{"id":368902,"date":"2025-10-31T00:15:54","date_gmt":"2025-10-31T03:15:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=368902"},"modified":"2025-10-30T17:55:30","modified_gmt":"2025-10-30T20:55:30","slug":"oito-minicontos-improvaveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/oito-minicontos-improvaveis\/","title":{"rendered":"OITO MINICONTOS IMPROV\u00c1VEIS"},"content":{"rendered":"<p>1. &#8220;Z\u00e1s!&#8221;<\/p>\n<p>C\u00e9rebro vagabundo, indefin\u00edvel miolo circula\/dor de gal\u00e1xias. O chefe apita o trem. A dor rompe o limite, desanda. Trilha de sangue no trilho de a\u00e7o. O salto de verniz espelha o sangue; o mundo espreita: menino mo\u00eddo sobre dormentes. Trilhos escarlates. Pernas tr\u00eamulas sobem o \u00faltimo degrau. Tranco. Estrondo. Vertigem. Vag\u00f5es em movimento. Obsess\u00e3o por hist\u00f3rias essenciais. \u00c9 hora de reinventar contos para a mulher sobre pernas, sobre saltos. Sobressalto. Sabe que eu gosto muito de&#8230; Z\u00e1s! S\u00fabito, o homem vomita adjetivos pela janela virtual.<\/p>\n<p>2. &#8220;S\u00e1bias mitologias&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;O senhor \u00e9 o matador de porcos?&#8221;. O senhor \u00e9 a besta-fera?&#8221;. O senhor \u00e9 o s\u00e1bio da salva\u00e7\u00e3o?&#8221;. &#8220;O senhor \u00e9 o capit\u00e3o do mato?&#8221;&#8230;&#8221;Manh\u00ea\u00ea\u00ea, tem um homem na porta com cara de homem do saco&#8221;. &#8220;N\u00e3o, menina. Eu sou apenas o apedeuta insatisfaz\u00edvel de teus sonhos mais profundos&#8221;.<\/p>\n<p>3. &#8220;A faquira digital&#8221;<\/p>\n<p>Zarda, a faquira fake, fazendo abstin\u00eancia sexual em pra\u00e7a p\u00fablica. Deitada sobre a cama de pregos digita poemas transcendentais. Zardoz, o mit\u00f3logo, medita, enrolado em cobras hologr\u00e1ficas que dan\u00e7am m\u00fasica futurista. Na grande tela de cristal l\u00edquido pisca o an\u00fancio: &#8220;Conhe\u00e7a o seu futuro e fa\u00e7a abstin\u00eancia total&#8221;.<\/p>\n<p>4. &#8220;Amores dalt\u00f4nicos&#8221;<\/p>\n<p>ELE (rom\u00e2ntico): &#8220;Sendo dois, seremos um. Libertaremos sons pag\u00e3os de Hermeto \u00e0 Zappa, passando por Villa Lobos e mergulhando em Sch\u00f6nberg. As noites ser\u00e3o eternas. Nunca mais apenas brancas ou pretas&#8221;<\/p>\n<p>ELA (cortante): &#8220;Esqueceu?&#8230; eu sou dalt\u00f4nica, porra!<\/p>\n<p>O dia amanheceu com um estranho arco-\u00edris abra\u00e7ando a cidade.<\/p>\n<p>5. &#8220;Amores virtuais&#8221;<\/p>\n<p>Todos os dias as lembran\u00e7as se apagam. Fr\u00e1geis e amareladas. Velhas cartas que se esfarelam. Mas a criatura surge sempre quase real. Visitas inesperadas. Nada ficou por explorar. A descoberta, a atra\u00e7\u00e3o, o desejo, a paix\u00e3o, a parceria, o desamor, a fuga. S\u00f3 ficou a mem\u00f3ria do amor. E os dedos polegares a ditar o espa\u00e7o vazio entre as m\u00e3os.<\/p>\n<p>6. &#8220;Amores virulentos&#8221;<\/p>\n<p>Naquele turbilh\u00e3o de vol\u00fapia havia um qu\u00ea de velhacaria. A gringa ufanava-se do Brasil. Sem deixar d\u00favidas sobre suas inten\u00e7\u00f5es, chegava a propor uma viagem a s\u00f3s. Justo ela, toda volumosamente correta, em claro contraste ao traste do homem de m\u00e3ozinhas gordas. Naquela certeza um tanto tonta, ele multiplicava projetos e perip\u00e9cias lascivas. Ela assentia. S\u00fabido, o homem foi clicar no bot\u00e3o errado. Explodiu possibilidades, inten\u00e7\u00f5es qualificadas. ENTER e z\u00e1s! Infectou de v\u00edrus o nov\u00edssimo pc comprado em 36 vezes, no cart\u00e3o, para libidinosos amores virtuais.<\/p>\n<p>7. &#8220;E nenhuma explica\u00e7\u00e3o&#8221;<\/p>\n<p>Penso em escritos soltos, rabiscos de viagem, quebra-cabe\u00e7as de alto impacto, impress\u00f5es instant\u00e2neas e resolu\u00e7\u00f5es lentas, ruminadas. Caleidosc\u00f3pios\/palavras\/imagens. Liquidificador de sentidos, pixels, flashs. Perambul\u00e2ncias, olhares roubados. Vagabundan\u00e7as. Movimento do viver. Retalhos do cotidiano. Cenas que acenam. Vertigens virtuais.<\/p>\n<p>8. &#8220;Escritos s\u00e3o genes virtuais&#8221;<\/p>\n<p>Contar e escrever as hist\u00f3rias. Dar voz aos an\u00f4nimos, aos invis\u00edveis e assim, encontrar as pr\u00f3prias narrativas. Eu continuo arrumando os livros e rabiscando e escrevendo e entupindo o HD e os arquivos e as telas. Mesmo que sejam bites, algoritmos, ilus\u00f5es no ciberespa\u00e7o. N\u00e3o transformar os rabiscos\/escritos em lixo. Juntar o que escrevemos para que n\u00e3o desapare\u00e7am dentro dos laptops, dos notebooks, dos smartfones. Buracos-negros do ciberespa\u00e7o. Imagine s\u00f3 a solid\u00e3o de almas de cada s\u00edlaba, cada palavra, cada frase contida nos textos\/bites perdidos? Rabiscos s\u00e3o gentes. Escritos s\u00e3o genes virtuais.<\/p>\n<p><strong>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gilberto Motta \u00e9 escritor, jornalista e professor\/pesquisador de textos, formas e cada vez mais &#8220;assassino&#8221; de palavras: sobram os sentidos. Vive na Guarda do Emba\u00fa, pequena comunidade de pescadores e turistas no litoral Sul de SC.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. &#8220;Z\u00e1s!&#8221; C\u00e9rebro vagabundo, indefin\u00edvel miolo circula\/dor de gal\u00e1xias. O chefe apita o trem. A dor rompe o limite, desanda. Trilha de sangue no trilho de a\u00e7o. O salto de verniz espelha o sangue; o mundo espreita: menino mo\u00eddo sobre dormentes. Trilhos escarlates. Pernas tr\u00eamulas sobem o \u00faltimo degrau. Tranco. Estrondo. Vertigem. Vag\u00f5es em movimento. 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