{"id":367955,"date":"2025-10-22T00:00:23","date_gmt":"2025-10-22T03:00:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=367955"},"modified":"2025-10-20T18:11:28","modified_gmt":"2025-10-20T21:11:28","slug":"parafrase-do-poema-inscricao-rupestre-de-lea-palmira-e-silva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/parafrase-do-poema-inscricao-rupestre-de-lea-palmira-e-silva\/","title":{"rendered":"Par\u00e1frase do poema Inscri\u00e7\u00e3o Rupestre de L\u00e9a Palmira e Silva"},"content":{"rendered":"<p>Uma par\u00e1frase dissertativa de um poema deve procurar identificar respostas \u00e0s quest\u00f5es:<\/p>\n<p>\u2013 Quem \u00e9 existencialmente o eu po\u00e9tico que se manifesta no poema?<\/p>\n<p>\u2013 Como ler a revela\u00e7\u00e3o do momento po\u00e9tico vivido pelo eu po\u00e9tico?<\/p>\n<p>\u2013 H\u00e1 refer\u00eancias diretas ou analogias a: sensa\u00e7\u00f5es, sentimentos, emo\u00e7\u00f5es, sentidos perceptivos?<\/p>\n<p>No entanto, na inicia\u00e7\u00e3o aos estudos sobre teoria liter\u00e1ria aplicada a textos de poetas participantes de oficinas, os coment\u00e1rios tendem a ser breves e remetem a compartilhamento entre escritor (a) e leitor (a).<\/p>\n<p>Para tentar enriquecer a arte de compartilhar, a produ\u00e7\u00e3o a ser tomada como objeto de par\u00e1frase, \u00e9 o texto \u201cInscri\u00e7\u00e3o Rupestre\u201d de autoria de L\u00e9a Palmira e Silva:<\/p>\n<p><strong>Inscri\u00e7\u00e3o Rupestre<\/strong><br \/>\nL\u00e9a Palmira e Silva<\/p>\n<p>Sou pedra e nela estou petrificada<br \/>\nSou pedra e posso escutar seus solu\u00e7os<br \/>\nSou pedra e posso acarici\u00e1-los&#8230;<br \/>\nQuando estou no mar,<br \/>\nSuas ondas me cobrem me protegem.<br \/>\nO sol ardente me queima<br \/>\nE eu me aque\u00e7o e me envolvo.<br \/>\nA lua me contempla&#8230;<br \/>\nE eu a enamoro, confiante no amanhecer.<br \/>\nSou pedra, mas ponho-me a chorar<br \/>\nQuando um barco vejo a velejar<br \/>\nE com seus imigrantes a pescar, comovo-me<br \/>\nPor ver suas bravuras num vai e vem do mar<br \/>\nSou pedra da floresta imensa<br \/>\nNeste verdejante plainar.<br \/>\nSou pedra e nela gravaste<br \/>\nO teu lindo gesto&#8230; De amor.<\/p>\n<p>Na busca dos s\u00edmbolos contidos no poema supra; tomamos por fundamenta\u00e7\u00e3o os arqu\u00e9tipos descritos por Lucien Boia: 1o. A consci\u00eancia de uma realidade transcendente; 2o. A alma, a morte, o al\u00e9m; 3o. Alteridade: conex\u00e3o entre o &#8220;eu&#8221; e os &#8220;outros\u201d; 4o. A unidade: o homem aspira por um universo homog\u00eaneo e intelig\u00edvel; 5o. A atualiza\u00e7\u00e3o das origens: mitos fundadores; 6o. Desvelamento do futuro: imagin\u00e1rio adivinhat\u00f3rio \u2013 ocultismo, astrologia profecias; 7o. Evas\u00e3o: mudar de condi\u00e7\u00e3o pela via da ascens\u00e3o espiritual ou pela regress\u00e3o ao estado natural (retorno \u00e0s ra\u00edzes); 8o. Luta e complementaridade dos opostos. Polariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O poema Inscri\u00e7\u00e3o Rupestre de L\u00e9a Palmira e Silva transp\u00f5e em palavras uma manifesta\u00e7\u00e3o existencial importante. Retoma o arqu\u00e9tipo do mito fundador por meio da met\u00e1fora da pedra. Remonta ao tema da ancestralidade pela escrita na pedra (\u201cescrita rupestre\u201d) que \u00e9 a mais antiga forma de registro da perman\u00eancia humana na caverna (abrigo, habita\u00e7\u00e3o, lar, aconchego). A imobilidade expressa no primeiro verso &#8220;Sou pedra e estou petrificada&#8221; que sup\u00f5e a fossiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 alterada, implicitamente, pelo mito do eterno retorno: o eu po\u00e9tico que \u00e9 pedra retorna ao encontro com o tu num lugar onde fica gravado &#8220;o teu lindo gesto de &#8230; Amor.&#8221;<\/p>\n<p><strong>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancia:<\/strong><\/p>\n<p><strong>. BOIA, Lucien. Por uma hist\u00f3ria do imagin\u00e1rio. A Verdade dos Mitos. 1998. Paris: Les Belles Lettres. Cap\u00edtulo I: Estruturas e M\u00e9todos (P. 11-56).<\/strong><\/p>\n<p><strong>. Edna Domenica \u2013 paulistana, desenvolve pesquisa sobre Psicodrama e suas aplica\u00e7\u00f5es em oficinas de escrita criativa, parcialmente publicadas em Aquecendo a produ\u00e7\u00e3o na sala de aula (Nativa, 2001) e Rel\u00f3gio de Mem\u00f3rias (Postmix, 2017). Dedica-se a escritas conjuntas, conforme menciona em entrevista por Cec\u00edlia Baumann Brasil, continente tamb\u00e9m na literatura, se destaca com escritores coletivos &#8211; Notibras. Alguns textos conjuntos foram publicados no Caf\u00e9 Liter\u00e1rio Notibras, a exemplo de: Poema Coletivo &#8221; De que voc\u00ea gosta?&#8221; &#8211; Por Azal\u00e9a, Edna, Eduardo, Gilberto, Rosilene, Ta\u00eds, Tatalo. <\/strong><br \/>\n<strong>\u00c9 autora de A volta do Contador de Hist\u00f3rias (Nova Letra, 2011); Cora, cora\u00e7\u00e3o (Nova Letra, 2011); No Ano do drag\u00e3o (Postmix, 2012), As Marias de San Gennaro (Insular, 2019), O Set\u00eanio (T\u00e3o Livros, 2024). <\/strong><br \/>\n<strong>Sobre ser escritora declara: \u201cescrever \u00e9 uma empreitada existencial desafiadora [\u2026], uma tarefa \u00e1rdua, um afeto prazeroso, um ato de cidadania\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>. L\u00e9a Palmira e Silva \u2013 AZALEIA \u2013 \u00e9 \u201cmanezinha\u201d (nasceu na capital de SC). Em 2013, participou do concurso de Narrativas e Poesias do Sindprevs\/SC e, em 2018, do Concurso Liter\u00e1rio da Academia Criciumense de letras -ACL. Fez o curso de Contadores de Hist\u00f3rias no NETI- UFSC., em 2001, e posteriormente, as oficinas: Teatro da Terceira idade e Escrita Criativa. Foi integrante da ABCH de 2015 a 2023. E da ACONTHIF desde 2001. Participa do Projeto antirracista Retintas 1 e 2 com poemas.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma par\u00e1frase dissertativa de um poema deve procurar identificar respostas \u00e0s quest\u00f5es: \u2013 Quem \u00e9 existencialmente o eu po\u00e9tico que se manifesta no poema? \u2013 Como ler a revela\u00e7\u00e3o do momento po\u00e9tico vivido pelo eu po\u00e9tico? \u2013 H\u00e1 refer\u00eancias diretas ou analogias a: sensa\u00e7\u00f5es, sentimentos, emo\u00e7\u00f5es, sentidos perceptivos? 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