{"id":372981,"date":"2025-11-30T06:00:10","date_gmt":"2025-11-30T09:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=372981"},"modified":"2025-11-30T06:57:53","modified_gmt":"2025-11-30T09:57:53","slug":"saberes-africanos-atravessam-atlantico-e-ganham-sabor-nas-mesas-do-recife","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/saberes-africanos-atravessam-atlantico-e-ganham-sabor-nas-mesas-do-recife\/","title":{"rendered":"Saberes africanos atravessam Atl\u00e2ntico e ganham sabor nas mesas do Recife"},"content":{"rendered":"<p>Nas cozinhas do Recife, tradi\u00e7\u00f5es que cruzaram o Atl\u00e2ntico h\u00e1 s\u00e9culos continuam vivas em cada panela de barro, em cada tempero amassado no pil\u00e3o e em cada prato servido. O que hoje chega \u00e0 mesa como acaraj\u00e9, mungunz\u00e1, vatap\u00e1 ou caruru \u00e9 resultado de saberes ancestrais africanos que resistiram ao tempo e se reinventaram no Brasil, especialmente no Nordeste, onde a heran\u00e7a cultural afro-brasileira pulsa de forma intensa.<\/p>\n<p>O azeite de dend\u00ea, com sua cor vibrante e sabor marcante, \u00e9 um dos maiores s\u00edmbolos dessa heran\u00e7a. Trazido pelos povos da \u00c1frica Ocidental, ele se tornou indispens\u00e1vel em pratos que ultrapassam o campo gastron\u00f4mico e se conectam diretamente com rituais, celebra\u00e7\u00f5es e identidades. Nas barracas das ruas do Recife, \u00e9 comum encontrar quituteiras que aprenderam com m\u00e3es e av\u00f3s a arte de equilibrar o dend\u00ea com especiarias, mantendo viva uma tradi\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou muito antes da forma\u00e7\u00e3o do Brasil.<\/p>\n<p>O inhame, outro ingrediente presente tanto na culin\u00e1ria quanto em pr\u00e1ticas culturais afro-ind\u00edgenas, tamb\u00e9m carrega uma longa hist\u00f3ria. Ele aparece no caf\u00e9 da manh\u00e3 de muitas fam\u00edlias recifenses, no preparo de mingaus e caldos que remontam aos h\u00e1bitos alimentares das comunidades africanas e seus descendentes. A raiz, antes vista apenas como alimento b\u00e1sico, hoje ganha destaque em restaurantes que resgatam a gastronomia ancestral e a combinam com t\u00e9cnicas contempor\u00e2neas.<\/p>\n<p>Pesquisadores apontam que grande parte da culin\u00e1ria pernambucana, desde o uso de pimentas at\u00e9 a forma de preparar pescados, tem ra\u00edzes profundas nos povos iorub\u00e1s, jejes e bantos. Esses saberes n\u00e3o chegaram apenas como receitas, mas como mem\u00f3rias coletivas que foram sendo transmitidas oralmente, integrando f\u00e9, festa e cotidiano.<\/p>\n<p>No Recife, chefs, cozinheiras tradicionais e coletivos gastron\u00f4micos t\u00eam se dedicado a valorizar esse legado. Eventos culturais, oficinas de culin\u00e1ria ancestral e feiras afro-brasileiras refor\u00e7am o compromisso com a preserva\u00e7\u00e3o e a difus\u00e3o desses saberes. Para muitos desses profissionais, cozinhar \u00e9 tamb\u00e9m um ato pol\u00edtico: uma forma de honrar a hist\u00f3ria dos que fizeram dessa gastronomia um pilar da cultura brasileira.<\/p>\n<p>As mesas recifenses, portanto, s\u00e3o mais que um espa\u00e7o de alimenta\u00e7\u00e3o; s\u00e3o locais onde mem\u00f3ria, resist\u00eancia e identidade se encontram. Entre o aroma do dend\u00ea, a textura do inhame e os sabores marcantes que comp\u00f5em a culin\u00e1ria afro-brasileira, permanece viva a for\u00e7a de um povo que transformou seus saberes em legado \u2014 um legado que continua a nutrir corpo e alma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas cozinhas do Recife, tradi\u00e7\u00f5es que cruzaram o Atl\u00e2ntico h\u00e1 s\u00e9culos continuam vivas em cada panela de barro, em cada tempero amassado no pil\u00e3o e em cada prato servido. 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