{"id":367734,"date":"2025-10-19T01:15:47","date_gmt":"2025-10-19T04:15:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=367734"},"modified":"2025-10-18T11:35:24","modified_gmt":"2025-10-18T14:35:24","slug":"ninguem-nunca-foi-tao-censurado-como-o-inesquecivel-plinio-marcos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/ninguem-nunca-foi-tao-censurado-como-o-inesquecivel-plinio-marcos\/","title":{"rendered":"Ningu\u00e9m nunca foi t\u00e3o censurado como o inesquec\u00edvel Pl\u00ednio Marcos"},"content":{"rendered":"<p>O retratado de hoje em O Lado B da Literatura n\u00e3o gostava de estudar e concluiu apenas o ensino prim\u00e1rio. Tamb\u00e9m foi funileiro e at\u00e9 sonhou em ser jogar futebol, tendo atuado na Portuguesa Santista. Entretanto, ao se envolver com o mundo do circo, aos 17 anos, seus caminhos parecem ter sido definidos, inclusive tendo atuado em r\u00e1dio e televis\u00e3o na sua cidade natal, Santos-SP. Estou falando do Pl\u00ednio Marcos, o dramaturgo mais censurado da hist\u00f3ria do Brasil, o homem que viveu no meio do furac\u00e3o e nunca se intimidou, tendo enfrentado seus algozes com textos combativos e de resist\u00eancia contra a Ditadura Militar.<\/p>\n<p>No ano de 1958, foi influenciado pela jornalista Pagu e, ent\u00e3o, acabou se envolvendo com teatro amador, ainda em Santos. Foi nessa \u00e9poca que, impressionaod por um caso ver\u00eddio de um jovem currado na cadeia que escreveu a pe\u00e7a Barrela, sua primeira pe\u00e7a teatral.<\/p>\n<p>Aos 25 anos, em 1960, Pl\u00ednio decide ir para S\u00e3o Paulo, onde chegou a trabalhar como camel\u00f4, ator de teatro e televis\u00e3o, inclusive atuando no seriado &#8220;O Falc\u00e3o Negro, da antiga TV Tupi. Tamb\u00e9m foi uma esp\u00e9cie de faz-tudo do grupo Arena, companhia da Cacilda Becker, e o teatro de Nudia L\u00edcia.<\/p>\n<p>Alguns anos mais tarde, precisamente a partir de 1963, Pl\u00ednio come\u00e7ou a produzir textos para um programa da TV Tupi, o &#8220;TV de Vanguarda, onde tamb\u00e9m trabalhou como t\u00e9cnico. E, j\u00e1 no ano do golpe militar, escreveu o roteiro do espet\u00e1culo &#8220;Nossa gente, nossa m\u00fasica&#8221;. J\u00e1 em 1965, conseguiu encenar &#8220;Reportagem de um tempo mau&#8221;, que era uma colagem de textos de v\u00e1rios autores. No entanto, como previsto, tal pe\u00e7a ficou apenas um dia em cartaz.<\/p>\n<p>Um fato pouco conhecido nos dias atuais \u00e9 que Pl\u00ednio Marcos viveu o c\u00f4mico motorista Vit\u00f3rio na cl\u00e1ssica novela &#8220;Beto Rockfeller&#8221;, de 1968. Tal personagem, ali\u00e1s, foi revivido no cinema, bem como na telenovela &#8220;A volta de Beto Rockfeller, de 1973. E, entre trancos e barrancos, o nosso her\u00f3i sem espada, durante o movimento do cinema marginal, teve duas pe\u00e7as adaptadas pelo direitor Braz Chediak: &#8220;A navalha na carne&#8221; e &#8220;Dois perdidos numa noite suja&#8221;.<\/p>\n<p>A marginalidade, o homossexualismo e a viol\u00eancia eram temas de suas pe\u00e7as, incluindo as cl\u00e1ssicas &#8220;Dois perdidos numa noite suja&#8221;, &#8220;Balada de um palha\u00e7o&#8221;, &#8220;Navalha na carne&#8221; e &#8220;Barrela&#8221;. As duas \u00faltimas, por sinal, foram censuradas, pois, segundo as autoridades da \u00e9poca, eram pe\u00e7as obscenas e que chocariam o p\u00fablico.<\/p>\n<p>Pl\u00ednio chegou a ser preso e interrogado, j\u00e1 que se recusava a acatar interdi\u00e7\u00f5es de espet\u00e1culos, al\u00e9m da sua costumeira postura de den\u00fancia, que tanto incomodava o regime militar. Um subversivo, como seus algozes gostavam de se mencionar a ele, e que precisava ser combatido para que a ordem p\u00fablica fosse mantida. Isso porque temas como a vida noturna dos grandes centros n\u00e3o poderiam chegar ao conhecimento do p\u00fablico e, dessa forma, que os travestis e prostitutas ficassem confinados aos becos e n\u00e3o fossem expostos em teatros.<\/p>\n<p>Outros temas que incomodavam muito o Estado eram a marginalidade, o descaso com as popula\u00e7\u00f5es mais pobres, o sub\u00farbio e a pobreza. Tudo isso batia de frente com o que os militares queriam passar para a popula\u00e7\u00e3o, como se o Brasil vivesse em um mar de rosas.<\/p>\n<p>Pl\u00ednio Marcos incomodava e, parece, continua incomodando. A pr\u00f3pria m\u00eddia, at\u00e9 os dias atuais, evita mencionar o seu nome, o que demonstra que ele continua sendo censurado ap\u00f3s mais de um quarto de s\u00e9culo de sua desencarna\u00e7\u00e3o, ocorrida no dia 19 de novembro de 1999, em S\u00e3o Paulo-SP, aos 64 anos. Vida longa \u00e0 arte engajada!<\/p>\n<p>\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026..<\/p>\n<p><strong>Cassiano Cond\u00e9, 82, ga\u00facho, deixou de teclar reportagens nas reda\u00e7\u00f5es por onde passou. Agora finca os p\u00e9s nas areias da Praia do Cassino, em Rio Grande, onde extrai p\u00e9rolas que se transformam em cr\u00f4nicas.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O retratado de hoje em O Lado B da Literatura n\u00e3o gostava de estudar e concluiu apenas o ensino prim\u00e1rio. Tamb\u00e9m foi funileiro e at\u00e9 sonhou em ser jogar futebol, tendo atuado na Portuguesa Santista. 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