{"id":370578,"date":"2025-11-13T01:15:02","date_gmt":"2025-11-13T04:15:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=370578"},"modified":"2025-11-12T08:16:02","modified_gmt":"2025-11-12T11:16:02","slug":"no-escurinho-do-cinema-com-uma-amiga-cinefila","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/no-escurinho-do-cinema-com-uma-amiga-cinefila\/","title":{"rendered":"NO ESCURINHO DO CINEMA COM UMA AMIGA CIN\u00c9FILA"},"content":{"rendered":"<p>Antes de mais nada, gostaria de declarar que a leitura da colet\u00e2nea de cr\u00f4nicas rec\u00e9m-publicada de autoria da minha amiga Br\u00edgida de Poli \u2013 jornalista e escritora &#8211; reclassificou a minha posi\u00e7\u00e3o perante o apaixonante tema denominado &#8220;cinema&#8221;.<\/p>\n<p>Explico, sempre me considerei um cin\u00e9filo de carteirinha, mas, ap\u00f3s a leitura de &#8220;No escurinho do cinema, mem\u00f3rias de uma cin\u00e9fila&#8221;, tomei consci\u00eancia de que, na verdade, eu perten\u00e7o \u00e0 tribo dos f\u00e3s\/apreciadores de cinema, pois cin\u00e9filo(a), na acep\u00e7\u00e3o da palavra, \u00e9 mesmo a autora dessa obra e quem mais tiver o amor incondicional, a resili\u00eancia persecut\u00f3ria e o conhecimento que ela conquistou sobre o universo do cinema.<\/p>\n<p>Nas setenta leves e deliciosas p\u00e1ginas da obra mencionada, Br\u00edgida intercala lembran\u00e7as desde tenra inf\u00e2ncia e an\u00e1lises profundas sobre a s\u00e9tima arte e (ouso dizer) alguns dos milhares de filmes a que j\u00e1 assistiu, seja na telona tradicional do escurinho dos cinemas ou nas telas menores da pr\u00f3pria casa.<\/p>\n<p>Pergunto, quem nunca riu, chorou, se emocionou, refletiu e, de alguma forma, at\u00e9 repensou os seus conceitos sobre a vida frente \u00e0 m\u00e1gica tela que nos atrai feito borboletas sobrevoando um jardim?<\/p>\n<p>Nessa toada, Br\u00edgida nos relata passagens da sua jornada pessoal de cin\u00e9fila-raiz e as aventuras, del\u00edcias e desventuras que marcaram o seu extraordin\u00e1rio v\u00ednculo com o cinema, entretanto, nos vinte e seis cap\u00edtulos da sua inspirada colet\u00e2nea, faz muito mais do que isso. Surfando na informalidade da sua envolvente verve, ela nos faz refletir sobre a influ\u00eancia da s\u00e9tima arte nos caminhos da Hist\u00f3ria, assim como tamb\u00e9m na incid\u00eancia da magia do cinema sobre a singularidade da nossa vis\u00e3o sobre o mundo e at\u00e9 mesmo sobre o sentido da nossa pr\u00f3pria exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Com a finalidade de dissecar alguns aspectos da obra, inicialmente destaco um curioso cap\u00edtulo que, por emblem\u00e1tico, merece uma aten\u00e7\u00e3o especial, visto que vincula um important\u00edssimo aspecto da hist\u00f3ria de vida da autora com a sua singular liga\u00e7\u00e3o com o cinema. Trata-se do cap\u00edtulo seis denominado &#8220;Sem negocia\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Nele, ainda &#8220;jovenzinha&#8221;, ela revela a sua firme atitude de nunca namorar durante uma pel\u00edcula, pois &#8220;cinema \u00e9 para ver o filme!&#8221;, sendo que tal imperativo kantiano era imediatamente comunicado aos pretendentes que a convidavam para &#8220;um cineminha&#8221;.<\/p>\n<p>Quais foram os desdobramentos da aplica\u00e7\u00e3o de tal princ\u00edpio inflex\u00edvel e inegoci\u00e1vel? Sinto muito, prezados leitores, esse spoiler cessa aqui, voc\u00eas ter\u00e3o que ler a obra para saciarem essa e outras curiosidades.<\/p>\n<p>No cap\u00edtulo sete, Br\u00edgida nos revela os crit\u00e9rios e emo\u00e7\u00f5es que definiram os seus tr\u00eas mais amados crushs da tela m\u00e1gica. Essa &#8220;confiss\u00e3o&#8221; vou adiantar por aqui, dada a excel\u00eancia e proverbial refinamento das escolhas que, antes de qualquer outro crit\u00e9rio, com certeza primaram pelo talento e carisma hol\u00edstico dos eleitos: Marlon Brando, Sidney Poitier e Sean Connery.<\/p>\n<p>Na mesma trilha da autora e fazendo uso dos mesmos crit\u00e9rios (?), aproveito para confidenciar aqui as minhas tr\u00eas musas de ouro do cinema, sendo que minha amiga compartilha comigo a un\u00e7\u00e3o divina da terceira citada: Sharon Stone, Demi Moore e Juliette Binoche. Ent\u00e3o, leitoras e leitores, temos bom gosto?<\/p>\n<p>A autora, ap\u00f3s ter se formado em jornalismo, conta-nos que, no exerc\u00edcio da sua atividade profissional, conseguiu realizar o sonho de conhecer pessoalmente alguns \u00eddolos do cinema. Entre eles, destacam-se D\u00e9bora Bloch, Chico Diaz, Carlos Alberto Ricceli, Cac\u00e1 Diegues e, para a sua eterna e doce recorda\u00e7\u00e3o, uma figura que transcende qualquer coment\u00e1rio e cujo nome \u00e9 sin\u00f4nimo de arte, simplesmente o grande e insuper\u00e1vel Chico Buarque de Hollanda (inveja master).<\/p>\n<p>Todavia, realidade ou licen\u00e7a po\u00e9tica, em outro cap\u00edtulo da obra, a autora relata um encontro pessoal ainda mais inesquec\u00edvel com um certo diretor italiano que hoje mora no Olimpo da s\u00e9tima arte. Quem seria o monstro sagrado? Fa\u00e7am suas apostas.<\/p>\n<p>Algumas estrat\u00e9gias de a\u00e7\u00e3o reveladas pela autora-cin\u00e9fila com as quais facilmente, n\u00f3s, amantes da s\u00e9tima arte, nos identificamos de imediato, sem d\u00favida foram os artif\u00edcios de inf\u00e2ncia-juventude na \u00e1rdua luta para entrar nas salas de sess\u00e3o e assistir aos filmes dispon\u00edveis nos cinemas das nossas cidades, ultrapassando as proibi\u00e7\u00f5es regulamentares e sem gastar um dinheiro que n\u00e3o t\u00ednhamos na \u00e9poca.<\/p>\n<p>Por exemplo, nas batalhas que desafiaram o proibido, Br\u00edg\u00edda relata que usou salto alto quando menina para parecer mais velha e burlar a proibi\u00e7\u00e3o da faixa et\u00e1ria do filme, promoveu a &#8220;altera\u00e7\u00e3o&#8221; da data de nascimento na carteirinha de estudante com a mesma finalidade, deu um jeitinho para ficar dentro do cinema durante o t\u00e9rmino de uma sess\u00e3o e o in\u00edcio de outra, garimpou sess\u00f5es duplas para economizar e &#8220;matou&#8221; aulas para priorizar os filmes que n\u00e3o dava para perder. Pergunto, quem nunca entrou nessa grande tribo?<\/p>\n<p>Outro cap\u00edtulo significativo que vale destacar refere-se aos tempos de chumbo da ditadura militar e da censura \u00e0s artes. &#8220;Dona Solange&#8221;, a executiva do regime nessa &#8220;digna&#8221; tarefa, passava impiedosamente a tesoura e proibia ou mutilava os filmes que o governo militar considerava moralmente inadequados e\/ou perigosos \u00e0 ordem vigente. Dentre os filmes proibidos de serem exibidos no pa\u00eds por muito tempo, Br\u00edgida cita, entre outros, &#8220;Laranja Mec\u00e2nica&#8221; e &#8220;O \u00faltimo tango em Paris&#8221;, dois filmes que eu tamb\u00e9m corri para assistir assim que liberados.<\/p>\n<p>Outro destaque da obra sinaliza para os medos terrificantes e tamb\u00e9m para as alegrias redentoras que alguns filmes provocam e que deixam marcas em nosso inconsciente. A autora destaca entre aqueles que gelaram a sua alma: &#8220;O exorcista&#8221;, &#8220;Alien, o 8\u00ba passageiro&#8221; e &#8220;A bruxa de Blair&#8221;. J\u00e1 entre os que elevaram a sua alma e deixaram a vida mais doce, cita, &#8220;Dan\u00e7ando na chuva&#8221; e &#8220;Priscila, a rainha do deserto&#8221;.<\/p>\n<p>Os bastidores e o mundo real por tr\u00e1s das telas tamb\u00e9m foram objeto de an\u00e1lise da pertinaz e atenta autora. Esse aspecto do mundo n\u00e3o t\u00e3o m\u00e1gico do cinema foi abordado no cap\u00edtulo vinte e dois denominado &#8220;\u00cddolos de p\u00e9s de barro&#8221;. Nele, Br\u00edgida fala de aspectos nada edificantes que envolveram, por exemplo, o diretor Elia Kazan, o astro de primeira grandeza Marlon Brando, o brilhante Woody Allen, Mel Gibson, Morgan Freeman e at\u00e9 mesmo a doce e bela Winona Ryder.<\/p>\n<p>Na cr\u00f4nica sobre o legado pessoal do cinema, a autora relaciona aspectos que, juntamente com a literatura, permitiram que ela enxergasse o mundo de um patamar mais elevado, conhecendo, entre outras causas dignificantes, o feminismo e a luta das mulheres, a luta contra o racismo, o pacifismo e a luta pela preserva\u00e7\u00e3o do meio-ambiente. Ela n\u00e3o se furta a mencionar que o mundo m\u00e1gico das telas tamb\u00e9m provocou efeitos n\u00e3o t\u00e3o saud\u00e1veis, como o h\u00e1bito de fumar, atualmente j\u00e1 abandonado.<\/p>\n<p>Sobre os seus filmes preferidos, cito a frase da autora que, por emblem\u00e1tica, diz tudo sobre a sua insuper\u00e1vel paix\u00e3o cin\u00e9fila-raiz:<\/p>\n<p>-Depois de milhares de horas no escurinho do cinema, chego f\u00e1cil a cem filmes favoritos e ainda pe\u00e7o para ampliar a lista!<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante a amplitude dos amores filmogr\u00e1ficos assumido pela autora, &#8220;No escurinho do cinema&#8221; nos brindou com a lista dos dez filmes tops da Hist\u00f3ria do cinema, rela\u00e7\u00e3o que, todavia, ela alerta ser por demais flex\u00edvel e que pode mudar de um dia para o outro.<br \/>\nTalvez at\u00e9 por isso, n\u00e3o vou citar aqui esse top ten de ouro, deixando isso para os leitores conferiram diretamente na leitura do livro.<\/p>\n<p>De resto, uma \u00faltima observa\u00e7\u00e3o do autor dessa resenha:<\/p>\n<p>\u2014 Cin\u00e9filos, apreciadores\/f\u00e3s de cinema e curiosos em geral, leiam a obra porque vale \u00e0 pena. Ele j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel no site da editora.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"3nFHOQ7znZ\"><p><a href=\"https:\/\/insular.com.br\/produto\/no-escurinho-do-cinema-memorias-de-uma-cinefila\/\">No escurinho do cinema: mem\u00f3rias de uma cin\u00e9fila<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"&#8220;No escurinho do cinema: mem\u00f3rias de uma cin\u00e9fila&#8221; &#8212; Insular\" src=\"https:\/\/insular.com.br\/produto\/no-escurinho-do-cinema-memorias-de-uma-cinefila\/embed\/#?secret=ZIGkL8PYcb#?secret=3nFHOQ7znZ\" data-secret=\"3nFHOQ7znZ\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes de mais nada, gostaria de declarar que a leitura da colet\u00e2nea de cr\u00f4nicas rec\u00e9m-publicada de autoria da minha amiga Br\u00edgida de Poli \u2013 jornalista e escritora &#8211; reclassificou a minha posi\u00e7\u00e3o perante o apaixonante tema denominado &#8220;cinema&#8221;. 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