3o maior consci\u00eancia ambiental e 6% confiam que a sociedade encontrar\u00e1 solu\u00e7\u00f5es para reduzir os danos.<\/p>\n<p>\u201cVer que a popula\u00e7\u00e3o reconhece o risco que as crian\u00e7as enfrentam j\u00e1 \u00e9 uma vit\u00f3ria \u2014 significa que entendemos quem est\u00e1 na linha de frente da crise e que h\u00e1 urg\u00eancia em agir. As crian\u00e7as na primeira inf\u00e2ncia s\u00e3o as menos culpadas pela emerg\u00eancia clim\u00e1tica e, ainda assim, s\u00e3o o p\u00fablico mais afetado. Essa injusti\u00e7a exige que cada medida tomada considere a vulnerabilidade de quem depende da prote\u00e7\u00e3o dos adultos\u201d, disse Mariana Luz, diretora da Funda\u00e7\u00e3o Maria Cecilia Souto Vidigal.<\/p>\n<p><strong>Mortalidade infantil<\/strong><br \/>\nO outro estudo corrobora a preocupa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. Ele foi conduzido por cientistas do Centro de Integra\u00e7\u00e3o de Dados e Conhecimentos para Sa\u00fade (Cidacs\/Fiocruz Bahia), do Instituto de Sa\u00fade Coletiva (ISC) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), da London School e do Instituto de Sa\u00fade Global de Barcelona.<\/p>\n<p>Publicada no peri\u00f3dico Environmental Research, a pesquisa indica que beb\u00eas em per\u00edodo neonatal (7 a 27 dias) s\u00e3o os mais afetados pelo frio, com risco 364% maior de morrer em condi\u00e7\u00f5es extremas, em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s condi\u00e7\u00f5es normais. Com rela\u00e7\u00e3o ao calor, o impacto cresce \u00e0 medida que a crian\u00e7a envelhece, sendo 85% maior em calor extremo entre os que t\u00eam entre 1 e 4 anos.<\/p>\n<p>Os pesquisadores analisaram mais de 1 milh\u00e3o de mortes de menores de 5 anos ao longo de 20 anos. O risco de mortalidade nesta faixa et\u00e1ria chegou a ser 95% maior no frio extremo e 29% maior no calor extremo do que nos dias com temperatura amena (em torno de 14 a 21\u00b0C).<\/p>\n<p>A pesquisa teve como base os dados do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es sobre Mortalidade (SIM) do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) e do Conjunto de Dados Meteorol\u00f3gicos Di\u00e1rios em Grade do Brasil (BR-DWGD).<\/p>\n<p>Professor do ISC\/UFBA e colaborador do Cidacs, Ismael Silveira explica que pesquisas internacionais j\u00e1 indicavam que crian\u00e7as pequenas s\u00e3o mais vulner\u00e1veis aos extremos clim\u00e1ticos. Mas havia poucas evid\u00eancias em pa\u00edses com clima tropical.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil tem dimens\u00f5es continentais e forte desigualdade socioecon\u00f4mica, o que o torna um \u2018laborat\u00f3rio natural\u2019 para investigar os impactos do clima. A cobertura e qualidade dos dados de \u00f3bitos e o uso de m\u00e9todos estat\u00edsticos robustos favoreceram a supera\u00e7\u00e3o dessa lacuna\u201d, diz Silveira.<\/p>\n<p>Crian\u00e7as s\u00e3o mais vulner\u00e1veis aos efeitos das mudan\u00e7as de temperatura porque seus corpos ainda n\u00e3o desenvolveram totalmente os mecanismos de regula\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica. Nos dias mais quentes, os riscos incluem insola\u00e7\u00e3o, desidrata\u00e7\u00e3o, problemas renais, doen\u00e7as respirat\u00f3rias e infecciosas. No frio, podem haver hipotermia, que desencadeia complica\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias e metab\u00f3licas, e favorece o aumento de infec\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O Brasil apresenta varia\u00e7\u00f5es regionais quanto aos impactos clim\u00e1ticos. Os dados indicam que a mortalidade de crian\u00e7as menores de cinco anos relacionada ao frio atingiu o maior aumento (117%) no Sul do pa\u00eds. J\u00e1 a mortalidade relacionada ao calor foi maior no Nordeste (102%).<\/p>\n<p>As taxas elevadas de mortes de crian\u00e7as continuam concentradas nas regi\u00f5es Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Essas regi\u00f5es apresentam maior vulnerabilidade socioecon\u00f4mica e acesso pior \u00e0 infraestrutura b\u00e1sica, como saneamento e moradia adequada. O aumento das temperaturas representa uma amea\u00e7a adicional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Duas pesquisas divulgadas este m\u00eas alertam para os efeitos dos extremos clim\u00e1ticos nas crian\u00e7as. Uma delas \u00e9 um levantamento encomendado pela Funda\u00e7\u00e3o Maria Cecilia Souto Vidigal ao Datafolha: mais de 80% dos brasileiros temem pelos efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em beb\u00eas e crian\u00e7as de 0 a 6 anos. 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