{"id":373776,"date":"2025-12-07T01:00:45","date_gmt":"2025-12-07T04:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=373776"},"modified":"2025-12-06T04:03:07","modified_gmt":"2025-12-06T07:03:07","slug":"quase-atropelei-pessoas-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/quase-atropelei-pessoas-hoje\/","title":{"rendered":"QUASE ATROPELEI PESSOAS HOJE"},"content":{"rendered":"<p>Eu n\u00e3o sou pavoa, n\u00e3o costumo me elogiar, ainda mais que fui criada com minha m\u00e3e dizendo que o elogio tem de partir dos outros, nunca da gente mesma, mas n\u00e3o me considero m\u00e1 motorista.<\/p>\n<p>Tem exatamente 50 anos que dirijo. Nunca aconteceu nada comigo, nunca me envolvi em nenhum acidente. L\u00f3gico que isso \u00e9 pura sorte, pois dirijo aqui na minha cidade (Luzi\u00e2nia), al\u00e9m de Goi\u00e2nia, Bras\u00edlia e at\u00e9 no Rio de Janeiro, mas aqui na minha cidade \u00e9 o pior lugar que tem para a gente dirigir. As pessoas andam no meio da rua, os ciclistas n\u00e3o obedecem a m\u00e3o de dire\u00e7\u00e3o, sempre andam em dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria e, muitas vezes, temos de parar para n\u00e3o os atropelar. Os meninos que vendem picol\u00e9, nos carrinhos, tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam senso de dire\u00e7\u00e3o, cachorros soltos pelas ruas, gatos, periquitos, papagaios, e outras coisas para atrapalhar.<\/p>\n<p>Parece que t\u00eam mais carros do que pessoas, as ruas s\u00e3o lotadas, n\u00e3o se acha estacionamento perto de onde a gente vai e eu, em particular, \u00e0s vezes, at\u00e9 deixo de fazer alguma coisa por n\u00e3o encontrar lugar pr\u00f3ximo. Por conta da falta de mobilidade, n\u00e3o consigo andar longas dist\u00e2ncias. Ent\u00e3o, 50 metros. pra mim, j\u00e1 \u00e9 longe demais.<\/p>\n<p>Mas, deixando as abobrinhas de lado, h\u00e1 seres humanos que n\u00e3o t\u00eam no\u00e7\u00e3o, ou andam no mundo da lua. E h\u00e1 dias em que as bruxas escolhem algu\u00e9m para atazanarem. Hoje, com certeza, foi o meu dia. Hoje elas devem ter feito reuni\u00e3o e disseram:<\/p>\n<p>\u2014 Hoje, vamos tirar o sossego daquela velha.<\/p>\n<p>E foram.<\/p>\n<p>Um senhor, n\u00e3o muito idoso, se ele tiver uns 58, 60 anos \u00e9 muito. Com os mais idosos, aqueles que carinhosamente chamamos de velhinhos e velhinhas, a gente tem mais paci\u00eancia, mas, com homem sacudido, a gente j\u00e1 encurta a boa vontade.<\/p>\n<p>Esse senhor, acho que achou que estava andando em um parque, pois resolveu andar bem no meio da rua, ou ele achou que estava no in\u00edcio dos anos 1960, quando se podia andar no meio da rua, aqui na minha cidade, porque o tr\u00e2nsito de carros era quase inexistente.<\/p>\n<p>Eu fui bem devagarinho atr\u00e1s do mo\u00e7o, na maior das calmas. Voc\u00ea pode me perguntar: seu carro n\u00e3o tem buzina? Tem sim, mas eu s\u00f3 a uso em \u00faltimo caso.<\/p>\n<p>Fui criada em Bras\u00edlia. E Bras\u00edlia, bem no come\u00e7o, era &#8220;a cidade onde os carros n\u00e3o possu\u00edam buzina&#8221;. Era raro algum usar buzina e, com isso, me acostumei, vendo os motoristas, que era costume n\u00e3o usar buzina.<\/p>\n<p>Fico a pensar, ser\u00e1 que nos anos 1960, 1970, os motoristas n\u00e3o usavam buzina em Bras\u00edlia porque o tr\u00e2nsito era excelente, ou porque era uma marca registrada da cidade?<\/p>\n<p>Hoje, isso ficou no passado, porque o povo usa a buzina sem d\u00f3. Que pena, Bras\u00edlia perdeu este t\u00edtulo! Eu acho falta de educa\u00e7\u00e3o ficar buzinando \u00e0 torta e \u00e0 direita.<\/p>\n<p>Eu tive paci\u00eancia de deixar o mo\u00e7o perceber que eu estava atr\u00e1s dele. Teve uma hora que estava bem pertinho dele, cheguei a pensar em acionar a pecinha sonora, mas ao mesmo tempo pensei: n\u00e3o. Depois este homem tem um problema card\u00edaco, d\u00e1 um acesso a\u00ed, e eu vou ficar apurada.<\/p>\n<p>Em tempo: na minha inf\u00e2ncia, falar que a pessoa sofreu um acesso era que a pessoa havia desmaiado.<\/p>\n<p>O senhor percebeu que eu estava atr\u00e1s e arredou um pouco para o lado, mas nem tchum, s\u00f3 saiu um pouquinho, eu ainda tive de passar bem pertinho dele.<\/p>\n<p>\u00ca, vontade de dar uma encostadinha, s\u00f3 pra ele gritar que mulher no volante \u00e9 perigo constante.<\/p>\n<p>Fiz muita coisa na rua, parei em muitos lugares.<\/p>\n<p>Na primeira vez que fui sair do lugar onde estava, j\u00e1 estava com o carro movimentando devagarinho, seta ligada assinalando que estava saindo, e uma mulher resolveu atravessar. Ela chegou a colocar a m\u00e3o no cap\u00f4 do carro, tive de parar, ao contr\u00e1rio, atropelaria a mulher.<\/p>\n<p>Pensando que ningu\u00e9m ia me atrapalhar mais, eis que um casal resolveu atravessar tamb\u00e9m atr\u00e1s do meu carro, justamente quando j\u00e1 tinha engatado a marcha \u00e0 r\u00e9 para sair do estacionamento, isso em outro lugar. Outra vez, tive de parar para n\u00e3o atropelar o casal.<\/p>\n<p>Fui ao mercado e vi de longe quando um senhor, este j\u00e1 de mais idade, colocar o carrinho de compras bem na frente do meu carro, que estava no estacionamento.<\/p>\n<p>Antes de sair, tive de ir l\u00e1, pegar o carrinho para desobstruir a passagem. S\u00f3 de raiva, levei o carrinho e coloquei no lugar dele.<\/p>\n<p>Fui embora pra casa, pensando que poderia ter atropelado pessoas, pelo simples fato dessas pessoas olharem pra minha cara e pensar: ela n\u00e3o vai ter coragem!<\/p>\n<p>Sinceramente, quero ficar dentro de casa pelo menos uma semana, para as bruxas se esquecem de mim. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel! Resolveram pegar no meu p\u00e9 ou testar minha paci\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu n\u00e3o sou pavoa, n\u00e3o costumo me elogiar, ainda mais que fui criada com minha m\u00e3e dizendo que o elogio tem de partir dos outros, nunca da gente mesma, mas n\u00e3o me considero m\u00e1 motorista. Tem exatamente 50 anos que dirijo. Nunca aconteceu nada comigo, nunca me envolvi em nenhum acidente. 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