{"id":371844,"date":"2025-11-22T01:00:09","date_gmt":"2025-11-22T04:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=371844"},"modified":"2025-11-21T22:30:19","modified_gmt":"2025-11-22T01:30:19","slug":"nove-em-cada-dez-mulheres-ja-sofreram-violencia-ao-se-deslocar-a-noite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/nove-em-cada-dez-mulheres-ja-sofreram-violencia-ao-se-deslocar-a-noite\/","title":{"rendered":"Nove em cada dez mulheres j\u00e1 sofreram viol\u00eancia ao se deslocar \u00e0 noite"},"content":{"rendered":"<p>Nove em cada dez brasileiras j\u00e1 sofreram viol\u00eancia ao se deslocar \u00e0 noite para atividades de lazer, sendo a maioria v\u00edtima em epis\u00f3dios de cunho sexual, incluindo cantadas inconvenientes e importuna\u00e7\u00e3o e ass\u00e9dio sexuais.<\/p>\n<p>Para pelo menos 10% delas, os percursos com a finalidade de descanso ou divers\u00e3o, seja para ir a um bar, restaurante, balada ou a um espa\u00e7o art\u00edstico-cultural, como um teatro, show, concerto musical ou cinema, resultaram em estupro, \u00edndice que dobra entre mulheres da comunidade LGBTQIA+.<\/p>\n<p>De acordo com novo relat\u00f3rio do Instituto Patr\u00edcia Galv\u00e3o, produzido em parceria com o Locomotiva e com apoio da Uber, o medo de quase a totalidade (98%) das brasileiras que saem \u00e0 noite de vivenciar algo semelhante n\u00e3o \u00e9 infundado. Conforme demonstra o dado de estupro, as agress\u00f5es podem piorar, com a soma de fatores como perfil \u00e9tnico-racial ou orienta\u00e7\u00e3o sexual \u00e0 identidade de g\u00eanero feminina.<\/p>\n<p>Enquanto uma parcela de 72% declara j\u00e1 ter recebido olhares insistentes e flertes indesejados, entre mulheres na faixa dos 18 aos 34 anos de idade a quantidade sobe para 78%. As mulheres pretas, isto \u00e9, negras de pele retinta, mais escura, s\u00e3o, em diversos contextos, mais oprimidas. Quando as entrevistadas do levantamento relataram casos de importuna\u00e7\u00e3o e ass\u00e9dio sexuais, agress\u00f5es f\u00edsicas, estupros e racismo, a propor\u00e7\u00e3o de pretas vitimadas foi sempre maior.<\/p>\n<p>Ao todo, 34% foram v\u00edtimas de assalto, furto e sequestro rel\u00e2mpago. Al\u00e9m disso, quase um quarto (24%) sofreu discrimina\u00e7\u00e3o ou preconceito por alguma caracter\u00edstica que n\u00e3o a \u00e9tnico-racial &#8211; e aqui, novamente, as mulheres pertencentes \u00e0 comunidade LGBTQIA+ t\u00eam mais frequentemente seus direitos violados, pois a situa\u00e7\u00e3o atinge 48% delas.<\/p>\n<p>O estudo revela, ainda, que as mulheres ficam mais suscet\u00edveis quando se dirigem de um local a outro a p\u00e9 (73%) ou de \u00f4nibus (53%). \u00c9 menor, mas ainda existente a probabilidade de sofrer viol\u00eancia ao utilizar carro particular (18%), carro de aplicativo (18%), metr\u00f4 (16%), trem (13%), motorista particular (11%), bicicleta (11%), motocicleta de aplicativo (10%) e t\u00e1xi (9%). O principal crit\u00e9rio para que escolham o meio de transporte \u00e9 a seguran\u00e7a (58%), seguido de conforto (12%) e praticidade (10%).<\/p>\n<p>As experi\u00eancias explicam por que 63% das mulheres &#8211; e de 66% no grupo de entrevistadas negras (pretas e pardas, de pele negra mais clara) &#8211; que mant\u00eam o h\u00e1bito de lazer noturno j\u00e1 desistiram, em algum momento, de sair de casa, em virtude da sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a. N\u00e3o somente elas mesmas viveram como presenciaram atos de viol\u00eancia de g\u00eanero. Segundo a pesquisa, 42% viram algo ser praticado contra outra mulher, sendo que pouco mais da metade (54%) prestou aux\u00edlio.<\/p>\n<p>Seis em cada dez (58%) das v\u00edtimas foram acolhidas por algu\u00e9m conhecido, desconhecido ou mesmo funcion\u00e1rio do estabelecimento, e metade (53%) optou por voltar para casa depois do epis\u00f3dio. Menos de um quinto (17%) recorreu \u00e0 pol\u00edcia, indo a uma delegacia ou chamando uma viatura at\u00e9 o local da ocorr\u00eancia. Uma minoria entrou em contato com a Central de Atendimento \u00e0 Mulher.<\/p>\n<p>Para tentar reduzir o n\u00edvel de vulnerabilidade, as mulheres t\u00eam procurado avisar a algu\u00e9m de sua confian\u00e7a aonde est\u00e3o indo e a que horas pretendem voltar (91%), evitado transitar por locais desertos\/escuros (89%), e procurado companhia em trajetos de ida e volta (89%), por exemplo. Parte significativa delas ainda evita usar certos tipos de roupas ou acess\u00f3rios (78%) e leva pe\u00e7as de roupa que cubram mais o pr\u00f3prio corpo (58%) como estrat\u00e9gia.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tiveram como base informa\u00e7\u00f5es fornecidas atrav\u00e9s de formul\u00e1rios preenchidos por 1,2 mil entrevistadas com idade entre 18 e 59 anos. Os dados foram coletados em meados de setembro deste ano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nove em cada dez brasileiras j\u00e1 sofreram viol\u00eancia ao se deslocar \u00e0 noite para atividades de lazer, sendo a maioria v\u00edtima em epis\u00f3dios de cunho sexual, incluindo cantadas inconvenientes e importuna\u00e7\u00e3o e ass\u00e9dio sexuais. 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