{"id":370343,"date":"2025-11-10T00:00:01","date_gmt":"2025-11-10T03:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=370343"},"modified":"2025-11-10T05:56:46","modified_gmt":"2025-11-10T08:56:46","slug":"massacre-de-paraisopolis-foi-legitima-defesa-diz-pm-a-depor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/massacre-de-paraisopolis-foi-legitima-defesa-diz-pm-a-depor\/","title":{"rendered":"Massacre de Parais\u00f3polis &#8220;foi leg\u00edtima defesa&#8221;, diz PM a depor"},"content":{"rendered":"<p>Em depoimento prestado no F\u00f3rum Criminal da Barra Funda, em S\u00e3o Paulo, a policial militar Aline Ferreira In\u00e1cio afirmou que a atua\u00e7\u00e3o da corpora\u00e7\u00e3o no epis\u00f3dio conhecido como Massacre de Parais\u00f3polis, que resultou na morte de nove jovens em dezembro de 2019, ocorreu em leg\u00edtima defesa. Ela lembrou que nenhum dos policiais envolvidos saiu da opera\u00e7\u00e3o com ferimentos graves.<\/p>\n<p>Ainda na ativa e a \u00fanica disposta a testemunhar, Aline era quem dava as ordens ao efetivo destacado para atuar na opera\u00e7\u00e3o no Baile da DZ7, na favela de Parais\u00f3polis.<\/p>\n<p>Como outros 11 policiais, ela responde na Justi\u00e7a por homic\u00eddio. Os agentes podem ser julgados em j\u00fari popular, ap\u00f3s as audi\u00eancias de instru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com exce\u00e7\u00e3o da tenente, todos os envolvidos no caso optaram pelo direito ao sil\u00eancio e decidiram n\u00e3o testemunhar. A postura, j\u00e1 esperada pela outra parte do processo, teria como objetivo evitar poss\u00edveis contradi\u00e7\u00f5es nos relatos. A audi\u00eancia ocorreu enquanto movimentos sociais realizavam um protesto em frente ao F\u00f3rum Criminal da Barra Funda, reunindo centenas de jovens, em sua maioria negros, que acompanharam o julgamento em solidariedade \u00e0s m\u00e3es das v\u00edtimas.<\/p>\n<p>A agente reiterou o que seu colega Rodrigo Cardoso da Silva disse ao juiz Ant\u00f4nio Carlos Pontes de Souza, respons\u00e1vel pelo caso, em mar\u00e7o deste ano. Testemunha indicada por seis dos policiais acusados, Rodrigo Silva declarou que uma segunda viatura foi acionada para proteger colegas que chegaram antes e estavam sendo supostamente atacados por pessoas do baile.<\/p>\n<p>Segundo a vers\u00e3o apresentada pela Pol\u00edcia Militar, o refor\u00e7o no efetivo foi necess\u00e1rio devido ao risco representado por dois ocupantes de uma motocicleta. De acordo com a corpora\u00e7\u00e3o, os suspeitos teriam chegado atirando, o que teria provocado o tumulto entre o p\u00fablico do baile e a correria que se seguiu.<\/p>\n<p>Para os familiares das v\u00edtimas, seus advogados e a Defensoria P\u00fablica de S\u00e3o Paulo, respons\u00e1vel pela acusa\u00e7\u00e3o no processo, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que os jovens foram cercados de forma deliberada, em uma emboscada que terminou em uma viela estreita. Em 2023, uma biom\u00e9dica da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) ouvida pelo juiz atestou a asfixia como causa das mortes, descartando a hip\u00f3tese de pisoteamento apresentada pelos policiais.<\/p>\n<p>Durante o depoimento, a policial militar negou que o direcionamento das v\u00edtimas ao local da trag\u00e9dia tenha sido intencional ou que houvesse bloqueios para impedir poss\u00edveis rotas de fuga. Segundo ela, seria \u201cimposs\u00edvel\u201d realizar tal a\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que \u201cn\u00e3o conhecia todos os becos e vielas\u201d da regi\u00e3o, considerada extensa. A agente acrescentou que \u201ca trag\u00e9dia teria sido muito maior, se fosse feita com esse intuito\u201d.<\/p>\n<p>O Massacre de Parais\u00f3polis ocorreu em um per\u00edodo em que o ent\u00e3o governador Jo\u00e3o Doria havia intensificado as a\u00e7\u00f5es contra os bailes funk da capital paulista, em uma pol\u00edtica criticada por movimentos sociais e especialistas por representar uma forma de criminaliza\u00e7\u00e3o do funk e das comunidades perif\u00e9ricas. Entre 1\u00ba de janeiro e 1\u00ba de dezembro de 2019, a Pol\u00edcia Militar realizou 7,5 mil opera\u00e7\u00f5es sob a justificativa de cumprir a lei do sil\u00eancio e combater o tr\u00e1fico de drogas e outros crimes.<\/p>\n<p>Os advogados das fam\u00edlias das v\u00edtimas questionam, no processo, a possibilidade de omiss\u00e3o de socorro, al\u00e9m do cerco que teria levado os jovens \u00e0 morte por asfixia. Ao ser questionada, a policial afirmou que seguiu o protocolo previsto em resolu\u00e7\u00e3o da corpora\u00e7\u00e3o, evitando ultrapassar suas atribui\u00e7\u00f5es para n\u00e3o agravar o estado das v\u00edtimas. Ela reconheceu, no entanto, que o treinamento em primeiros socorros oferecido pela PM \u00e9 \u201csuperficial, feito apenas durante a forma\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de forma cont\u00ednua\u201d.<\/p>\n<p>&#8220;Ali n\u00e3o era uma situa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica&#8221;, alegou, para explicar por que, na sua avalia\u00e7\u00e3o, primeiros-socorros n\u00e3o solucionariam o atendimento, acrescentando que ela chegou a atender uma das v\u00edtimas na viatura que dirigia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em depoimento prestado no F\u00f3rum Criminal da Barra Funda, em S\u00e3o Paulo, a policial militar Aline Ferreira In\u00e1cio afirmou que a atua\u00e7\u00e3o da corpora\u00e7\u00e3o no epis\u00f3dio conhecido como Massacre de Parais\u00f3polis, que resultou na morte de nove jovens em dezembro de 2019, ocorreu em leg\u00edtima defesa. 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