{"id":371653,"date":"2025-11-20T19:02:23","date_gmt":"2025-11-20T22:02:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=371653"},"modified":"2025-11-20T19:55:30","modified_gmt":"2025-11-20T22:55:30","slug":"lula-vira-o-jogo-com-diplomacia-e-leva-trump-a-recuar-no-tarifaco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/lula-vira-o-jogo-com-diplomacia-e-leva-trump-a-recuar-no-tarifaco\/","title":{"rendered":"Lula vira o jogo com diplomacia e leva Trump a recuar no tarifa\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p>Quando a Casa Branca anunciou, nesta quinta-feira (20), a retirada das tarifas adicionais sobre produtos brasileiros, n\u00e3o foi apenas uma boa not\u00edcia para exportadores de carne, caf\u00e9 ou frutas tropicais. Foi, sobretudo, a comprova\u00e7\u00e3o de que a diplomacia brasileira \u2014 tantas vezes subestimada \u2014 segue viva, l\u00facida e estrat\u00e9gica. E de que Luiz In\u00e1cio Lula da Silva soube, mais uma vez, conduzir uma crise internacional sem estardalha\u00e7o, sem bravatas e sem ceder aos impulsos imediatistas que costumam cercar conflitos comerciais.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o de Donald Trump de derrubar a sobretaxa de 40% sobre produtos brasileiros n\u00e3o saiu do nada. Ela foi constru\u00edda no sil\u00eancio das conversas diplom\u00e1ticas, na m\u00e3o estendida ao di\u00e1logo e na capacidade de convencer a maior pot\u00eancia do planeta de que a persist\u00eancia do tarifa\u00e7o traria preju\u00edzo para os dois lados.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio, o governo brasileiro evitou transformar a disputa comercial em espet\u00e1culo pol\u00edtico. Em vez de amea\u00e7as ou retalia\u00e7\u00f5es apressadas \u2014 que at\u00e9 poderiam agradar a plateias dom\u00e9sticas \u2014 Lula preferiu o caminho da negocia\u00e7\u00e3o firme e respeitosa.<\/p>\n<p>Ao enfatizar que tarifas altas prejudicavam tanto produtores brasileiros quanto consumidores americanos, o presidente transmitiu uma mensagem simples e inquestion\u00e1vel: n\u00e3o h\u00e1 vencedores em guerra comercial. Os EUA encarecem insumos e alimentos; o Brasil perde acesso privilegiado a um mercado vital. Recuar, portanto, era sensato para Washington. E Lula fez quest\u00e3o de mostrar isso com clareza.<\/p>\n<p>A retirada das tarifas representa um al\u00edvio importante para setores estrat\u00e9gicos da economia nacional. Carne, caf\u00e9, banana, tomate e outros produtos do agroneg\u00f3cio recuperam competitividade nos Estados Unidos, abrindo espa\u00e7o para retomada de volumes exportados e contratos que estavam amea\u00e7ados.<\/p>\n<p>Mais do que isso, pois a medida \u00e9 retroativa, valendo para produtos que entraram nos EUA desde 13 de novembro. Ou seja, exportadores brasileiros n\u00e3o perder\u00e3o receita acumulada durante o per\u00edodo em que a taxa\u00e7\u00e3o ainda vigorava. \u00c9 uma vit\u00f3ria concreta.<\/p>\n<p>Ao afirmar que \u201chouve progresso inicial no andamento das negocia\u00e7\u00f5es com o governo brasileiro\u201d, Trump fez algo raro ao reconhecer o m\u00e9rito do interlocutor. O gesto refor\u00e7a a efic\u00e1cia da estrat\u00e9gia brasileira de paci\u00eancia, firmeza e di\u00e1logo, especialmente num cen\u00e1rio em que a pol\u00edtica comercial dos EUA costuma ser marcada por decis\u00f5es abruptas e uso das tarifas como instrumento de press\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 trivial fazer o governo norte-americano recuar. E Lula conseguiu isso sem desgaste diplom\u00e1tico e sem abrir m\u00e3o da defesa dos interesses nacionais.<\/p>\n<p>Embora uma parcela das tarifas ainda permane\u00e7a, o passo dado hoje \u00e9 significativo e abre espa\u00e7o para avan\u00e7os ainda maiores. O Brasil entra nessa nova etapa fortalecido: mostrou disposi\u00e7\u00e3o para negociar, obteve concess\u00f5es reais, e conseguiu demonstrar que o protecionismo americano tamb\u00e9m \u00e9 prejudicial \u00e0 economia dos EUA.<\/p>\n<p>Se nas pr\u00f3ximas semanas vier um acordo mais amplo, ser\u00e1 consequ\u00eancia direta dessa virada diplom\u00e1tica.<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio \u00e9, no fundo, um lembrete de que pol\u00edtica externa se faz com cabe\u00e7a fria e interlocu\u00e7\u00e3o madura. Lula demonstrou que \u00e9 poss\u00edvel defender os interesses brasileiros sem romper pontes, sem teatraliza\u00e7\u00e3o e sem transformar adversidades comerciais em crises diplom\u00e1ticas artificiais.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 um Brasil que fala, que negocia e que \u00e9 ouvido. E, sobretudo, um pa\u00eds que conseguiu converter uma amea\u00e7a real em uma vit\u00f3ria tang\u00edvel \u2014 mostrando que, quando atua com serenidade e intelig\u00eancia, n\u00e3o h\u00e1 tarifa que permane\u00e7a de p\u00e9 por muito tempo.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/p>\n<p><strong>Dora Andrade \u00e9 Editora de Economia de Notibras<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando a Casa Branca anunciou, nesta quinta-feira (20), a retirada das tarifas adicionais sobre produtos brasileiros, n\u00e3o foi apenas uma boa not\u00edcia para exportadores de carne, caf\u00e9 ou frutas tropicais. Foi, sobretudo, a comprova\u00e7\u00e3o de que a diplomacia brasileira \u2014 tantas vezes subestimada \u2014 segue viva, l\u00facida e estrat\u00e9gica. 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