{"id":373926,"date":"2025-12-08T01:15:26","date_gmt":"2025-12-08T04:15:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=373926"},"modified":"2025-12-07T19:59:51","modified_gmt":"2025-12-07T22:59:51","slug":"mulheres-denunciam-feminicidios-e-a-omissao-do-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/mulheres-denunciam-feminicidios-e-a-omissao-do-estado\/","title":{"rendered":"Mulheres denunciam feminic\u00eddios e a omiss\u00e3o do Estado"},"content":{"rendered":"<p>\u201cEstupros corretivos, tapas e facadas. Querem nos manter de bocas fechadas, mas nem a morte ir\u00e1 nos calar. Mulheres vivas!\u201d, com essas palavras a assistente social Elisandra \u201cLis\u201d Martins encerrou sua fala na Batalha de Rimas, no centro de Bras\u00edlia, no ato Levante Mulheres Vivas, realizado em diversas capitais do pa\u00eds neste domingo (7).<\/p>\n<p>Sob fortes pancadas de chuva, milhares de pessoas participaram do protesto no Distrito Federal (DF) para denunciar a viol\u00eancia contra a mulher, o feminic\u00eddio e a omiss\u00e3o do Estado na prote\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia de g\u00eanero.<\/p>\n<p>O \u201cLevante\u201d foi convocado por dezenas de organiza\u00e7\u00f5es de mulheres, ap\u00f3s sucessivos casos emblem\u00e1ticos de feminic\u00eddios que chocaram o Brasil nos \u00faltimos dias. Em Bras\u00edlia, falas de lideran\u00e7as e apresenta\u00e7\u00f5es culturais movimentaram a Torre de TV, no centro da capital.<\/p>\n<p>A rimadora Elisandra \u201cLis\u201d Martins, de 31 anos, faz parte do coletivo Batalha das Gurias, da Frente Nacional de Mulheres no Hip-Hop, e compareceu ao ato para denunciar a viol\u00eancia de g\u00eanero na esperan\u00e7a de provocar uma rea\u00e7\u00e3o do Estado.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 viol\u00eancia de g\u00eanero, \u00e9 viol\u00eancia de ra\u00e7a, por esses motivos temos as nossas vidas escassas, \u00e9 como viver no submundo dos empregos, periferias e at\u00e9 do pr\u00f3prio mundo. Da n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o at\u00e9 a depress\u00e3o que nos mata, mantendo viva a respira\u00e7\u00e3o\u201d, rimou a moradora do Itapo\u00e3, regi\u00e3o administrativa do DF a cerca de 10 quil\u00f4metros da Esplanada dos Minist\u00e9rios.<\/p>\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o contou com a presen\u00e7a de um ministro e seis ministras, entre elas as da pasta da Mulher, Cida Gon\u00e7alves, da Igualdade Racial, Anielle Franco, e das Rela\u00e7\u00f5es Institucionais, Gleisi Hoffmann, al\u00e9m de deputadas federais, da primeira-dama Janja Lula da Silva e diversas lideran\u00e7as populares.<\/p>\n<p><strong>Viol\u00eancia do Estado<\/strong><\/p>\n<p>Foram recorrentes falas contra o Estado e a omiss\u00e3o e incapacidade das institui\u00e7\u00f5es de protegerem as mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia, assim como de prevenir esses crimes.<\/p>\n<p>A doutora em ci\u00eancia sociais Vanessa Hacon \u00e9 ativista do Coletivo M\u00e3es na Luta, que assessora mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia. Ela afirma que o sistema de Justi\u00e7a \u00e9 negligente no atendimento \u00e0s mulheres e, na maioria dos casos, culpa a pr\u00f3pria v\u00edtima.<\/p>\n<p>\u201cAs mulheres saem de casa para se livrar da viol\u00eancia dom\u00e9stica e v\u00e3o parar dentro do sistema de Justi\u00e7a, onde a viol\u00eancia processual \u00e9 intensa e absurda e os ju\u00edzes n\u00e3o fazem nada\u201d, disse Vanessa.<\/p>\n<p>A ativista reclama que as institui\u00e7\u00f5es do sistema de Justi\u00e7a n\u00e3o concedem as medidas protetivas \u00e0s mulheres quanto necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u201cExiste uma ideologia machista nos tribunais que deslegitima den\u00fancias com base em estere\u00f3tipos de g\u00eanero vulgares, do tipo \u2018essa mulher \u00e9 uma ressentida\u2019, \u2018n\u00e3o aceita o fim do relacionamento\u2019, \u2018vingativa\u2019. Essas den\u00fancias precisam ser levadas a s\u00e9rio e, de fato, processadas corretamente, ao inv\u00e9s de arquivadas sob argumentos vagos\u201d, criticou.<\/p>\n<p><strong>Patriarcado<\/strong><\/p>\n<p>Com gritos como \u201cFeminismo \u00e9 revolu\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cMulheres Vivas\u201d, as manifestantes destacaram que a forma \u201cpatriarcal\u201d como a sociedade foi estruturada ao longo dos s\u00e9culos contribui para uma esp\u00e9cie de \u201cepidemia\u201d de feminic\u00eddios no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cO patriarcado \u00e9 quando a sociedade se estrutura a partir da l\u00f3gica de que o homem, de que o g\u00eanero masculino, tem o poder, e o poder \u00e9 centralizado neles, a partir deles, e \u00e9 a partir deles que as coisas acontecem\u201d, afirmou a militante do Movimento Negro Unificado (MNU), Leonor Costa.<\/p>\n<p>Ela destacou \u00e0 Ag\u00eancia Brasil que os casos \u201cabsurdos\u201d de feminic\u00eddios nos \u00faltimos dias acenderam a revolta das mulheres pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cEspero que esses atos sensibilizem a sociedade e mostrem o perigo que as mulheres vivem no seu cotidiano e, mais do que isso, que sensibilize o Estado. \u00c9 fundamental que haja pol\u00edticas p\u00fablicas que sejam capazes de frear esse n\u00edvel de viol\u00eancia\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Para a representante do MNU, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental para mudar essa cultura. \u201cS\u00e3o necess\u00e1rias pol\u00edticas de educa\u00e7\u00e3o que consigam conscientizar a sociedade como um todo para entender que esse \u00e9 um problema do pa\u00eds. Esse n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um problema meu, que sou mulher\u201d, completou.<\/p>\n<p><strong>Papel dos homens e do or\u00e7amento p\u00fablico<\/strong><\/p>\n<p>A maioria da manifesta\u00e7\u00e3o foi formada por mulheres, mas muitos homens acompanharam o ato e as lideran\u00e7as presentes destacaram o papel deles na luta contra a viol\u00eancia de g\u00eanero, como explicou a escritora, cineasta e professora aposentada Renata Parreira.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso convocar os homens a discutir, a refletir sobre sua masculinidade t\u00f3xica. Traz\u00ea-los como aliados para essa luta, porque \u00e9 uma luta de todas e todos para que possamos mudar o projeto de sociedade\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Para Renata, que integra o Levante Feminista contra o Feminic\u00eddio, Lesboc\u00eddio e Transfeminic\u00eddio, \u00e9 preciso ainda refor\u00e7ar o or\u00e7amento p\u00fablico para combater a viol\u00eancia de g\u00eanero.<\/p>\n<p>\u201cSem or\u00e7amento p\u00fablico, sem equipe qualificada, sem indicadores econ\u00f4micos e sociais de pesquisa n\u00e3o h\u00e1 como elaborar pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas para a preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia de mulheres. N\u00f3s precisamos, por meio da educa\u00e7\u00e3o, transformar a realidade porque a cultura n\u00e3o \u00e9 fixa, ela \u00e9 din\u00e2mica e pode ser mudada\u201d, completou.<\/p>\n<p><strong>Quest\u00e3o econ\u00f4mica<\/strong><\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica das mulheres foi outro elemento lembrado no ato como fator que alimenta a viol\u00eancia de g\u00eanero.<\/p>\n<p>A empreendedora Aline Karina Dias, de 36 anos, avalia que a quest\u00e3o financeira \u00e9 a arma para emancipar muitas mulheres dos ciclos de viol\u00eancia e exclus\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cCompreendemos o empreendedorismo, a quest\u00e3o financeira, como uma ferramenta de emancipa\u00e7\u00e3o e de exist\u00eancia das mulheres. Muitas que sofrem feminic\u00eddio s\u00e3o devido a quest\u00f5es sociais, por falta de moradia e de emprego\u201d, disse.<\/p>\n<p>Aline Karina lidera o Sebas Tur\u00edstica, projeto de afroturismo de base comunit\u00e1ria que visa promover o turismo cidad\u00e3o em S\u00e3o Sebasti\u00e3o, regi\u00e3o administrativa do DF a cerca de 17 km do centro de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p><strong>Entenda<\/strong><\/p>\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o nacional foi convocada ap\u00f3s uma onda de feminic\u00eddios recentes que abalaram o pa\u00eds.<\/p>\n<p>No final de novembro, Tainara Souza Santos teve as pernas mutiladas ap\u00f3s ser atropelada e arrastada por cerca de um quil\u00f4metro, enquanto ainda estava presa embaixo do ve\u00edculo. O motorista, Douglas Alves da Silva, foi preso acusado do crime.<\/p>\n<p>Na mesma semana, duas funcion\u00e1rias do Centro Federal de Educa\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica (Cefet-RJ), no Rio de Janeiro, foram mortas a tiros por um funcion\u00e1rio da institui\u00e7\u00e3o que se matou em seguida.<\/p>\n<p>Na sexta-feira (5), foi encontrado, em Bras\u00edlia, o corpo carbonizado da cabo do Ex\u00e9rcito Maria de Lourdes Freire Matos, 25 anos. O crime est\u00e1 sendo investigada como feminic\u00eddio, ap\u00f3s o soldado Kelvin Barros da Silva, de 21 anos, ter confessado a autoria do assassinato.<\/p>\n<p>Cerca de 3,7 milh\u00f5es de mulheres brasileiras viveram um ou mais epis\u00f3dios de viol\u00eancia dom\u00e9stica nos \u00faltimos 12 meses, segundo o Mapa Nacional da Viol\u00eancia de G\u00eanero.<\/p>\n<p>Em 2024, 1.459 mulheres foram v\u00edtimas de feminic\u00eddios. Em m\u00e9dia, cerca de quatro mulheres foram assassinadas por dia em 2024 em raz\u00e3o do g\u00eanero. Em 2025, o Brasil j\u00e1 registrou mais de 1.180 feminic\u00eddios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEstupros corretivos, tapas e facadas. Querem nos manter de bocas fechadas, mas nem a morte ir\u00e1 nos calar. Mulheres vivas!\u201d, com essas palavras a assistente social Elisandra \u201cLis\u201d Martins encerrou sua fala na Batalha de Rimas, no centro de Bras\u00edlia, no ato Levante Mulheres Vivas, realizado em diversas capitais do pa\u00eds neste domingo (7). 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