{"id":368508,"date":"2025-10-27T00:15:59","date_gmt":"2025-10-27T03:15:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=368508"},"modified":"2025-10-26T16:20:43","modified_gmt":"2025-10-26T19:20:43","slug":"viver-em-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/viver-em-sociedade\/","title":{"rendered":"Viver em sociedade"},"content":{"rendered":"<p>Muito se discute sobre a posi\u00e7\u00e3o da mulher.<\/p>\n<p>Sempre pronta a servir, a acolher, a solucionar.<\/p>\n<p>E, sim, \u00e9 verdade que todo trabalho n\u00e3o remunerado \u00e9 destinado \u00e0 mulher, mas naquele dia vi mais que isso.<\/p>\n<p>Estou acostumada a ver as mulheres procurarem um paninho para limpar algo que ela derramou sem querer, procurar uma vassoura, ajeitar os pratos, colocar as embalagens no lixo&#8230; T\u00e3o acostumada que \u00e9 simplesmente algo normalizado como uma caracter\u00edstica feminina.<\/p>\n<p>Maria arrumava seus livros na estante, decorava o espa\u00e7o com cenouras, notebook e capim seco. Um pouco de p\u00f3 e sobra do capim caiu no carpete.<\/p>\n<p>Vejo Maria abaixada tentando limpar algo.<\/p>\n<p>Doce, com seu jeito meigo, ela tentava limpar a sujeira com as pontas dos dedos.<\/p>\n<p>Sorri para ela e disse:<\/p>\n<p>__ N\u00e3o precisa, daqui a pouco varremos.<\/p>\n<p>Meiga, ela insiste:<\/p>\n<p>__ Tem certeza? Traz a vassoura.<\/p>\n<p>__ Temos, sim. Responde em coro eu e minha amiga.<\/p>\n<p>Corro os olhos em volta dos estandes e observo que, todos os dias de manh\u00e3, as mulheres de todos os estandes pegavam vassouras, variam os estandes e seguiam o dia. Passei a observar, nos dias seguintes, que nenhum homem fazia o mesmo, embora o espa\u00e7o estivesse cheio deles.<\/p>\n<p>Percebo ent\u00e3o que sim, a mulher foi dada a posi\u00e7\u00e3o de servir, do trabalho n\u00e3o remunerado, mas a realidade \u00e9 que somos muito mais que isso, n\u00f3s aprendemos a viver em sociedade, a amenizar o peso, diminuir a carga do outro. N\u00e3o o fazemos apenas porque algu\u00e9m nos imp\u00f4s uma posi\u00e7\u00e3o inferior, mas tamb\u00e9m por compreender que vivemos em comunidade, e que, se cada um faz sua parte, a vida se torna leve, mais organizadas e bem distribu\u00eddas.<\/p>\n<p>Percebo aqui que debatemos muito sobre em como a mulher deve renunciar ao excesso de trabalho, da sobrecarga e, sim, devemos falar sobre refletir, mas, por outro lado. n\u00e3o vemos esse debate ser direcionado aos homens, cobrando deles esse aprendizado, essa consci\u00eancia.<\/p>\n<p>Ao homem \u00e9 dada a ideia de que ele paga ou uma mulher faz de gra\u00e7a, de tal forma que n\u00e3o incentivamos a compreens\u00e3o masculina de cuidar do espa\u00e7o que ele habita, relaciona, convive.<\/p>\n<p>Se ele entra em um restaurante, h\u00e1 a ideia de que algu\u00e9m, o gar\u00e7om, est\u00e1 ali para servi-lo, ao fim do atendimento, esse homem se levanta, deixa tudo espalhado na mesa e se retira. Ele pagou a conta, pagou para ser servido.<\/p>\n<p>A mulher, na maioria das vezes, junta os guardanapos e embalagens, ajeita no prato, empilha um sobre o outro com todos os garfos dentro e agradece ao gar\u00e7om por retirar.<\/p>\n<p>Inferioridade? Educada para servir?<\/p>\n<p>Compreens\u00e3o do que \u00e9 viver em sociedade.<\/p>\n<p><strong>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/strong><\/p>\n<p><strong>M\u00e9rcia Souza, m\u00e3e, av\u00f3, artes\u00e3 crocheteira e escritora, descobriu sua paix\u00e3o pela arte ainda na inf\u00e2ncia, possui tr\u00eas livros publicados, dois romances e um de cr\u00f4nicas e participa\u00e7\u00e3o em v\u00e1rias antologias. Fundadora do projeto \u201cMulheres com voz\u201d sonha com um mundo de igualdade. <\/strong><br \/>\n<strong>Atualmente reside em Cachoeiro de Itapemirim-ES.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muito se discute sobre a posi\u00e7\u00e3o da mulher. 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