{"id":371597,"date":"2025-11-20T07:02:27","date_gmt":"2025-11-20T10:02:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=371597"},"modified":"2025-11-20T09:07:22","modified_gmt":"2025-11-20T12:07:22","slug":"palmares-fala-em-avancos-mas-alerta-para-racismo-sistemico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/palmares-fala-em-avancos-mas-alerta-para-racismo-sistemico\/","title":{"rendered":"Palmares fala em avan\u00e7os, mas alerta para racismo sist\u00eamico"},"content":{"rendered":"<p>A comemora\u00e7\u00e3o do Dia da Consci\u00eancia Negra, neste 20 de novembro, data em que \u00e9 lembrada a morte de Zumbi dos Palmares, \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o de que houve avan\u00e7os \u201cextraordin\u00e1rios\u201d no pa\u00eds nos \u00faltimos 60 anos em termos de igualdade racial. Essa \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o do presidente da Funda\u00e7\u00e3o Palmares, Jo\u00e3o Jorge Santos Rodrigues.<\/p>\n<p>\u00c0 Ag\u00eancia Brasil, Rodrigues celebrou que o resultado das lutas do movimento negro e de lideran\u00e7as como Abdias Nascimento e L\u00e9lia Gonzalez foi o avan\u00e7o na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais democr\u00e1tica. O presidente da funda\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m advertiu, entretanto, que o cen\u00e1rio continua a n\u00e3o ser o ideal, apesar de conquistas que ele destaca, como as cotas raciais, a cria\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Igualdade Racial e a prote\u00e7\u00e3o a territ\u00f3rios quilombolas demarcados.<\/p>\n<p>Abdias Nascimento foi escritor, dramaturgo, artista pl\u00e1stico, professor universit\u00e1rio, pol\u00edtico e ativista dos direitos civis e humanos das popula\u00e7\u00f5es negras brasileiras. Da mesma forma, L\u00e9lia Gonzalez foi uma intelectual, autora, ativista, professora, fil\u00f3sofa e antrop\u00f3loga brasileira, considerada uma refer\u00eancia nos estudos e debates de g\u00eanero, ra\u00e7a e classe no Brasil e no mundo.<\/p>\n<p>Rodrigues compara que o racismo brasileiro \u00e9 bem diferente do racismo nos Estados Unidos, na \u00c1frica do Sul, na \u00cdndia ou na Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um racismo sist\u00eamico, um crime continuado, sofisticado e permanente. Ele vai encontrando f\u00f3rmulas de evitar que o negro esteja vivo para usufruir dessas a\u00e7\u00f5es afirmativas. \u00c9 o caso das chacinas no Rio (de Janeiro), na Bahia ou em S\u00e3o Paulo, onde h\u00e1 mortandade da popula\u00e7\u00e3o negra\u201d.<\/p>\n<p><strong>Serra da Barriga<\/strong><br \/>\nO presidente destaca ainda o papel da Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares, fundada em 22 de agosto de 1988. Uma de suas miss\u00f5es \u00e9 a prote\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o da Serra da Barriga, local do maior e mais duradouro quilombo das Am\u00e9ricas, o Quilombo dos Palmares, situado na cidade de Palmares, em Alagoas. L\u00e1 est\u00e1 o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, espa\u00e7o dedicado \u00e0 mem\u00f3ria, resist\u00eancia e cultura afro-brasileira.<\/p>\n<p>Rodrigues lembrou que a Funda\u00e7\u00e3o levou seis anos, entre 2018 e 2022, sem nenhuma atividade celebrativa ao Dia da Consci\u00eancia Negra na Serra da Barriga, transformado em feriado nacional pelo presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva e pelas ministras Anielle Franco, da Igualdade Racial, e Margareth Menezes, da Cultura. Para ele, o feriado nacional permite pautar a causa da justi\u00e7a e da igualdade de oportunidades.<\/p>\n<p>\u201cA popula\u00e7\u00e3o negra n\u00e3o est\u00e1 pedindo nada que n\u00e3o seja devido. N\u00f3s constru\u00edmos esta Na\u00e7\u00e3o com trabalho, com suor, com sangue, e o Brasil \u00e9 a terceira maior popula\u00e7\u00e3o negra do mundo, depois da Nig\u00e9ria e Eti\u00f3pia, com 113 milh\u00f5es de pessoas\u201d.<\/p>\n<p>Por isso, Jo\u00e3o Jorge Rodrigues afirmou que \u00e9 devida ao povo negro uma s\u00e9rie de repara\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, que est\u00e1 sendo feita, embora \u201cn\u00e3o na velocidade que meus antepassados sonharam\u201d.<\/p>\n<p>No quilombo hist\u00f3rico da Serra da Barriga, ele relata que foram feitos muitos melhoramentos na preserva\u00e7\u00e3o e no acesso, em termos de informa\u00e7\u00f5es, para visitantes brasileiros e estrangeiros.<\/p>\n<p>&#8220;Edificar a mem\u00f3ria do povo brasileiro n\u00e3o \u00e9 uma tarefa simples, porque envolve a mem\u00f3ria das mulheres, dos ind\u00edgenas, da popula\u00e7\u00e3o negra, dos catadores, dos participantes das revoltas de Canudos e de Mal\u00eas, por exemplo. \u00c9 tudo que foi ocultado e foi tratado pela pol\u00edtica como esquecimento\u201d.<\/p>\n<p>A Guerra de Canudos foi um conflito armado que envolveu o Ex\u00e9rcito brasileiro e membros da comunidade socioreligiosa liderada por Ant\u00f4nio Conselheiro, em Canudos, no interior da Bahia. Os confrontos ocorreram entre 1896 e 1897, com a destrui\u00e7\u00e3o da comunidade e a morte da maior parte dos 25 mil habitantes de Canudos. J\u00e1 a Revolta dos Mal\u00eas foi uma rebeli\u00e3o de escravizados africanos que ocorreu em Salvador (BA), durante o Primeiro Reinado, em 24 de janeiro de 1835. \u00c9 considerada o maior levante de escravizados da hist\u00f3ria do Brasil.<\/p>\n<p><strong>Maior entendimento<\/strong><br \/>\nA secret\u00e1ria-executiva do Conselho Nacional de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial (CNPIR), Larissa Santiago, tamb\u00e9m avalia que houve avan\u00e7os em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 igualdade racial no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cA gente tem conseguido discutir sobre igualdade racial com mais clareza, capilaridade. Acho que as pessoas, hoje, entendem o que significa igualdade racial e conseguem discutir mais sobre esse tema, sobre racismo, enfrentamento a racismo\u201d.<\/p>\n<p>Para Larissa, isso se deve, sobretudo, ao avan\u00e7o nas pol\u00edticas de educa\u00e7\u00e3o, com a consolida\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o das leis de cotas nas universidades e com a amplia\u00e7\u00e3o das cotas no servi\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p>&#8220;Significa que a gente tem uma presen\u00e7a. \u00c9 claro que n\u00e3o \u00e9 o ideal, e a gente est\u00e1 trabalhando para que isso consiga avan\u00e7ar mais, mas existe, de fato, e \u00e9 not\u00f3ria a participa\u00e7\u00e3o e a presen\u00e7a das pessoas negras nas universidades, nos cursos federais e t\u00e9cnicos\u201d.<\/p>\n<p>Em consequ\u00eancia disso, destacou, houve aumento de professores negros, que t\u00eam condi\u00e7\u00e3o de trazer para seus alunos a hist\u00f3ria, as perspectivas de ra\u00e7a, classe e g\u00eanero.<\/p>\n<p>Larissa admitiu, por outro lado, que o Brasil ainda tem muitos desafios nesse campo. Como um pa\u00eds de dimens\u00e3o continental, com muitos estados e munic\u00edpios, e uma maioria de popula\u00e7\u00e3o negra espalhada pelo pa\u00eds, entre os desafios est\u00e1 garantir acesso \u00e0 sa\u00fade plena e seguran\u00e7a p\u00fablica para todas as pessoas.<\/p>\n<p>\u201cEu imagino que, sendo a pol\u00edtica de igualdade racial uma pol\u00edtica transversal, a gente tem desafios nas diferentes \u00e1reas, nos diferentes espectros das pol\u00edticas p\u00fablicas. E sa\u00fade e seguran\u00e7a s\u00e3o duas pol\u00edticas da maior import\u00e2ncia para alcan\u00e7ar, na ponta, a nossa popula\u00e7\u00e3o\u201d, manifestou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A comemora\u00e7\u00e3o do Dia da Consci\u00eancia Negra, neste 20 de novembro, data em que \u00e9 lembrada a morte de Zumbi dos Palmares, \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o de que houve avan\u00e7os \u201cextraordin\u00e1rios\u201d no pa\u00eds nos \u00faltimos 60 anos em termos de igualdade racial. 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