{"id":372244,"date":"2025-11-25T06:25:23","date_gmt":"2025-11-25T09:25:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=372244"},"modified":"2025-11-25T06:44:16","modified_gmt":"2025-11-25T09:44:16","slug":"kojak-brasileiro-impede-falso-macgyver-de-fugir-para-a-terra-do-nunca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/kojak-brasileiro-impede-falso-macgyver-de-fugir-para-a-terra-do-nunca\/","title":{"rendered":"Kojak brasileiro impede falso MacGyver de fugir para a Terra do Nunca"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\">Em tempos de malandros agulha do tipo MacGyver tentando furar tornozeleira eletr\u00f4nica com ferro de soldar, me vejo no meio do povo comemorando um grande feito de um xerife que sente a quil\u00f4metros o cheiro de mufa queimando. \u00c9 o meu, o seu, o nosso Xand\u00e3o, o cabra que n\u00e3o foge do pau e ainda cerca o Louren\u00e7o antes de sua pr\u00f3xima alucina\u00e7\u00e3o. \u00c9 Xand\u00e3o, a figura real que, mesmo distante, lembra um expoente da fic\u00e7\u00e3o.\u00a0Personagem dur\u00e3o, o tenente Theo Kojak, interpretado pelo ator norte-americano Telly Savalas, contrariava todos os progn\u00f3sticos dos mach\u00f5es inveterados, os tamb\u00e9m chamados cafajestes.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Longe de mim dizer que ele escorregava no quiabo, mas seu visual austero e sua careca reluzente contrastava com a mania de manter sempre um pirulito no canto da boca. A guloseima era sua marca registrada, mas outras extravag\u00e2ncias o diferenciavam dos demais policiais her\u00f3is dos anos 1973 a 1978. No Brasil, o sucesso da teless\u00e9rie assombrou os craques de TV, do mesmo modo que o sucesso do carec\u00e3o Xand\u00e3o vem assombrando um cl\u00e3 de maluquetes assumidos. Quanto ao famoso int\u00e9rprete, sua popularidade foi tanta que o nome Kojak tornou-se sin\u00f4nimo de calv\u00edcie. Tudo a ver com a \u00e9poca, mas n\u00e3o com nossos dias, quando o careca da vez n\u00e3o \u00e9 somente super-her\u00f3i da fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Tivesse ele nascido no Velho Oeste, talvez o batizassem de forma mais invasiva. Afinal, suas decis\u00f5es atingiram o f\u00edgado, o cuore e o sobre do mo\u00e7o que est\u00e1 igual ao Jos\u00e9 do poema de Carlos Drummond de Andrade. A obra foi publicada originalmente em 1942, mas sua atualidade \u00e9 retumbante e autoexplicativa. \u201cE agora, Jair? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, Jair? E agora voc\u00ea, voc\u00ea que \u00e9 sem nome, que zomba dos outros&#8230;\u201d. Sem cobrar pela sugest\u00e3o, que tal, de modo inconsequente, \u201cmontar em burro brabo, subir em pau-de-sebo\u201d e partir para a Pas\u00e1rgada. Como escreveu Manoel Bandeira, l\u00e1 \u00e9 outra civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cTem um processo seguro de impedir a concep\u00e7\u00e3o, tem telefone autom\u00e1tico, tem alcal\u00f3ide \u00e0 vontade e tem prostitutas bonitas para a gente (voc\u00ea) namorar\u201d. Acho que a ideia \u00e9 boa, mas tardia. O Kojak brasileiro \u00e9 aquele que d\u00e1 expediente nos gabinetes e nos plen\u00e1rios do Supremo Tribunal Federal e da temida Primeira Turma. Cinquenta anos depois, o tenente Kojak n\u00e3o d\u00e1 mais ibope na TV brasileira. No entanto, seu pupilo da vida real mant\u00e9m acesa a chama de que \u00e9 melhor uma boa calv\u00edcie do que duas ou tr\u00eas perucas esvoa\u00e7antes. Ali\u00e1s, o tenente virou xerife, o pirulito deu lugar a uma simpl\u00f3ria caneta de papelaria sem letreiro e o bord\u00e3o fict\u00edcio bem que poderia ser \u201cEm tempos de terror, escolhemos monstros para nos proteger\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Xand\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um personagem qualquer. Ele n\u00e3o nasceu no Velho Oeste, mas \u201centre bravos se criou\u201d. Diante de um bando de frustrados estagi\u00e1rios de golpes contra a democracia, mesmo contra sua vontade, \u201cseu nome uma lenda se tornou\u201d. Portanto, tivesse um chap\u00e9u de coco e uma bengala, Xand\u00e3o seria facilmente confundido com o Bat Masterson, her\u00f3i de uma antiga s\u00e9rie da NBC. N\u00e3o \u00e9, mas \u00e9 como se fosse. \u201cSempre elegante, cordial e um dos maiores defensores da justi\u00e7a\u201d, o xerif\u00e3o naturalmente calvo n\u00e3o se abala com amea\u00e7as de trogloditas, tampouco com gritos dos que sempre tiveram prefer\u00eancia pela destrui\u00e7\u00e3o. Silenciosamente, ele impediu que o falso MacGyver fugisse em busca da Terra do Nunca.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E a\u00ed est\u00e1. Pouco mais de tr\u00eas anos ap\u00f3s a partida do Visconde de Sabugosa para os confins de Vila Monte e da recupera\u00e7\u00e3o do Nordeste, que chegou a gemer de dor emocional, Xand\u00e3o j\u00e1 embaralhou o baralho, tirou os ases de ouro, copas e espada e deixou exatamente o de paus, que \u00e9 para que todos saibam no futuro com quantos paus se faz uma canoa. Fez mais. Impediu que a solda pingasse de novo na imagem do Brasil, ao mesmo tempo em que alertou o beato rezadeiro que um dia arrastou e matou multid\u00f5es sobre a desnecessidade de bola de cristal, jogo de b\u00fazios e cartomante. O amanh\u00e3 j\u00e1 est\u00e1 definido. Junto da mensagem zodiacal, o realejo decidiu e repetiu o bord\u00e3o do velho e bom Kojak: Teje preso, mito da loucura inventada.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Wenceslau Ara\u00fajo \u00e9 Editor-Chefe de Notibras<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempos de malandros agulha do tipo MacGyver tentando furar tornozeleira eletr\u00f4nica com ferro de soldar, me vejo no meio do povo comemorando um grande feito de um xerife que sente a quil\u00f4metros o cheiro de mufa queimando. \u00c9 o meu, o seu, o nosso Xand\u00e3o, o cabra que n\u00e3o foge do pau e ainda [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":297019,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-372244","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/372244","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=372244"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/372244\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":372245,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/372244\/revisions\/372245"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/297019"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=372244"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=372244"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=372244"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}