{"id":368295,"date":"2025-10-27T00:00:04","date_gmt":"2025-10-27T03:00:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=368295"},"modified":"2025-10-23T23:00:47","modified_gmt":"2025-10-24T02:00:47","slug":"aos-cinco-anos-vania-teve-seu-primeiro-desencantamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/aos-cinco-anos-vania-teve-seu-primeiro-desencantamento\/","title":{"rendered":"Aos cinco anos, V\u00e2nia teve seu primeiro desencantamento"},"content":{"rendered":"<p>Aos cinco anos, V\u00e2nia teve seu primeiro desencantamento, deixou de acreditar em Papai Noel.<\/p>\n<p>Tamanha precocidade se explica: na noite de Natal, levantou-se de madrugada para ir ao banheiro, ouviu barulho na sala, correu para l\u00e1, pensando encontrar o bom velhinho, e viu os pais depositando presentes sob a \u00e1rvore.<\/p>\n<p>&#8211; Ah ah, s\u00e3o voc\u00eas! Papai Noel n\u00e3o existe!<\/p>\n<p>A m\u00e3e a encarou, severa.<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9, n\u00e3o existe. Mas sua irm\u00e3zinha acredita em Papai Noel. Se voc\u00ea contar a ela, vai levar a maior surra de sua vida.<\/p>\n<p>V\u00e2nia a encarou, viu que a m\u00e3e falava s\u00e9rio e achou mais prudente guardar sil\u00eancio. O pior foi que a bobinha da Eda, ent\u00e3o com dois anos, acreditou em Papai Noel at\u00e9 os oito!<\/p>\n<p>Descrente da magia, V\u00e2nia passou a examinar com olhos cr\u00edticos tudo relacionado \u00e0s festas natalinas. N\u00e3o tinha idade para perceber a dimens\u00e3o comercial da coisa, mas achou legal toda a fam\u00edlia se reunir na casa da av\u00f3, para a ceia. Tampouco notou a falsa cordialidade reinante na ocasi\u00e3o, as primas que a beliscavam sempre dirigindo-lhe sorrisinhos meigos, os pais fazendo o equivalente disso em chave adulta&#8230; Afinal, n\u00e3o se pode esperar de uma crian\u00e7a de cinco anos instigantes an\u00e1lises psicol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Um aspecto que sempre a entristecia nessas ocasi\u00f5es eram as can\u00e7\u00f5es de Natal. Havia uma, em especial, que a levava \u00e0s l\u00e1grimas: Anoiteceu, de Assis Valente. Fala de algu\u00e9m que pede a felicidade ao velhinho de barbas brancas e n\u00e3o \u00e9 atendido. Jamais esqueceu o verso que mais a comovia: \u201cEu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel\u201d. N\u00e3o era, V\u00e2nia compreendeu. Os pais de muitas crian\u00e7as n\u00e3o tinham recursos para comprar comida suficiente, quanto mais brinquedos para os filhos.<\/p>\n<p>Depois disso, a menina examinou criticamente a profus\u00e3o de bonecas que ganhara e continuava a receber, algumas quase esquecidas, substitu\u00eddas por outras rec\u00e9m-presenteadas, e concluiu:<\/p>\n<p>&#8211; Crian\u00e7a n\u00e3o precisa de muitos brinquedos, crian\u00e7a precisa brincar!<\/p>\n<p>Ap\u00f3s essa constata\u00e7\u00e3o, pediu aos pais, para os Natais seguintes, uns dois bonecos de garoto, alguns soldadinhos de chumbo e bolinhas de gude. O casal ficou preocupado, eram coisas de menino&#8230;Mas atendeu e, sem esperar dezembro, deu-lhe os presentes pedidos, bem mais baratos que a boneca de porcelana que pretendia comprar. A menina ficou radiante, passou a reproduzir cenas de adultos (n\u00e3o transas, n\u00e3o fazia ideia do que se passava entre quatro paredes), lances das guerras que via na TV, coisas assim. Compreendeu que a imagina\u00e7\u00e3o era o ingrediente essencial a qualquer brincadeira, capaz de transformar uma latinha amassada em um b\u00f3lido de F\u00f3rmula 1. E treinou muito com suas bolas de gude, at\u00e9 poder desafiar os garotos da rua, vencer algumas partidas, perder outras, e ser aceita pela molecada.<\/p>\n<p>Aos quinze anos, V\u00e2nia teve seu segundo grande desencantamento, acreditou no velho papo, \u201cVou s\u00f3 colocar a cabecinha\u201d.<\/p>\n<p>Mas a dor logo deu lugar ao prazer, a adolescente descobriu que gostava do fuzu\u00ea.<\/p>\n<p>O mundo se reencantou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos cinco anos, V\u00e2nia teve seu primeiro desencantamento, deixou de acreditar em Papai Noel. 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