{"id":370539,"date":"2025-11-12T04:15:15","date_gmt":"2025-11-12T07:15:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=370539"},"modified":"2025-11-12T04:30:55","modified_gmt":"2025-11-12T07:30:55","slug":"no-paraiso-suburbano-o-que-mais-se-sobressai-e-a-coragem-do-povo-em-fazer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/no-paraiso-suburbano-o-que-mais-se-sobressai-e-a-coragem-do-povo-em-fazer\/","title":{"rendered":"No para\u00edso suburbano, o que mais se sobressai \u00e9 a coragem do povo em fazer"},"content":{"rendered":"<p>Simpatizante da cultura urbana, particularmente a suburbana, tenho predile\u00e7\u00e3o por aqueles que, de forma simpl\u00f3ria e rom\u00e2ntica conseguem transformar uma banana da terra em uma suculenta moqueca. Lembrar do lim\u00e3o e da limonada n\u00e3o d\u00e1 mais ibope. Tamb\u00e9m est\u00e1 fora de moda dizer que pobre gosta de ser pobre. Pelo contr\u00e1rio. Parafraseando aquele cidad\u00e3o nordestino cujo primeiro diploma foi o de presidente da Rep\u00fablica, ainda que fora da realidade, pobre gosta mesmo \u00e9 de\u00a0coisa boa, de comer bem, de comprar os melhores produtos na feira e na Black Friday. E n\u00e3o importa que seja em 24 ou 36 presta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Portanto, continua vigente a tese carnavalesca do artista Jo\u00e3osinho Trinta, para quem o povo gosta mesmo \u00e9 de luxo, deixando a mis\u00e9ria para os intelectuais. J\u00e1 ouvi dizer que o pov\u00e3o pode ser induzido a seguir uma causa, mas nunca a compreend\u00ea-la. O Brasil viveu algo parecido durante quatro recentes anos. O que n\u00e3o disseram para o mo\u00e7o que queria dominar a massa \u00e9 que, para conhecer o car\u00e1ter do povo, \u00e9 preciso ser pr\u00edncipe, e, para compreender o do pr\u00edncipe, \u00e9 preciso pertencer ao povo. Resumindo, quando a vontade do povo \u00e9 soberana, o governo \u00e9 um fiel servidor, mas, quando a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 inversa, o povo \u00e9 escravo.<\/p>\n<p>Vim do povo e serei sempre do povo. Com a metodologia po\u00e9tica do mo\u00e7ambicano Mia Couto, aprendi que cada um de n\u00f3s descobre o seu anjo tendo um caso com o dem\u00f4nio. Por isso, concordo\u00a0<i>ipsis litteris\u00a0<\/i>com a afirma\u00e7\u00e3o de que a maior desgra\u00e7a de uma na\u00e7\u00e3o pobre \u00e9 que, em vez de produzir riqueza, produz ricos. Adepto da filosofia popular de que mais vale um seio na m\u00e3o do que dois no suti\u00e3, desde cedo convivo com a m\u00e1xima suburbana de que honra n\u00e3o se lava com sangue, pois, al\u00e9m de sujar toda a roupa, cria embara\u00e7os \u00e0 liberdade e impede que a traidora tamb\u00e9m confeccione para o Ricard\u00e3o um belo chap\u00e9u de touro.<\/p>\n<p>Aproveitando o ensejo corneol\u00f3gico, relembro uma das mais s\u00e9rias teorias de S\u00e9rgio Porto, o meu, o seu, o nosso Stanislaw Ponte Preta que, apesar do nome, era torcedor fan\u00e1tico do Fluminense carioca. Segundo ele, o marido enganado \u00e9 apenas um homem que se engana a respeito da mulher que o enganou. Ponto final. Desse mund\u00e3o de Deus, o que mais prezo s\u00e3o as coisas que me chegam do povo, pelo povo e para o povo. Por exemplo, \u00e9 comum ouvirmos que a mulher enganou o Diabo. Atire a primeira pedra quem discorda da afirma\u00e7\u00e3o. Do meu catre cinzento e frio, vou mais longe: Se o Capet\u00e3o entendesse de mulher, n\u00e3o teria rabo e nem chifre. N\u00e3o \u00e0 toa, a filosofia do pov\u00e3o estabeleceu que\u00a0vi\u00favo \u00e9 um r\u00e9u que obteve liberdade condicional.<\/p>\n<p>Outra terr\u00edvel filosofia popular e sobre a qual n\u00e3o tenho conhecimento de causa revela que, do jeito que as coisas v\u00e3o, em breve o terceiro sexo estar\u00e1 em primeiro plano. O que sei \u00e9 que o problema vem gerando numerosas reclama\u00e7\u00f5es entre as mulheres. A mais comum \u00e9 que est\u00e1 faltando homens no mercado. E n\u00e3o adianta inform\u00e1-las que mercado n\u00e3o \u00e9 lugar para se achar machos alfa. Eles s\u00e3o facilmente encontrados nos bares e casas de facilidades, onde o tratamento vip das funcion\u00e1rias p\u00fablicas \u00e9 do tipo exporta\u00e7\u00e3o. Vale a pena consultar o card\u00e1pio.<\/p>\n<p>O mais interessante no para\u00edso suburbano \u00e9 a coragem do povo. Comum nas pra\u00e7as mais abastadas e menos honestas, as frases\u00a0<i>Sou feliz com o que tenho, Amo minha mulher, Jesus est\u00e1 contigo, Deus acima de tudo e Dinheiro n\u00e3o traz felicidade<\/i>\u00a0viram prov\u00e9rbios desembara\u00e7ados, corretos, atuais e, sobretudo, sem margem de erro. Por exemplo, n\u00e3o \u00e9 incomum encontrar no cal\u00e7ad\u00e3o de Bangu ou no Mercado de Madureira um afrodescendente de inteiro teor e sem a necessidade de v\u00eanias portando uma camiseta de algod\u00e3o com a seguinte e verdadeira revela\u00e7\u00e3o: \u201cDinheiro sobrando, bilau mole, hemorroidas, fimose e chifre ningu\u00e9m diz que tem\u201d. Que se apresentem os mentirosos ou calem-se para sempre.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/p>\n<p><strong>Wenceslau Ara\u00fajo \u00e9 Editor-Chefe de Notibras<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Simpatizante da cultura urbana, particularmente a suburbana, tenho predile\u00e7\u00e3o por aqueles que, de forma simpl\u00f3ria e rom\u00e2ntica conseguem transformar uma banana da terra em uma suculenta moqueca. Lembrar do lim\u00e3o e da limonada n\u00e3o d\u00e1 mais ibope. Tamb\u00e9m est\u00e1 fora de moda dizer que pobre gosta de ser pobre. Pelo contr\u00e1rio. 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