{"id":368920,"date":"2025-10-31T00:45:44","date_gmt":"2025-10-31T03:45:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=368920"},"modified":"2025-10-31T09:02:56","modified_gmt":"2025-10-31T12:02:56","slug":"tia-rita-o-futebol-e-eu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/tia-rita-o-futebol-e-eu\/","title":{"rendered":"Tia Rita, o futebol e eu"},"content":{"rendered":"<p>Meu pai, embora gostasse de assistir a jogos, n\u00e3o tinha predile\u00e7\u00e3o por nenhum clube de futebol. Achava irracional permitir que a derrota de um time estragasse seu final de semana. Hoje eu dou raz\u00e3o a ele, torcer n\u00e3o tem, de fato, nada de racional, \u00e9 algo completamente emocional. A maior emo\u00e7\u00e3o fr\u00edvola \u00e9 ver seu clube ganhar um cl\u00e1ssico ou, mais ainda, ser campe\u00e3o, pois como diz Nelson Rodrigues: \u201cEntre as coisas sem import\u00e2ncia o futebol \u00e9 a mais importante\u201d. Com meus 7 ou 8 anos de vida, no entanto, n\u00e3o entendia nada disso, apenas me sentia frustrado, pois todos os meus amigos torciam para o mesmo time de seus respectivos pais, mas eu n\u00e3o tinha como fazer isso. \u00c9 a\u00ed que surge uma personagem inusitada: tia Rita.<\/p>\n<p>Antes, por\u00e9m, de contar o que tem tia Rita a ver com a hist\u00f3ria, \u00e9 preciso dizer quem foi ela, que import\u00e2ncia teve na minha vida e na dos meus irm\u00e3os, assim como, e principalmente, nas vidas de minha m\u00e3e e de seus irm\u00e3os e, finalmente, na de todos os nossos parentes pelo seu ramo da fam\u00edlia. Tia Rita nasceu em uma fazenda no interior de S\u00e3o Paulo, no ano de 1890, era a filha do meio entre 11 irm\u00e3os sem contar alguns que n\u00e3o vingaram. A ca\u00e7ula dessa fam\u00edlia era minha av\u00f3, Veridiana.<\/p>\n<p>Veridiana, m\u00e3e de 4 filhos pequenos, esperando o quinto, com a idade de 30 anos, em 1931, faleceu tragicamente de t\u00e9tano neonatal ao ter o dedo perfurado por uma agulha de tric\u00f4, perdendo tamb\u00e9m o beb\u00ea. Naquele tempo, embora j\u00e1 existisse a vacina contra a bact\u00e9ria <em>Clostridium<\/em> <em>tetani<\/em>, descoberta em 1924 por um grupo de cientistas alem\u00e3es liderados por Emil von Behring, as campanhas de vacina\u00e7\u00e3o tinham alcance muito limitado, em especial, atingiam em muito menor escalas as pequenas localidades de interior, pois eram muito centralizadas. Assim, tia Rita assumiu a cria\u00e7\u00e3o das quatro crian\u00e7as. Minha m\u00e3e, com apenas 8 anos, a mais velha.<\/p>\n<p>\u01eauando meus pais se casaram, em 1950, tia Rita, pela proximidade que tinha com a sobrinha, veio morar com eles. Minha m\u00e3e, j\u00e1 naquela \u00e9poca, trabalhava como professora prim\u00e1ria e, na parte do dia em que permanecia dando aulas, deixava os 4 filhos, \u00e0 medida que foram nascendo, aos cuidados da tia. Portanto, mais do que tia av\u00f3, foi propriamente nossa av\u00f3 materna. Mas, de todo modo, era conhecida como a \u201ctia Rita\u201d, n\u00e3o somente nossa e de todos os parentes j\u00e1 citados, bem como dos primos, dos primos dos primos, dos primos dos primos dos primos e de todos nossos amigos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ser uma pessoa extraordinariamente generosa, tratava toda essa gente com muito carinho e do\u00e7ura; do\u00e7ura tanto no sentido afetivo como no literal, pois era ex\u00edmia fazedora de v\u00e1rios tipos de guloseimas, sendo seu doce de leite a prefer\u00eancia das crian\u00e7as e objeto da nossa lembran\u00e7a at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n<p>Mas esse texto \u00e9 sobre futebol, e ela n\u00e3o s\u00f3 apreciava o esporte, como desde jovem se tornou torcedora apaixonada do tradicional Clube Paulistano. O futebol no Brasil, como todos os demais esportes ainda o s\u00e3o at\u00e9 hoje, era amador at\u00e9 1930, quando foi profissionalizado.<\/p>\n<p>Todos os grandes clubes aderiram \u00e0 nova orienta\u00e7\u00e3o, somente o Paulistano resolveu n\u00e3o abra\u00e7ar essa condi\u00e7\u00e3o, pois era contra a remunera\u00e7\u00e3o dos atletas, acreditando que isso inviabilizaria suas finan\u00e7as, ficando impedido de participar de todos os torneios j\u00e1 existentes e dos surgidos posteriormente. O clube, ent\u00e3o, resolveu intensificar os investimentos em outras modalidades e extinguir a equipe de futebol, deixando sua grande torcida \u201c\u00f3rf\u00e3\u201d.<\/p>\n<p>Mais ou menos, nessa mesma \u00e9poca, tamb\u00e9m na capital paulista, foi fundado o time do S\u00e3o Paulo Futebol Clube. Pela similaridade, ao menos em rela\u00e7\u00e3o ao nome, e por ser tamb\u00e9m origin\u00e1rio da cidade, o novo time herdou como \u201cesp\u00f3lio\u201d parte da torcida do extinto Paulistano. V\u00e1rios, entretanto, sem muita convic\u00e7\u00e3o, como era o caso da nossa tia. Eu, bem pequeno, mas me lembro de pessoas comentando o fato de ela ser uma s\u00e3o-paulina pouco entusiasmada; o que a cativava, na verdade, era a sele\u00e7\u00e3o Brasileira.<\/p>\n<p>Em 1958 aconteceu a 6\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Copa do Mundo de Futebol, na Su\u00e9cia e o Brasil, j\u00e1 ostentando o ep\u00edteto de \u201cCanarinho\u201d, possu\u00eda um time imbat\u00edvel, mas ainda engasgado com a frustrante derrota por 2 X 1 na final para o Uruguai em 1950, na 4\u00aa edi\u00e7\u00e3o, justamente quando a copa ocorreu no nosso pa\u00eds. O epis\u00f3dio, at\u00e9 hoje, \u00e9 lembrado como o \u201cMaracanazo\u201d, em alus\u00e3o \u00e0 trag\u00e9dia que se abateu no dia 16 de julho daquele ano com a derrota da nossa sele\u00e7\u00e3o (ah, por coincid\u00eancia, o mesmo dia em que meus pais se casaram), o t\u00edtulo foi para o pa\u00eds vizinho, dando origem \u00e0 grande rivalidade entre os dois escretes. O jogo aconteceu na inaugura\u00e7\u00e3o do est\u00e1dio Jornalista Mario Filho, no Rio de Janeiro, o popular Maracan\u00e3, constru\u00eddo especialmente para a realiza\u00e7\u00e3o da copa, para dar lugar ao jogo da final.<\/p>\n<p>Em 1954, na ent\u00e3o Alemanha Ocidental, n\u00e3o tivemos sucesso novamente, ainda que, nesse ano, para superar o trauma e talvez at\u00e9 por supersti\u00e7\u00e3o, o uniforme branco, usado at\u00e9 ent\u00e3o, foi abandonado e adotada a camisa amarela (hoje sequestrada) com cal\u00e7\u00f5es azuis.<\/p>\n<p>Na Copa da Su\u00e9cia, a sele\u00e7\u00e3o, entre outros craques, tinha Djalma Santos, Zito, Didi, Garrincha, Vav\u00e1 e, no terceiro jogo da fase de grupos, contra a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, a estreia de um menino negro de 17 anos \u2013 n\u00e3o entrou nos dois primeiros jogos, pois estava contundido \u2013 que encantou o mundo e n\u00e3o saiu mais do time. Seu nome: Pel\u00e9. Ele, al\u00e9m de v\u00e1rias jogadas geniais, fez seis gols no torneio, dois deles no jogo final contra a sele\u00e7\u00e3o anfitri\u00e3, na vit\u00f3ria por 5 X 2, que selou a conquista do nosso primeiro t\u00edtulo mundial.<\/p>\n<p>O segundo gol de Pel\u00e9 nesse jogo \u00e9 um dos mais belos de todas as copas e possivelmente o mais reproduzido por filmes ou fotos de todos os gols marcados em todo o mundo at\u00e9 hoje, cuja descri\u00e7\u00e3o \u00e9 mais ou menos a seguinte: na \u00e1rea advers\u00e1ria, o futuro Rei, marcado pelo zagueiro Bengt Gustavsson, recebe de Garrincha um cruzamento na medida, mata a bola no peito e, antes que chegue ao ch\u00e3o, d\u00e1 um toque por baixo, ela sobe mais de dois metros e meio, quase na dire\u00e7\u00e3o vertical, encobrindo o advers\u00e1rio num chap\u00e9u maravilho, e, novamente, sem deixar chegar ao ch\u00e3o, Pele faz o arremate para a rede do goleiro Kalle Svensson, que n\u00e3o teve como reagir, convertendo o placar em 3 x 1, a Su\u00e9cia marcaria mais um gol e o Brasil mais dois.<\/p>\n<p>Eu tinha apenas tr\u00eas anos de idade e, naturalmente, n\u00e3o tenho mem\u00f3ria desses gols e nem de outros detalhes dos jogos, que vim a conhecer posteriormente, mas me lembro claramente de alguns fatos adjacentes.<\/p>\n<p>Na sala de casa havia uma cristaleira e, sobre ela, uma r\u00e1dio vitrola. N\u00e3o t\u00ednhamos TV, mas, mesmo se tiv\u00e9ssemos, os jogos n\u00e3o eram televisionados, apenas transmitidos pelas r\u00e1dios, e, diga-se, o som que chegava era de p\u00e9ssima qualidade. Assim, para se conseguir ouvir alguma coisa, era necess\u00e1rio se aproximar bem do aparelho. O m\u00f3vel n\u00e3o era muito alto, mas tia Rita, com menos de 1,50 m de altura, tinha dificuldade em alcan\u00e7ar, obrigando-a a ficar nas pontas dos p\u00e9s para colar ouvido. \u01eauando o Brasil marcava um gol, ela comemorava empolgada, mas se fosse de Pel\u00e9, a comemora\u00e7\u00e3o era muito mais efusiva e ela gritava o nome dele. Estas cenas, at\u00e9 hoje, permanecem gravadas em minha retina, e embora seja uma lembran\u00e7a feliz, eu n\u00e3o compreendia muito bem o que se passava.<\/p>\n<p>Outras caracter\u00edsticas da tia eram ser altamente nacionalista, ufanista, e, quando gostava de algo, n\u00e3o tinha meio termo, se deixava apaixonar perdidamente. Reverenciava cada um dos jogadores e at\u00e9 mesmo o t\u00e9cnico, o bonach\u00e3o Vicente Feola, mas com Pel\u00e9 era diferente, posso dizer sem exagero, ela o venerava. Da\u00ed a passar a ler e ouvir tudo a seu respeito e, por consequ\u00eancia, interessar-se pelo time do qual fora pin\u00e7ado para engrandecer uma sele\u00e7\u00e3o j\u00e1 espetacular, o Santos Futebol Clube, foi praticamente instant\u00e2neo. Ela finalmente conseguia superar o sentimento amargo experimentado h\u00e1 30 anos, transferindo seu amor v\u00e3o pelo Paulistano ao \u201cglorioso Alvinegro Praiano\u201d como diz um verso do seu hino n\u00ba 2, \u201cLe\u00e3o do Mar\u201d.<\/p>\n<p>Desse modo, pela import\u00e2ncia que ela tinha em minha vida e n\u00e3o podendo torcer para o time de meu pai, quando comecei a me interessar pelo futebol e me sentia perdido na busca de um para chamar de meu, logo cheguei \u00e0 conclus\u00e3o de que deveria adotar o dela. Assim, torcer passou a ser mais um elemento a nos aproximar. Um tema a mais para conversarmos e uma pareceria para ouvir pelo r\u00e1dio ou assistir pela TV, \u2013 o pai havia comprado uma no in\u00edcio dos anos 1960 \u2013 sendo a maioria das vezes reprises transmitidas por v\u00eddeo tapes.<\/p>\n<p>Assim, vimos juntos nosso amado Peixe ser bicampe\u00e3o da libertadores, o primeiro campe\u00e3o e bicampe\u00e3o mundial do Brasil e tantos t\u00edtulos paulistas, do Rio\/S\u00e3o Paulo e dos campeonatos e torneios nacionais, al\u00e9m de trof\u00e9us e medalhas internacionais aos borbot\u00f5es em raz\u00e3o das in\u00fameras excurs\u00f5es realizadas pelo mundo todo a convite de v\u00e1rios pa\u00edses. S\u00f3 n\u00e3o foi comigo assistir jogos no Pacaembu, no Urbano Caldeira, a popular Vila Belmiro e em outros est\u00e1dios pelo estado, pois era muito caseira e detestava tomar condu\u00e7\u00f5es, s\u00f3 se aventurava a sair \u00e0s ruas se fosse para um lugar pr\u00f3ximo, \u00e0s vezes nem tanto, mas ia sempre a p\u00e9. Tomar um \u00f4nibus, taxi, bonde, ou seja l\u00e1 o que fosse, s\u00f3 em \u00faltimo caso.<\/p>\n<p>Para acentuar nossa paix\u00e3o, as equipes montadas pelo Santos desde a segunda metade dos anos 1950, passando por toda a d\u00e9cada de 1960 e chegando at\u00e9 1974, quando Pel\u00e9 pendurou as chuteiras pela primeira vez, eram simplesmente espetaculares. Em 1975 ele retomou a carreira indo jogar no New York Cosmos e ensinar o futebol para os gringos, que eles insistem em chamar at\u00e9 hoje de \u201csoccer\u201d. Pel\u00e9 ficou por l\u00e1 at\u00e9 1977 e, durante esse per\u00edodo, nosso querido \u201cPeixe\u201d entrou em uma profunda crise, com a sa\u00edda do \u201cRei\u201d, parece que os grandes craques passaram a recus\u00e1-lo. Nos consol\u00e1vamos acompanhando a carreira do nosso \u00eddolo nos gramados estadunidenses.<\/p>\n<p>Assim foi que passei minha inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia vendo aquele time maravilhoso de tantos craques \u2013 n\u00e3o vou citar nomes para n\u00e3o alongar demais o texto, e, talvez, deixar de mencionar um nome que fosse, de cada um deles \u2013 fazendo hist\u00f3ria e vencendo partidas memor\u00e1veis, sendo reverenciado por todos os pa\u00edses pelos quais passava, e n\u00e3o foram poucos, fazendo coisas incr\u00edveis dentro de campo e fora dele, parando at\u00e9 guerras.<\/p>\n<p>Depois da sa\u00edda de Pel\u00e9, o Santos teve altos e baixos, mas tia Rita, um ano antes de falecer, teve o prazer de ver resgatado o bom futebol com a primeira gera\u00e7\u00e3o dos apelidados \u201cmeninos da Vila\u201d, jovens garotos geniais formados nas categorias infantis e juvenis, sendo campe\u00e3o do Paulist\u00e3o pela primeira vez ap\u00f3s o fim da fase de ouro, no campeonato de 1978, mas cuja decis\u00e3o contra o S\u00e3o Paulo FC, aconteceu em 1979.<\/p>\n<p>Se tia Rita ainda vivesse e tivesse a lucidez de outros tempos, teria visto mais duas gera\u00e7\u00f5es de \u201cmeninos da Vila\u201d, os campe\u00f5es brasileiros em 2002, contra o Corinthians e a de 2010 com Neymar e Ganso, que conquistaram em 2011 o tri da Libertadores de Am\u00e9rica. Hoje, no entanto, estaria triste com o fraco desempenho do nosso alvinegro, que chegou a cair para a segunda divis\u00e3o em 2023, mas j\u00e1 otimista com o futuro, pois esse era mais um dos tra\u00e7os de sua personalidade.<\/p>\n<p>Mas a verdade \u00e9 que tamb\u00e9m me sinto igualmente triste, mas com o mesmo otimismo herdado (ou aprendido) dela. De resto, s\u00f3 posso agradecer por ter sido t\u00e3o importante na minha vida e me ensinado tantas coisas como amar o glorioso SANTOS FUTEBOL CLUBE, mas aquilo foi em uma \u00e9poca rom\u00e2ntica, em que o \u201cesporte bret\u00e3o\u201d, como se dizia, era muito mais amor do que interesses comerciais e financeiros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meu pai, embora gostasse de assistir a jogos, n\u00e3o tinha predile\u00e7\u00e3o por nenhum clube de futebol. Achava irracional permitir que a derrota de um time estragasse seu final de semana. Hoje eu dou raz\u00e3o a ele, torcer n\u00e3o tem, de fato, nada de racional, \u00e9 algo completamente emocional. A maior emo\u00e7\u00e3o fr\u00edvola \u00e9 ver seu [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":368923,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[234],"tags":[],"class_list":["post-368920","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cafe-literario"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/368920","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=368920"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/368920\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":368996,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/368920\/revisions\/368996"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/368923"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=368920"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=368920"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=368920"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}