{"id":373341,"date":"2025-12-04T00:30:22","date_gmt":"2025-12-04T03:30:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=373341"},"modified":"2025-12-03T02:02:57","modified_gmt":"2025-12-03T05:02:57","slug":"uma-curiosa-teoria-da-conspiracao-sobre-a-ditadura-civil-militar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/uma-curiosa-teoria-da-conspiracao-sobre-a-ditadura-civil-militar\/","title":{"rendered":"Uma curiosa teoria da conspira\u00e7\u00e3o sobre a ditadura civil-militar"},"content":{"rendered":"<p>Artur da Costa e Silva, o segundo ditador militar a governar o Brasil no regime autorit\u00e1rio instaurado com o golpe de 1964, morreu em 17 de dezembro de 1969, na cidade do Rio de Janeiro. Segundo informa\u00e7\u00e3o do atestado de \u00f3bito, o falecimento ocorreu \u00e0s 15h40, em decorr\u00eancia de um infarto do mioc\u00e1rdio fulminante. O presidente j\u00e1 estava afastado do cargo desde agosto do mesmo ano, de acordo com a hist\u00f3ria oficial, por ter sofrido tr\u00eas AVCs num intervalo de cinco dias.<\/p>\n<p>Foi ele o chefe do executivo signat\u00e1rio do Ato Institucional n\u00ba 5, \u201cpopularmente\u201d conhecido como AI 5, considerado o principal conjunto de medidas de exce\u00e7\u00e3o de toda a ditadura, respons\u00e1vel pelo acirramento do autoritarismo e da viol\u00eancia de Estado desde os finais dos anos 1960 at\u00e9 meados dos 1970, tendo determinado o fechamento do Congresso Nacional e outras a\u00e7\u00f5es repressivas; criando o servi\u00e7o oficial de censura, suspendendo garantias constitucionais e concentrando poderes quase ilimitados nas m\u00e3os do presidente da rep\u00fablica, resultando na intensifica\u00e7\u00e3o das persegui\u00e7\u00f5es, pris\u00f5es, torturas, mortes e desaparecimentos dos que lutavam contra o regime.<\/p>\n<p>Um dos personagens participantes da trama palaciana, com o objetivo de aprovar a delibera\u00e7\u00e3o mais draconiana daquele per\u00edodo obscuro, foi o coronel Jarbas Passarinho, ent\u00e3o ministro do Trabalho, respons\u00e1vel por proferir frase emblem\u00e1tica durante a reuni\u00e3o ministerial que culminou com a aprova\u00e7\u00e3o do citado ato: \u201c\u00c0s favas, senhor presidente, neste momento, todos os escr\u00fapulos de consci\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Naquela etapa, como em qualquer outro momento da hist\u00f3ria pol\u00edtica, floresceram teorias da conspira\u00e7\u00e3o, algumas, inclusive, contendo maior verossimilhan\u00e7a do que as narrativas perpetuadas nos livros como verdades incontest\u00e1veis. Como disse o jornalista e escritor, nascido na \u00cdndia Brit\u00e2nica, Jorge Orwell, autor de \u201c1984\u201d e \u201cA revolu\u00e7\u00e3o dos bichos\u201d entre outros t\u00edtulos: \u201cA hist\u00f3ria \u00e9 escrita pelos vencedores\u201d. Portanto, nem tudo o que se sabe \u00e9 comprovadamente fato, muita coisa \u00e9 apenas a vers\u00e3o mais conveniente para os detentores do poder de plant\u00e3o.<\/p>\n<p>Antes de contar a hist\u00f3ria que me foi passada por um estranho numa das minhas viagens pelo Brasil, acrescento mais uma observa\u00e7\u00e3o: havia um coment\u00e1rio corrente desde aqueles tempos de que Costa e Silva era um dos mais corruptos entre os protagonistas do golpe de 64.<\/p>\n<p>Acabava de embarcar em um voo no aeroporto Juscelino Kubistchek em Bras\u00edlia com destino a S\u00e3o Paulo. Logo ao me acomodar no meu assento, um senhor idoso, muito comunicativo e eloquente, sentado ao meu lado, come\u00e7ou a conversar comigo sobre pol\u00edtica. Apresentou-se se identificando como ma\u00e7om e se vangloriando de ter rela\u00e7\u00f5es com v\u00e1rios pol\u00edticos ligados aos chamados anos de chumbo, afirmando conhecer muitos dos bastidores obscuros do poder.<\/p>\n<p>Grande parte do que falou n\u00e3o era propriamente novidade, confirmando fatos comprometedores, divulgados n\u00e3o oficialmente por diferentes meios ao longo do tempo, dos quais muita gente tem conhecimento, mas tratados, em geral, como intrigas ou boatos; como por exemplo as mortes de Juscelino Kubitschek em um acidente de carro que teria sido provocado e a de Jo\u00e3o Goulart, oficialmente de infarto, mas na verdade ele teria sido envenenado, quando estava internado em um hospital, na cidade de Mercedes, prov\u00edncia de Corrientes, na Argentina.<\/p>\n<p>Contudo, uma das coisas que me confidenciou, como se me conhecesse de longa data, me tratando como se eu fosse algu\u00e9m de sua confian\u00e7a pessoal, sobre a qual eu jamais tinha ouvido falar e, confesso, me despertou grande interesse por ser uma hist\u00f3ria no m\u00ednimo curiosa, tratava-se, segundo ele, da vers\u00e3o verdadeira dos fatos relacionados aos \u00faltimos meses de vida do general Costa e Silva, a qual passo a compartilhar a seguir.<\/p>\n<p>Pr\u00e1tica adotada pelas joalherias at\u00e9 os dias de hoje \u00e9 emprestar joias para celebridades, para a participa\u00e7\u00e3o em eventos de gala, como forma de marketing. E foi uma situa\u00e7\u00e3o como essa que teria desencadeado os epis\u00f3dios conhecidos oficialmente como os derrames cerebrais sofridos pelo ent\u00e3o presidente, culminando com seu falecimento tamb\u00e9m por problema coronariano.<\/p>\n<p>O presidente e sua mulher, dona Yolanda Barboza da Costa e Silva, iriam participar de uma festa da alta sociedade, da qual artistas famosos de todas as \u00e1reas e pol\u00edticos, entre outras celebridades, constavam da lista de convidados, uma famosa loja cedeu por empr\u00e9stimo \u00e0 primeira-dama um colar de diamantes car\u00edssimo, talvez do mesmo quilate daquele doado pelo ditador da Ar\u00e1bia Saudita, Salman bin Abdulaziz Al Saud, \u00e0 Michelle Bolsonaro, mais recentemente.<\/p>\n<p>Evidentemente, ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o da efem\u00e9ride, a pe\u00e7a deveria ser restitu\u00edda \u00e0 joalheria, por\u00e9m, n\u00e3o se sabe, mas desconfia-se, porque o casal presidencial, passado um m\u00eas do evento, ainda mantinha a joia sob sua guarda.<\/p>\n<p>Preocupados, os administradores da joalheria procuraram o general Golbery do Couto e Silva, figura de maior influ\u00eancia durante toda a ditadura militar, afamada \u201cemin\u00eancia parda\u201d de todos os governos daquele per\u00edodo, solicitando a ele que os ajudasse a reaver o valioso objeto.<\/p>\n<p>Golbery, avaliando ser aquela uma miss\u00e3o a ser cumprida pessoalmente, dada sua potencialidade explosiva por envolver quem envolvia, convocou um ajudante de ordens, o qual sempre o acompanhava nas miss\u00f5es mais espinhosas, um militar de cuja patente n\u00e3o me recordo se mencionou, mas era um homem de estatura baixa, atarracado, e muito impetuoso, para irem at\u00e9 o pal\u00e1cio do Alvorada, falar com o presidente, a fim de verificar a situa\u00e7\u00e3o e solicitar a imediata devolu\u00e7\u00e3o da joia aos propriet\u00e1rios.<\/p>\n<p>L\u00e1 chegando, foram recebidos pela autoridade m\u00e1xima da na\u00e7\u00e3o em seu escrit\u00f3rio. A conversa rapidamente evoluiu para uma discuss\u00e3o acalorada e os contendores, em p\u00e9 e aos gritos, quase chegavam \u00e0s vias de fato. Foi quando Costa e Silva fez um movimento suspeito, abaixando-se para tentar abrir a gaveta de uma pequena mesa localizada ao lado da principal, nesse instante o acompanhante de Golbery, supondo que ele estivesse buscando uma arma, sacou seu rev\u00f3lver e fez um disparo, atingindo-o no abdome.<\/p>\n<p>Naturalmente aquela ocorr\u00eancia n\u00e3o poderia vir a p\u00fablico, pois seria um esc\u00e2ndalo de propor\u00e7\u00f5es inimagin\u00e1veis. Mas ele estava gravemente ferido e necessitava de cuidados emergenciais. Remov\u00ea-lo para um hospital, no entanto, tornaria imposs\u00edvel manter o segredo a ser encoberto por uma explica\u00e7\u00e3o, digamos, alternativa.<\/p>\n<p>Assim, foi montada uma estrutura de tratamento dentro do pr\u00f3prio pal\u00e1cio, com o n\u00famero m\u00ednimo de pessoas necess\u00e1rias, sob recomenda\u00e7\u00e3o de absoluto sigilo.<\/p>\n<p>Com o agravamento de seu quadro de sa\u00fade, o general foi removido para o Rio de Janeiro, para sua resid\u00eancia oficial quando estava na cidade, o pal\u00e1cio das Laranjeiras, sendo transferida para l\u00e1 a estrutura de tratamento a acompanh\u00e1-lo at\u00e9 o dia de seu falecimento.<\/p>\n<p>\u01eauanto ao colar, foi devolvido posteriormente pela pr\u00f3pria vi\u00fava, mas os funcion\u00e1rios da joalheria n\u00e3o tiveram conhecimento da fatalidade ocorrida durante a tentativa de o obter de volta, tendo acesso apenas, via imprensa, \u00e0 mesma not\u00edcia dispon\u00edvel ao p\u00fablico em geral, sendo instru\u00eddos enfaticamente para jamais comentarem com qualquer pessoa a respeito da dificuldade em resgatar o inestim\u00e1vel bem.<\/p>\n<p>De minha parte, quero deixar claro que n\u00e3o confirmo e nem desminto quaisquer das informa\u00e7\u00f5es acima. Tendo-as reproduzido simplesmente por julgar a narrativa daquele ilustre desconhecido, do qual n\u00e3o me recordo o nome, uma teoria da conspira\u00e7\u00e3o bastante bem engendrada, portanto, digna de ser compartilhada aos interessados em conhecer as coxias da pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Ao tempo desses acontecimentos, eu era um adolescente de 14 anos e, apesar da pouca idade, me interessava pelo notici\u00e1rio e pude acompanhar pela T V todo o sofrimento do general desde a divulga\u00e7\u00e3o de seu adoecimento at\u00e9 seus \u00faltimos dias de vida, mas n\u00e3o tinha a capacidade cr\u00edtica para avaliar se aquela era ou n\u00e3o uma hist\u00f3ria bem contada. Hoje, adulto, confesso que tendo mais a acreditar na teoria da conspira\u00e7\u00e3o relatada pelo meu ex\u00f3tico e ocasional parceiro de viagem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artur da Costa e Silva, o segundo ditador militar a governar o Brasil no regime autorit\u00e1rio instaurado com o golpe de 1964, morreu em 17 de dezembro de 1969, na cidade do Rio de Janeiro. Segundo informa\u00e7\u00e3o do atestado de \u00f3bito, o falecimento ocorreu \u00e0s 15h40, em decorr\u00eancia de um infarto do mioc\u00e1rdio fulminante. O [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":373342,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[234],"tags":[],"class_list":["post-373341","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cafe-literario"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/373341","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=373341"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/373341\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":373344,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/373341\/revisions\/373344"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/373342"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=373341"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=373341"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=373341"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}