{"id":372595,"date":"2025-11-28T01:15:02","date_gmt":"2025-11-28T04:15:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=372595"},"modified":"2025-11-28T05:17:09","modified_gmt":"2025-11-28T08:17:09","slug":"sarah-munck-lanca-obra-poetica-coerente-sobre-memoria-e-resistencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/sarah-munck-lanca-obra-poetica-coerente-sobre-memoria-e-resistencia\/","title":{"rendered":"Sarah Munck lan\u00e7a obra po\u00e9tica coerente sobre mem\u00f3ria e resist\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Nesta sexta-feira, 28, \u00e0s 18h30, o F\u00f3rum da Cultura, em Juiz de Fora, Minas Gerais, recebe o lan\u00e7amento de <em>Esquecemos os nomes dos p\u00e1ssaros<\/em>, novo livro da poeta e professora doutora Sarah Munck, do IF Sudeste MG \u2013 campus Santos Dumont. Autora de <em>Diagn\u00f3stico do Espelho<\/em>, livro de poemas que j\u00e1 anunciava uma voz madura e profundamente comprometida com as tens\u00f5es do nosso tempo, Sarah consolida, com esta segunda obra, um projeto po\u00e9tico coerente e de f\u00f4lego. Colaboradora da se\u00e7\u00e3o <strong>Caf\u00e9 Liter\u00e1rio de Notibras<\/strong>, onde acostumou leitores a uma escrita que pensa o mundo com delicadeza e rigor cr\u00edtico, ela leva agora para o formato de livro a mesma combina\u00e7\u00e3o de escuta sens\u00edvel, densidade te\u00f3rica e compromisso \u00e9tico que marca seus textos.<\/p>\n<p>Viabilizada pelo Edital Muril\u00e3o, do Programa Cultural Murilo Mendes (Funalfa), em parceria com a Prov\u00e9rbio Editora, a obra se apresenta como uma narrativa po\u00e9tica que se recusa a separar lirismo e pol\u00edtica. Em seus poemas, as dores coletivas e as resist\u00eancias \u00edntimas se entrela\u00e7am: vozes femininas, mem\u00f3rias de guerra, viol\u00eancias cotidianas e a urg\u00eancia de n\u00e3o esquecer comp\u00f5em um tecido de imagens que se expande do corpo individual ao corpo hist\u00f3rico. \u00c9 uma poesia que n\u00e3o teme nomear a viol\u00eancia, mas tamb\u00e9m n\u00e3o abdica do gesto de consolo, de abrigo e de reinven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Organizado em se\u00e7\u00f5es tem\u00e1ticas como \u201cenxoval\u201d, \u201cexterm\u00ednio\u201d e \u201cangelus novus\u201d, o livro constr\u00f3i um mosaico de poemas que dialogam entre si por ecos, repeti\u00e7\u00f5es, cartas e sil\u00eancios. Um dos principais fios condutores \u00e9 a figura de \u201cKitty\u201d, a interlocutora imagin\u00e1ria do di\u00e1rio de Anne Frank, a quem Sarah se dirige em diversos poemas. Ao retomar esse gesto, a autora recria o ato de escrever para algu\u00e9m que escuta em meio ao horror, abrindo um espa\u00e7o de confid\u00eancia para meninas e mulheres que, tantas vezes, n\u00e3o puderam dizer em voz alta o que lhes atravessa. Esse di\u00e1logo com Anne Frank se amplia em conversas po\u00e9ticas e filos\u00f3ficas com Walter Benjamin, Heba Abu Nada, Federico Garc\u00eda Lorca, Maria Teresa Le\u00f3n e outras vozes que fazem da literatura um campo de resist\u00eancia.<\/p>\n<p>H\u00e1, em Esquecemos os nomes dos p\u00e1ssaros, a consci\u00eancia clara de que a palavra pode ser um abrigo para mem\u00f3rias feridas. A autora entende a escrita como ato \u00e9tico e est\u00e9tico: meses de \u201cmergulho e vig\u00edlia\u201d, como ela relata, resultam em poemas que interceptam e realocam a palavra para preservar o humano em meio \u00e0 perversidade. O livro se afirma, assim, como um manifesto po\u00e9tico que transforma a experi\u00eancia da viol\u00eancia em palavra viva, denuncia a indiferen\u00e7a e reafirma a arte como forma de sobreviv\u00eancia e recome\u00e7o \u2013 um horizonte em que ainda \u00e9 poss\u00edvel \u201creconhecer os p\u00e1ssaros, seu canto e voo diante das ru\u00ednas\u201d.<\/p>\n<p>Outro aspecto que torna a obra singular \u00e9 o cuidado com a acessibilidade. Em di\u00e1logo com as diretrizes do Edital Muril\u00e3o, a edi\u00e7\u00e3o traz, na capa, um QR code que d\u00e1 acesso \u00e0 audiodescri\u00e7\u00e3o da capa, a v\u00eddeos com voz e \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o em Libras de todos os poemas. As declama\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas pela pr\u00f3pria Sarah, e a tradu\u00e7\u00e3o em Libras \u00e9 realizada por profissional da \u00e1rea, alargando o alcance da poesia e reafirmando a ideia de que a literatura deve ser, antes de tudo, um espa\u00e7o compartilhado.<\/p>\n<p>No lan\u00e7amento, gratuito e aberto ao p\u00fablico, o livro ser\u00e1 apresentado em uma roda de conversa da autora com as escritoras M\u00edrian Freitas (respons\u00e1vel pelo texto da quarta capa) e Marcela Hallack, al\u00e9m do posf\u00e1cio assinado por Gisela Maria Bester. Para quem a acompanha desde <em>Diagn\u00f3stico do Espelho<\/em> e para os leitores do <strong>Caf\u00e9 Liter\u00e1rio de Notibras<\/strong>, Esquecemos os nomes dos p\u00e1ssaros confirma Sarah Munck como uma das vozes mais consistentes da poesia contempor\u00e2nea brasileira: comprometida com a mem\u00f3ria, atenta \u00e0s fissuras do tempo e profundamente empenhada em fazer da palavra um lugar de encontro, coragem e cuidado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta sexta-feira, 28, \u00e0s 18h30, o F\u00f3rum da Cultura, em Juiz de Fora, Minas Gerais, recebe o lan\u00e7amento de Esquecemos os nomes dos p\u00e1ssaros, novo livro da poeta e professora doutora Sarah Munck, do IF Sudeste MG \u2013 campus Santos Dumont. 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