{"id":372918,"date":"2025-11-30T00:15:41","date_gmt":"2025-11-30T03:15:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=372918"},"modified":"2025-11-29T22:53:56","modified_gmt":"2025-11-30T01:53:56","slug":"cadu-matos-flamenguista-que-e-nao-perde-a-chance-de-provocar-o-porco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/cadu-matos-flamenguista-que-e-nao-perde-a-chance-de-provocar-o-porco\/","title":{"rendered":"Cadu Matos, flamenguista que \u00e9, n\u00e3o perde a chance de provocar o porco"},"content":{"rendered":"<p>Deuses s\u00e3o gulosos. N\u00e3o satisfeitos com um brasileir\u00e3o pra l\u00e1 de emocionante \u2013 que deve ser conquistado pelo Flamengo no in\u00edcio de dezembro \u2013, propiciaram a realiza\u00e7\u00e3o, pro final da Copa Libertadores, do maior cl\u00e1ssico do futebol brasileiro contempor\u00e2neo, um Flaporco, Flamengo x Palmeiras. Era o terceiro do ano, o meng\u00e3o vencera o primeiro no chiqueiro da porcada e o segundo no Maracan\u00e3.<\/p>\n<p>Como sempre fazia nos jogos do mais querido, Jorge dirigiu-se \u00e0 est\u00e1tua de s\u00e3o Judas Tadeu e rezou fervorosamente pela interven\u00e7\u00e3o sobrenatural do santo para garantir a vit\u00f3ria rubro-negra. Tamb\u00e9m o convidou a assistir o jogo a seu lado, torcendo adoidado e tomando uma cervejinha, que ningu\u00e9m \u00e9 de ferro. O que j\u00e1 havia acontecido no Flaporco anterior, vencido pela malvad\u00e3o em outubro, no Maraca (para saber mais sobre esse triunfo \u00e9pico, leiam o conto Flaporco, mais um, deste escriba).<\/p>\n<p>S\u00f3 que, dessa vez, n\u00e3o houve resposta. Nem a garantia de uma prote\u00e7\u00e3o refor\u00e7ada para o time da Na\u00e7\u00e3o, nem a materializa\u00e7\u00e3o do par\u00e7a santificado. Jorge j\u00e1 estava arrancando os cabelos, dizendo que o tra\u00edra havia abandonado o meng\u00e3o, quando Judas Tadeu se materializou a seu lado, vestindo o uniforme do jogo e chuteiras.<\/p>\n<p>&#8211; Cara, desculpe a demora, amarrar as chuteiras deu um trabalho do c\u00e3o. C\u00ea sabe, falta de pr\u00e1tica&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; O senhor vai entrar em campo? \u2013 indagou Jorge, espantad\u00edssimo.<\/p>\n<p>&#8211; Claro que n\u00e3o, parece que bebe! \u2013 respondeu Judas, indignado. \u2013 Vou \u00e9 incorporar em cada jogador, brincar nas onze. Ou melhor, encostar nos onze \u2013 explicou, com um sorriso.<\/p>\n<p>&#8211; Mas sua presen\u00e7a n\u00e3o vai atrapalhar a pontaria de um atacante, ou o desarme de um defensor? \u2013 insistiu o amigo do santo.<\/p>\n<p>&#8211; Claro que n\u00e3o. Fico longe dos m\u00fasculos, do psiquismo do atleta, de seu equil\u00edbrio emocional. Mas aumento sua calma, seu poder de decis\u00e3o, afasto qualquer influ\u00eancia negativa&#8230; \u2013 Deu de ombros e confessou:<\/p>\n<p>&#8211; Quer saber? Fa\u00e7o isso mais por mim, pelo prazer de vencer com o meng\u00e3o, do que por eles. Pro esquadr\u00e3o, bastaria a prote\u00e7\u00e3o espiritual refor\u00e7ada que estou enviando&#8230;<\/p>\n<p>Jorge concordou em sil\u00eancio, ofereceu uma cervejinha \u2013 o santo recusou, n\u00e3o dava, logo ia entrar em campo \u2013, e se desmaterializou. O chegado de carne e osso ligou a televis\u00e3o e sentou-se no sof\u00e1, roendo as unhas de nervosismo.<\/p>\n<p>O jogo come\u00e7ou. Com seu olhar treinado, Jorge percebia a presen\u00e7a de um judeu barbudo junto a cada defesa de Rossi, cada desarme de L\u00e9o Pereira, cada lance m\u00e1gico de Jorginho e Arrascaeta. Mas quando Judas\/Bruno Henrique chutou por cima do gol, o par\u00e7a do santo explodiu:<\/p>\n<p>&#8211; Seu grosso! Parece que jogou pedra na cruz!<\/p>\n<p>O que, convenhamos, \u00e9 uma heresia sem tamanho.<\/p>\n<p>O santo\/atleta deslizou os dedos sobre o rosto. Jorge ouviu perfeitamente algumas palavras, murmuradas baixinho:<\/p>\n<p>&#8211; Desculpe, amigo. Na pr\u00f3xima, ele(eu) enca\u00e7apa(o).<\/p>\n<p>A jogada da vit\u00f3ria veio em meados do segundo tempo. Judas\/Danilo cabeceou sozinho, depois de um escanteio, e a bola foi morrer no fundo da rede palmeirense. A vara (coletivo de porcos) bem que tentou, mas n\u00e3o deu. Final, Flamengo 1 x Palmeiras 0, Flamengo tetracampe\u00e3o da Libertadores.<\/p>\n<p>Muito mais tarde, quando Jorge e Judas Tadeu tomavam uma cervejinha, antes do santo se desmaterializar e voltar a ser uma est\u00e1tua na estante, Jorge perguntou como fora poss\u00edvel neutralizar a porrada de santos italianos, impedindo-os de salvar o Palestra.<\/p>\n<p>&#8211; Como j\u00e1 mencionei, eles n\u00e3o gostam muito de futebol. E os que gostam, est\u00e3o suando a camisa pra levar a It\u00e1lia \u00e0 pr\u00f3xima Copa do Mundo.<\/p>\n<p>Tomou um \u00faltimo gole de cerveja e concluiu:<\/p>\n<p>&#8211; O que deu mais trabalho foi s\u00e3o Francisco de Assis. Foi neutralizado n\u00e3o por mim, mas pelas mascotes do Flamengo.<\/p>\n<p>Diante do olhar at\u00f4nito de Jorge, o irm\u00e3o de Jesus (n\u00e3o o Jorge; o original) esclareceu:<\/p>\n<p>&#8211; Uma delega\u00e7\u00e3o de urubus voou at\u00e9 o Peru e pediu aux\u00edlio de seus primos gigantescos, os condores andinos. Dois deles fingiram estar com as asas machucadas e invocaram s\u00e3o Francisco de Assis. O santo protetor dos bichinhos ficou cuidando deles e esqueceu dos palmeirenses.<\/p>\n<p>Dei um risinho sacana e, antes de se desmaterializar, falou uma barbaridade que, se vivo fosse e se canonizado j\u00e1 n\u00e3o estivesse, talvez lhe custasse o para\u00edso e a santidade:<\/p>\n<p>&#8211; Bem feito! Pau no rabo da porcada!<\/p>\n<p>(Mentira minha, ele falou coisa mais cabeluda, mas parafraseei, aliviei a barra; afinal, sou um escritor de bons costumes.)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deuses s\u00e3o gulosos. N\u00e3o satisfeitos com um brasileir\u00e3o pra l\u00e1 de emocionante \u2013 que deve ser conquistado pelo Flamengo no in\u00edcio de dezembro \u2013, propiciaram a realiza\u00e7\u00e3o, pro final da Copa Libertadores, do maior cl\u00e1ssico do futebol brasileiro contempor\u00e2neo, um Flaporco, Flamengo x Palmeiras. 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