{"id":373886,"date":"2025-12-07T07:55:13","date_gmt":"2025-12-07T10:55:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=373886"},"modified":"2025-12-07T08:11:16","modified_gmt":"2025-12-07T11:11:16","slug":"saudades-do-rio-de-janeiro-do-brasil-e-nao-de-governadores-organizados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/saudades-do-rio-de-janeiro-do-brasil-e-nao-de-governadores-organizados\/","title":{"rendered":"Saudades do Rio de Janeiro do Brasil e n\u00e3o de governadores organizados"},"content":{"rendered":"<p class=\"v1MsoNormal\">Al\u00e9m de minha s\u00f3lida, amada e espalhada fam\u00edlia, tenho outras tr\u00eas paix\u00f5es na vida: o Brasil, meu Rio de Janeiro e, claro, o Clube de Regatas do Flamengo. N\u00e3o necessariamente nessa ordem, todos est\u00e3o bem guardadinhos do lado esquerdo do peito acima de tudo patriota. Sou do Rio antigo, capital federal, vitrine da moda, ber\u00e7o do samba, da bossa-nova e dos mestres da malandragem. Nada a ver com a bandidagem de hoje, representada, na vis\u00e3o da elite infeliz, por negros e pobres, mas comandada por engravatados e at\u00e9 por homens com mandatos eletivos. S\u00e3o esses os algozes do meu, do seu, do nosso Rio 40 graus.<\/p>\n<p class=\"v1MsoNormal\">Saudade dos cariocas raiz, aqueles cuja indument\u00e1ria, em casa e no trabalho, sempre foi o cal\u00e7\u00e3o de banho e uma sand\u00e1lia de borracha. Saudade das praias sem coc\u00f4, da dama da lota\u00e7\u00e3o, das bancas de jornais que um dia foram queimadas e vilipendiadas pelos terroristas vinculados ao j\u00e1 golpista Jair Bolsonaro, \u00e0 \u00e9poca contr\u00e1rio \u00e0 abertura pol\u00edtica proposta pelo ent\u00e3o presidente, general Ernesto Geisel. Bolsonaro foi preso, as bancas reerguidas, a abertura consolidada pelo general Figueiredo e a democracia engatinhou at\u00e9 alcan\u00e7ar a pereniza\u00e7\u00e3o, apesar do furor uterino de Bolsonaro pela tirania.<\/p>\n<p class=\"v1MsoNormal\">Sem melancolia ou nostalgia exagerada, tenho boas lembran\u00e7as dos \u00f4nibus el\u00e9tricos e dos bondes que circulavam pelo sub\u00farbio de ch\u00e3o batido e sem asfalto, dos bailinhos sem drogas, mas com muito\u00a0<i>rock and rool<\/i>, e, principalmente, dos com\u00edcios pol\u00edticos p\u00fablicos. Era ali que a gente extravasava o \u00f3dio que t\u00ednhamos e temos at\u00e9 hoje dos pol\u00edticos mentirosos. Como nenhum tinha letreiro na testa, todos saiam do palanque enlameados de ovos podres. O prazer transcendia as benesses que atualmente alguns recebem apenas para engrossar a claque dos usurpadores de votos.<\/p>\n<p class=\"v1MsoNormal\">Por raz\u00f5es alheias \u00e0 minha vontade, sa\u00ed do Rio de Janeiro. Entretanto, 40 anos depois, n\u00e3o permito que o Rio saia de mim. Deixei o azul do mar e, sem baldea\u00e7\u00e3o, parti no Trem Azul com destino \u00e0 terra vermelha da nova capital. Sa\u00ed, mas como esquecer a inf\u00e2ncia em Campo Grande, Bangu e Realengo. E como n\u00e3o lembrar da fase adulta, quando sonhava com a Princesinha do mar, com o Arpoador, o Castelinho, a Montenegro, a Joatinga e as paqueras de fim de semana no Number One. Me faltavam recursos, mas sobrava criatividade para tamb\u00e9m viver a moda dos riquinhos, que era levar um papo firme de cinema em Ipanema, nas cadeiras do Zeppelin, e ouvir as bombas do Ibrahim, o Sued.<\/p>\n<p class=\"v1MsoNormal\">Mesmo \u00e0 dist\u00e2ncia dos chopinhos no Drugstore, eu j\u00e1 imaginava o Rio com muito sol, muito sal ou mais. Como dizia a can\u00e7\u00e3o de Chico Anysio e Arnaud Rodrigues, o Rio era e \u00e9 fundamental. A cidade se perdeu na gan\u00e2ncia dos maus governadores que, em troca do poder, permitiram a organiza\u00e7\u00e3o do crime. O Rio n\u00e3o \u00e9 mais o meu Rio de Janeiro. Todavia, ele continua, macio e mundial.\u00a0<i>V\u00f4 bat\u00ea p\u00e1 tu espalhar p\u00e1 tua patota<\/i>\u00a0que o meu Rio \u00e9 o do eterno s\u00edndico Tim Maia. Carioca t\u00edpico e grande gozador, foi Sebasti\u00e3o quem me ensinou o caminho do Leme ao Pontal.<\/p>\n<p class=\"v1MsoNormal\">Assim como Tim, eu tive op\u00e7\u00e3o de ser garoto Zona Sul, mas nunca abandonei o sub\u00farbio, local em que reside a alma da cidade. Conforme tradu\u00e7\u00e3o do amigo A\u00e9cio Amado, \u00e9 no sub\u00farbio que o carioqu\u00eas \u00e9 consumido no sotaque mais gingado e mais puxado do esse. Copiando a poesia do amado A\u00e9cio, n\u00e3o h\u00e1 coisa mais cheia de chamego e de dengo do que passear pelo sub\u00farbio carioca, o chamado encontro do Rio com o Rio. Minha maior saudade \u00e9 a dificuldade que tenho para descrever as v\u00edsceras do suburbano que vive pertinho do c\u00e9u ou bem ali entre Deodoro, Madureira e S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, no local conhecido como Encantado. Tenham Piedade! Que os maus pol\u00edticos devolvam o Rio de Janeiro do Brasil a quem ama o Rio do mundo.<\/p>\n<p class=\"v1gmail-MsoBodyTextFirstIndent\">&#8230;&#8230;&#8230;..<\/p>\n<p class=\"v1gmail-MsoBodyTextFirstIndent\"><strong>Armando Cardoso \u00e9 presidente do Conselho Editorial de Notibras<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m de minha s\u00f3lida, amada e espalhada fam\u00edlia, tenho outras tr\u00eas paix\u00f5es na vida: o Brasil, meu Rio de Janeiro e, claro, o Clube de Regatas do Flamengo. N\u00e3o necessariamente nessa ordem, todos est\u00e3o bem guardadinhos do lado esquerdo do peito acima de tudo patriota. 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