{"id":367276,"date":"2025-10-14T00:00:24","date_gmt":"2025-10-14T03:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=367276"},"modified":"2025-10-14T08:17:21","modified_gmt":"2025-10-14T11:17:21","slug":"indigenas-pedem-demarcacoes-e-combate-as-mudancas-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/indigenas-pedem-demarcacoes-e-combate-as-mudancas-climaticas\/","title":{"rendered":"Ind\u00edgenas pedem demarca\u00e7\u00f5es e combate \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<p>A artes\u00e3 Luana Kaingang, de 34 anos, utiliza no corpo pe\u00e7as produzidas por pessoas da sua comunidade, em um territ\u00f3rio demarcado em Porto Alegre (RS). O problema \u00e9 que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas t\u00eam abalado a renda de seu povo.<\/p>\n<p>\u201cA crici\u00fama, a taquara e o komag n\u00e3o crescem como antes\u201d, conta.<\/p>\n<p>S\u00e3o com essas plantas que \u00e9 produzido o artesanato na comunidade de 58 fam\u00edlias. \u201cPassamos por per\u00edodos de longa estiagem e de temporais. Isso prejudica muito nossa terra\u201d, lamentou.<\/p>\n<p>Enfrentar as mudan\u00e7as do clima \u00e9 ainda mais dif\u00edcil quando n\u00e3o h\u00e1 sequer seguran\u00e7a no lugar em que se vive. Ela estava entre os cerca de 200 representantes de povos ind\u00edgenas de todo o pa\u00eds que realizaram um evento nesta segunda-feira (13), em Bras\u00edlia, pedindo a regulariza\u00e7\u00e3o de terras.<\/p>\n<p>Eles andaram at\u00e9 o gramado em frente ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, na Esplanada dos Minist\u00e9rios, e fizeram falas de reivindica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u201cEscudo contra desmatamento\u201d<\/strong><br \/>\nSegundo o diretor-executivo da Apib, Kleber Karipuna, cada terra ind\u00edgena demarcada \u00e9 um \u201cescudo\u201d contra o desmatamento.<\/p>\n<p>\u201cA ci\u00eancia comprova o que j\u00e1 sabemos: terra demarcada \u00e9 floresta em p\u00e9 e viva. S\u00f3 nossos territ\u00f3rios na Amaz\u00f4nia geram 80% das chuvas que regam o agroneg\u00f3cio no Brasil\u201d.<\/p>\n<p>O ato, promovido pela Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (Apib) com apoio da Avaaz, integra a programa\u00e7\u00e3o da Pr\u00e9-COP Ind\u00edgena, que acontece em Bras\u00edlia, tamb\u00e9m na ter\u00e7a-feira (14), em paralelo \u00e0 Pr\u00e9-COP dos Estados;<\/p>\n<p>Segundo a Apib, a demarca\u00e7\u00e3o de 104 Terras Ind\u00edgenas aguarda apenas as etapas finais no Executivo Federal.<\/p>\n<p><strong>Prote\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nEle exemplificou que, apenas na Amaz\u00f4nia, entre 2001 e 2021, esses territ\u00f3rios absorveram cerca de 340 milh\u00f5es de toneladas de CO2 da atmosfera, o equivalente \u00e0s emiss\u00f5es anuais de combust\u00edveis f\u00f3sseis do Reino Unido.<\/p>\n<p>Um argumento importante que mostra o papel desses defensores da natureza \u00e9 que as Terras Ind\u00edgenas j\u00e1 demarcadas da Amaz\u00f4nia apresentam \u00edndice de desmatamento baix\u00edssimo, tendo perdido historicamente apenas 1,74% de sua vegeta\u00e7\u00e3o original.<\/p>\n<p>O ato fez parte da campanha \u201cA Resposta Somos N\u00f3s&#8221;, da Apib. Inclusive, a entidade lan\u00e7ou neste ano a NDC Ind\u00edgena (Contribui\u00e7\u00f5es Nacionalmente Determinadas), constru\u00edda pelos pr\u00f3prios povos, que prop\u00f5e incluir a prote\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios, saberes e modos de vida como parte das metas oficiais do Brasil no Acordo de Paris.<\/p>\n<p><strong>Modo de vida<\/strong><br \/>\nNo caso de Luana Kaingang, do Rio Grande do Sul, a demarca\u00e7\u00e3o viabiliza o modo de vida da agroecologia e de prote\u00e7\u00e3o das matas nativas.<\/p>\n<p>\u201cNa nossa regi\u00e3o, a nossa principal reivindica\u00e7\u00e3o \u00e9 para manter o parque e n\u00e3o criar pr\u00e9dios, condom\u00ednios, com a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m da Regi\u00e3o Sul e do povo Kaingang, a artes\u00e3 Kauane F\u00e9lix, de 24 anos, tinha nos bra\u00e7os o filho de dois anos de idade, agasalhado por uma bandeira do Brasil. Ela vive em comunidade rural na cidade de Novas Laranjeiras. Segundo ela, o desmatamento nas redondezas, promovido por invasores t\u00eam sido um problema para o seu povo.<\/p>\n<p>Com mais arauc\u00e1rias nativas derrubadas, mais vulner\u00e1vel fica o seu povo. \u201cEst\u00e1 impactando nossa alimenta\u00e7\u00e3o. Impacto no milho, feij\u00e3o, mandioca e tamb\u00e9m nas frutas nativas, como a pitanga\u201d. O lugar n\u00e3o \u00e9 igual como era na sua inf\u00e2ncia. \u201cQuando eu era crian\u00e7a, era muito frio. Hoje, na mesma \u00e9poca, est\u00e1 calor\u201d.<\/p>\n<p>Ela se orgulha que a comunidade tem conseguido trabalho de reflorestamento com apoio da Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal, que tem lan\u00e7ado sementes por helic\u00f3ptero.<\/p>\n<p><strong>Tens\u00e3o na fronteira<\/strong><br \/>\nTamb\u00e9m presente no ato, a ind\u00edgena Sally Nhandeva (foto em destaque), de 21 anos, que mora em Japur\u00e3, fronteira do Mato Grosso do Sul com o Paraguai, disse que h\u00e1 desafios no dia a dia. Um dos problemas reais que eles passam \u00e9, segundo ela, as amea\u00e7as de fazendeiros brasileiros e tamb\u00e9m paraguaios.<\/p>\n<p>\u201cQueremos viver sem os agrot\u00f3xicos dos vizinhos. E proteger a nossa floresta. Eles entram na nossa comunidade querendo nos despejar\u201d. O que tem protegido o seu povo \u00e9 que a demarca\u00e7\u00e3o j\u00e1 chegou para eles.<\/p>\n<p>Mesmo diante das dificuldades, ela, que tem um filho, n\u00e3o pensa em deixar a comunidade. \u201cSe a gente fugir, quem vai lutar por n\u00f3s?\u201d, questiona.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A artes\u00e3 Luana Kaingang, de 34 anos, utiliza no corpo pe\u00e7as produzidas por pessoas da sua comunidade, em um territ\u00f3rio demarcado em Porto Alegre (RS). O problema \u00e9 que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas t\u00eam abalado a renda de seu povo. \u201cA crici\u00fama, a taquara e o komag n\u00e3o crescem como antes\u201d, conta. 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