{"id":368283,"date":"2025-10-24T02:12:34","date_gmt":"2025-10-24T05:12:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=368283"},"modified":"2025-10-23T20:14:53","modified_gmt":"2025-10-23T23:14:53","slug":"camara-sem-espelhos-reflete-cara-de-policial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/camara-sem-espelhos-reflete-cara-de-policial\/","title":{"rendered":"C\u00e2mara sem espelhos reflete cara de policial"},"content":{"rendered":"<p><!--StartFragment --><\/p>\n<p><span class=\"cf0\">Tr\u00eas d\u00e9cadas depois de instalada com pompa de autonomia e cheiro de Constitui\u00e7\u00e3o nova, a C\u00e2mara Legislativa do Distrito Federal segue \u00e0 procura de um espelho que n\u00e3o a desmoralize. Criada para representar o povo, fiscalizar o Executivo e erguer as colunas da democracia brasiliense, a Casa, hoje presidida pelo emedebista Wellington Luiz, terminou se especializando em outra arquitetura. \u00c9 a de puxadinhos <\/span><span class=\"cf1\">\u2014 simb<\/span><span class=\"cf0\">\u00f3licos e, \u00e0s vezes, concretos <\/span><span class=\"cf1\">\u2014 na sombra generosa do Pal<\/span><span class=\"cf0\">\u00e1cio do Buriti.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"cf0\">Os n\u00fameros oficiais s\u00e3o t\u00e3o respeit\u00e1veis quanto desinteressantes. At\u00e9 outubro de 2025, a C\u00e2mara aprovou 134 proposi\u00e7\u00f5es: 73 Projetos de Lei, 47 Projetos de Decreto Legislativo e uma infinidade de inten\u00e7\u00f5es de utilidade duvidosa. H\u00e1 leis merit\u00f3rias, como as que tratam de cr\u00e9dito justo e uniformes escolares, mas entre uma homenagem e outra, o Legislativo parece se ocupar mais em confeccionar medalhas do que em discutir a cidade real. \u00c9 a capital que<\/span><span class=\"cf1\"> amanhece em\u00a0 muitas das Regi\u00f5es Administrativas, enfrenta o tr<\/span><span class=\"cf0\">\u00e2nsito no <\/span><span class=\"cf0\">Eix\u00e3o<\/span><span class=\"cf0\"> e tenta n\u00e3o perder o \u00f4nibus na W3.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"cf0\">Enquanto isso, o descr\u00e9dito cresce como mato em terreno baldio. Pesquisas internas de partidos apontam para uma renova\u00e7\u00e3o superior a 70% nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es. Na tradu\u00e7\u00e3o literal dos n\u00fameros, significa que de cada dez deputados distritais, sete est\u00e3o a caminho do anonimato. Quanto aos demais, a depender do humor do eleitor, talvez lhes fa\u00e7am companhia. Tudo porque o eleitorado, cansado de discursos e enredos reciclados, parece disposto a varrer o plen\u00e1rio com a mesma disposi\u00e7\u00e3o com que Bras\u00edlia enfrenta uma chuva de outubro.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"cf0\">A ironia \u00e9 que, no papel, a CLDF nasceu como s\u00edmbolo da maturidade democr\u00e1tica. Antes dela, quem legislava sobre o Distrito Federal era o Congresso Nacional <\/span><span class=\"cf1\">\u2014 uma esp<\/span><span class=\"cf0\">\u00e9cie de tutor que decidia at\u00e9 o tamanho da sombra dos candangos. Quando veio a autonomia, em 1991, imaginava-se que, enfim, a capital teria sua pr\u00f3pria voz. Mas o tempo mostrou que a voz se confundiu com o eco do Buriti. E o que deveria ser contraponto virou coro.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"cf0\">Em meio a muitos esc\u00e2ndalos ao longo da sua curta exist\u00eancia, o parlamento local passou a carregar um pecado original que nem as transmiss\u00f5es ao vivo conseguiram absolver. A tecnologia entrou, a transpar\u00eancia foi prometida, os portais foram abertos <\/span><span class=\"cf1\">\u2014 mas a dist<\/span><span class=\"cf0\">\u00e2ncia entre o plen\u00e1rio e o povo continua do tamanho da Esplanada. Bras\u00edlia assiste \u00e0s sess\u00f5es como quem v\u00ea um seriado velho, pois j\u00e1 sabe o enredo, j\u00e1 decorou os personagens e desconfia que o final n\u00e3o muda.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"cf0\">H\u00e1 quem defenda que o problema \u00e9 estrutural; afinal, os 24 deputados distritais acumulam o fardo de serem, ao mesmo tempo, vereadores e deputados estaduais. Mas o drama \u00e9 menos constitucional e mais moral. N\u00e3o se trata de quantidade de fun\u00e7\u00f5es, mas de falta de fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica. A Casa, que deveria ser guardi\u00e3 da autonomia, tornou-se uma esp\u00e9cie de central de apoio pol\u00edtico do Executivo, onde as pautas governistas passam com a docilidade de um gato no colo.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"cf0\">Extinguir a C\u00e2mara seria um retrocesso, dizem os puristas. E t\u00eam raz\u00e3o. Mas mant\u00ea-la como est\u00e1 \u00e9 conden\u00e1-la \u00e0 irrelev\u00e2ncia ornamental. Bras\u00edlia precisa de um parlamento que represente suas dores e esperan\u00e7as, n\u00e3o de uma extens\u00e3o do gabinete do governador. \u00c9 preciso reinventar a fun\u00e7\u00e3o de legislar, que anda soterrada sob o peso das emendas, dos cargos e dos sil\u00eancios convenientes.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"cf0\">No fundo, a CLDF \u00e9 o retrato da pr\u00f3pria cidade que a abriga, considerando que foi planejada para o futuro, mas habitada por fantasmas do passado. \u00c9 moderna na fachada, mas provinciana nas manobras. E, assim, vai sobrevivendo comissionada pela in\u00e9rcia, decorada pela ret\u00f3rica e fiscalizada apenas pela paci\u00eancia do eleitor.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"cf0\">Bras\u00edlia merece mais que um puxadinho. Precisa de um parlamento que tenha coragem, ao menos, de bater de frente com o Buriti sem pedir licen\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Seabra \u00e9 diretor da Sucursal Regional Nordeste de Notibras, de passagem por Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p><!--EndFragment --><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tr\u00eas d\u00e9cadas depois de instalada com pompa de autonomia e cheiro de Constitui\u00e7\u00e3o nova, a C\u00e2mara Legislativa do Distrito Federal segue \u00e0 procura de um espelho que n\u00e3o a desmoralize. 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