{"id":368140,"date":"2025-10-22T01:49:35","date_gmt":"2025-10-22T04:49:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=368140"},"modified":"2025-10-22T02:00:21","modified_gmt":"2025-10-22T05:00:21","slug":"ibaneis-rocha-o-homem-que-calculava-e-o-problema-dos-dois-votos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/ibaneis-rocha-o-homem-que-calculava-e-o-problema-dos-dois-votos\/","title":{"rendered":"Ibaneis Rocha, O Homem que Calculava (de Malba) e o problema dos dois votos"},"content":{"rendered":"<p>Em <em>O Homem que Calculava<\/em>, Malba Tahan transformou a l\u00f3gica em poesia. Beremiz Samir, o c\u00e9lebre calculista \u00e1rabe, resolvia impasses com uma combina\u00e7\u00e3o improv\u00e1vel de racioc\u00ednio, eleg\u00e2ncia e senso de justi\u00e7a. Se o s\u00e1bio vivesse em Bras\u00edlia, talvez se divertisse com o enigma que o Distrito Federal prepara para 2026, quando o eleitor voltar\u00e1 a escolher dois senadores. Dois votos, in\u00fameras possibilidades e um desafio digno de quem sabe que, na pol\u00edtica, uma v\u00edrgula pode alterar o resultado de toda a equa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ibaneis Rocha conhece o valor de cada n\u00famero. Sabe que a elei\u00e7\u00e3o n\u00e3o se ganha apenas com o voto fiel, mas com o voto que completa a conta, o segundo. Aquele que vem do eleitor que j\u00e1 se decidiu por sua primeira paix\u00e3o, mas ainda procura um nome de equil\u00edbrio, algu\u00e9m que some sem anular. \u00c9 nesse voto complementar, o que flutua entre campos ideol\u00f3gicos, que repousa o segredo do sucesso em 2026.<\/p>\n<p>O tabuleiro \u00e9 vasto e em constante movimento. \u00c0 direita, Michelle Bolsonaro mant\u00e9m o favoritismo natural, enquanto uma eventual candidatura de Bia Kicis ao Senado poderia revirar a mesa. H\u00e1 um acordo de bastidor, e n\u00e3o \u00e9 segredo, para que o PL apoie Ibaneis. A l\u00f3gica \u00e9 cristalina: Michelle representaria o rosto da direita identit\u00e1ria e Ibaneis, a alternativa de gest\u00e3o e experi\u00eancia, uma dobradinha que garantiria vit\u00f3ria aritm\u00e9tica e pol\u00edtica. Caso Bia decida entrar no jogo, o c\u00e1lculo muda. A soma se transforma em subtra\u00e7\u00e3o e os votos que deveriam convergir passam a se dispersar. Seria uma quebra de alinhamento e, para muitos, uma trai\u00e7\u00e3o aos c\u00e1lculos cuidadosamente tra\u00e7ados.<\/p>\n<p>No campo progressista, \u00c9rika Kokay carrega o estandarte da esquerda petista, enquanto Leila Barros tenta preservar o protagonismo do centro moderado. Ambas disputam um eleitorado fiel, mas restrito, e abrem espa\u00e7o para que o voto pragm\u00e1tico procure abrigo em outras paragens. Nesse v\u00e1cuo, Ibaneis poderia crescer. Poderia, se n\u00e3o surgissem novos competidores.<\/p>\n<p>E eles podem vir. Jos\u00e9 Roberto Arruda, agora em rota de reabilita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, acena para o retorno com a for\u00e7a de quem ainda desperta lealdades antigas. Sua eventual candidatura recoloca o voto conservador em disputa direta com Ibaneis. J\u00e1 Reguffe, se resolver trocar o sil\u00eancio estrat\u00e9gico pela reestreia, tem o dom de falar aos eleitores avessos \u00e0 polariza\u00e7\u00e3o. Representa o voto independente, aquele que rejeita extremos e decide o pleito quando o pa\u00eds est\u00e1 dividido.<\/p>\n<p>E n\u00e3o esque\u00e7amos de Izalci Lucas. Senador experiente, discreto e de tr\u00e2nsito f\u00e1cil entre os setores empresariais e a direita tradicional, dificilmente voltar\u00e1 a se arriscar em uma disputa ao Senado. O cen\u00e1rio mais prov\u00e1vel \u00e9 que busque uma vaga na C\u00e2mara dos Deputados ou se acomode em uma das chapas majorit\u00e1rias, talvez como suplente estrat\u00e9gico. Sua decis\u00e3o, embora individual, tem efeito coletivo: redefine alian\u00e7as, rearranja apoios e pode alterar o equil\u00edbrio de for\u00e7as dentro do pr\u00f3prio campo conservador.<\/p>\n<p>Assim, o problema dos dois votos assume contornos quase talm\u00fadicos. O eleitor poder\u00e1 votar, por exemplo, em Michelle e Bia, em Leila e \u00c9rika, em Ibaneis e Arruda, em Reguffe e Ibaneis. As combina\u00e7\u00f5es s\u00e3o tantas que nem Beremiz Samir daria conta sem recorrer a um pergaminho e um \u00e1baco. O risco \u00e9 que, em meio a tantas alternativas, a soma dos favoritos n\u00e3o alcance o suficiente para garantir vaga alguma.<\/p>\n<p>Para Ibaneis, o desafio \u00e9 preservar o que Malba Tahan chamaria de propor\u00e7\u00e3o justa. Manter o PL como aliado, conter impulsos de rebeli\u00e3o, conquistar o eleitor do centro e neutralizar a mem\u00f3ria eleitoral de Arruda e Reguffe, tudo isso sem perder o ar de serenidade de quem j\u00e1 venceu outras batalhas. N\u00e3o \u00e9 uma equa\u00e7\u00e3o simples. Envolve diplomacia, c\u00e1lculo pol\u00edtico e um pouco de f\u00e9, porque o segundo voto \u00e9 mais emo\u00e7\u00e3o do que l\u00f3gica.<\/p>\n<p>Em <em>O Homem que Calculava<\/em>, as contas sempre terminavam em equil\u00edbrio. Na Bras\u00edlia de 2026, talvez nem tanto. A moral da hist\u00f3ria, por\u00e9m, continua v\u00e1lida: quem divide demais, perde. Ibaneis Rocha, o homem que agora calcula, precisar\u00e1 somar diferen\u00e7as, conter vaidades e entender que, no Senado, o que vale n\u00e3o \u00e9 apenas a soma dos votos, mas o valor de cada fra\u00e7\u00e3o que o eleitor decide conceder.<\/p>\n<p>E que, no fim das contas, como diria Beremiz, h\u00e1 problemas que s\u00f3 se resolvem com sabedoria e um pouco de sorte nas urnas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em O Homem que Calculava, Malba Tahan transformou a l\u00f3gica em poesia. 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