{"id":367472,"date":"2025-10-18T01:15:25","date_gmt":"2025-10-18T04:15:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=367472"},"modified":"2025-10-15T23:11:37","modified_gmt":"2025-10-16T02:11:37","slug":"cadu-matos-economico-nas-palavras-grande-na-escrita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/cadu-matos-economico-nas-palavras-grande-na-escrita\/","title":{"rendered":"Cadu Matos, econ\u00f4mico nas palavras, grande na escrita"},"content":{"rendered":"<p>Sempre fui um leitor on\u00edvoro. Romances, contos, cr\u00f4nicas, poesias, reportagens e artigos de jornal, an\u00fancios, bulas de rem\u00e9dio \u2013 o que vier eu tra\u00e7o. E <strong>Notibras<\/strong>, com destaque para o <strong>Caf\u00e9 Liter\u00e1rio<\/strong>, deu-me oportunidade de me aprofundar nesse h\u00e1bito (v\u00edcio?) prazeroso.<\/p>\n<p>Ao ler os textos de meus confrades no Facebook e em <strong>Notibras<\/strong>, constatei um aspecto intrigante: em geral, s\u00e3o bem mais extensos que os meus. N\u00e3o que os considere palavrosos (ok, uns poucos o s\u00e3o, na enviesada opini\u00e3o deste escriba); \u00e9 que os autores parecem precisar de mais palavras para apresentar e desenvolver todas as facetas do relato. J\u00e1 os meus textos, por algum motivo, est\u00e3o cada vez mais curtos. Bastidor: s\u00e3o escritos em corpo 14 e, na grande maioria das vezes, n\u00e3o ultrapassam duas p\u00e1ginas.<\/p>\n<p>Comprovei essa tend\u00eancia \u00e0 concis\u00e3o ao ler os primeiros textos escritos por mim, bem mais extensos (v\u00e1 l\u00e1, alguns palavrosos) do que os produzidos atualmente. Tratei de edit\u00e1-los, cortar-lhes gordurinhas, reduzi-los ao essencial \u2013 foi o que fiz ao longo de toda minha vida profissional, como copidesque e editor, iniciada na boa e velha Abril Cultural. O resultado, creio, ficou melhor, mais leg\u00edvel. O estranho \u00e9 que meus autores favoritos, entre eles Guimar\u00e3es Rosa e Erico Verissimo, escreveram obras-primas como \u201cGrande sert\u00e3o: veredas\u201d e \u201cO tempo e o vento\u201d, que n\u00e3o s\u00e3o exatamente minicontos. Seja como for, com as exce\u00e7\u00f5es de praxe, prefiro novelas (romances menos extensos) como os magistrais \u201cA morte e a morte de Quincas Berro d\u00b4\u00c1gua\u201d, de Jorge Amado, e \u201cMeu tio o iauaret\u00ea\u201d, de Guimar\u00e3es Rosa, a roman\u00e7\u00f5es; e escrevo basicamente contos, que n\u00e3o por acaso, em ingl\u00eas, s\u00e3o designados como short stories.<\/p>\n<p>Por que escrevo assim? N\u00e3o d\u00e1, no \u00e2mbito desta cr\u00f4nica-confiss\u00e3o, para fazer an\u00e1lises estil\u00edsticas e psicol\u00f3gicas. Mas cabe admitir um aspecto: sou ansioso pra ded\u00e9u (j\u00e1 escrevi que Ansioso \u00e9 meu nome do meio) e quero chegar logo ao desfecho do conto, de prefer\u00eancia inesperado. Gostaria muito de acompanhar eventuais rea\u00e7\u00f5es de espanto ou prazer dos leitores. Como n\u00e3o posso faz\u00ea-lo, contento-me em provoc\u00e1-las.<\/p>\n<p>A essa altura, como em geral acontece quando produzo um texto, me v\u00eam \u00e0 mente intertextos de toda esp\u00e9cie, de algum modo relacionados ao escrito em elabora\u00e7\u00e3o: cita\u00e7\u00f5es, trechos de poemas, at\u00e9 mesmo velhas piadas ouvidas quando moleque e que se incrustaram nos neur\u00f4nios (\u00e9 verdade que alguns surgem antes e servem de inspira\u00e7\u00e3o para o que vou escrever). Em seguida, trato de entrela\u00e7ar esse material ao conto, tornando-o mais denso e, espero, mais gostoso de ler. Hoje, por\u00e9m, o intertexto \u00e9 uma piada, e vai entrar aqui mesmo. Dei-lhe o nome de 347 \u2013 o n\u00famero de textos que enviei para <strong>Notibras<\/strong> e o ins\u00f3lito t\u00edtulo deste texto. \u00c9 o seguinte.<\/p>\n<p>Uma comunidade era famosa pelo extraordin\u00e1rio n\u00famero de anedotas que circulavam entre seus integrantes. Tantas e t\u00e3o variadas, conhecidas por todos, que decidiram numer\u00e1-las para evitar repeti\u00e7\u00f5es enfadonhas. Assim, \u201cO moleque e a vi\u00fava dadivosa\u201d passaou a ser designado como 1; \u201cO tarad\u00e3o e a galinha\u201d, pelo n\u00famero 2; \u201cO papagaio e a mulher sem calcinha\u201d, como 3, e assim por diante. Bastava dizer o n\u00famero, todos recordavam o causo e ca\u00edam na risada.<\/p>\n<p>Certo dia, algu\u00e9m percebeu que a piada 37 arrancava gargalhadas hom\u00e9ricas. Decidido a alcan\u00e7ar essa gl\u00f3ria fugaz, esperou uma semana, para n\u00e3o ser (muito) repetitivo, e sapecou:<\/p>\n<p>&#8211; 37<\/p>\n<p>Houve v\u00e1rios sorrisos e alguns risinhos, n\u00e3o passou disso.<\/p>\n<p>Exasperado, o piadista fracassado explodiu:<\/p>\n<p>&#8211; Porra, ningu\u00e9m riu? Outro dia contaram a 37, todos se mijaram de tanto rir. Hoje, com a mesma piada, s\u00f3 uns sorrisinhos?<\/p>\n<p>Um veterano, s\u00e1bio como em geral o s\u00e3o os idosos, explicou-lhe, paciente:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o \u00e9 o que se conta, \u00e9 como se conta.<\/p>\n<p>\u00c9 o que busco, em meus textos: torn\u00e1-los leves e de leitura agrad\u00e1vel e dar-lhes, sempre que poss\u00edvel, um desfecho surpreendente. Para isso, a concis\u00e3o \u00e9 um requisito n\u00e3o indispens\u00e1vel, mas \u00fatil. A redu\u00e7\u00e3o a um n\u00famero \u00e9 uma meta evidentemente inating\u00edvel, mas sigo nessa trilha.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, leitores e leitoras, curtam esta cr\u00f4nica. L\u00e1 vai:<\/p>\n<p>&#8211; 347.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre fui um leitor on\u00edvoro. Romances, contos, cr\u00f4nicas, poesias, reportagens e artigos de jornal, an\u00fancios, bulas de rem\u00e9dio \u2013 o que vier eu tra\u00e7o. E Notibras, com destaque para o Caf\u00e9 Liter\u00e1rio, deu-me oportunidade de me aprofundar nesse h\u00e1bito (v\u00edcio?) prazeroso. 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